A VERDADE NÃO SERIA BASTANTE PLAUSÍVEL SE FOSSE FICÇÃO - Richard Bach
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segunda-feira, 16 de março de 2026

Menos é mais …

 

1966 - Black Jack vem liderando Dan Gurney - Gurney/Weslake e Jim Clark - Loyus Climax -em Brands na Corrida dos Campeões.

Blacck Jack e a BT19 Repco e Jim Clark e a Lotus Climax.


É a frase que veio à minha mente quando vi o novo regulamento da Fórmula Um, pois como tudo na vida menos é sempre mais.

Um regulamento feito sob a batuta do atual presidente da FIA só podia dar no que estamos vendo neste começo de temporada, quem acompanha sabe bem a que me refiro.

Voltando aos regulamentos da categoria me veio à mente a mudança de 1966 quando os motores passaram de 1.500cc para 3.000cc aspirados ou 1,500cc comprimidos. Apenas um parênteses. na época “comprimidos” se referiam aos compressores volumétricos tipo Roots, acionados por polias ligadas ao virabrequim. que apesar de acrescentarem muita potência ao motor, tanto que vemos na relação da cilindrada era pouco ao que viria anos depois com os compressores volumétricos, que são movidos através dos gases do escape, e tornaram essa relação totalmente defasada, já que em seu auge na categoria motores de 1.500cc, chegaram a render mais de 1.400 hps.

Mas vamos falar dos motores 3,000cc que no começo da nova regulamentação da categoria apareceram. Nos anos anteriores os motores Clímax, Ferrari, BRM  dominavam, e a procura por motores foi frenética. A BRM juntou dois de seus motores em um só, criando um motor potente, mais pesadíssimo e beberrão, a Climax aumentou a cilindrada até onde podia, 2.400/2.500cc, nada que fizessem um motor campeão.

Mas da Austrália e Nova Zelândia, um grande campeão juntou-se à uma grande preparadora, e numa ideia simples, utilizando um bloco de motor em série, desenvolveram o Repco/Brabham/Oldsmobile, que equipando os carros da Brabham foram campeões em 1966/67, primeiro nas mãos de Jack Brabham depois de Denny Hulme. Como disse antes, menos é sempre mais.


Repco/Brabham

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Na mesma época era desenvolvido um motor V8 para categoria por dois jovens engenheiros, que ao contrário da sofisticação dos motores Ferrari e outros fizeram um motor mais simples, pouco menos potente mas confiável, o Cosworth DFV, que dominou a categoria por vários anos, servindo à inúmeras equipes, sendo o maior vencedor de corridas da Fórmula Um de todos os tempos. Foi a maravilhosa época dos “garagistas”, quando um engenheiro competente, uma caixa de câmbio Hewland e um motor Cosworth DFV faziam carros capazes de competir com as grandes equipes, sendo a Hesket um grande exemplo, que chegou a competir de igual para igual com grandes equipes e até vencer. Volto a dizer, menos é sempre mais.


James Hunt e o Hesket 308B Cosworth


Ford/Cosworth DFV

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E hoje? 

Acredito que de duas décadas para cá, talvez mais um pouco, duas grandes evoluções vem tirando muito a competitividade da categoria, a aerodinâmica e os freios. 

A aerodinâmica com seus túneis de vento cada vez mais evoluídos, apoiados por super sistemas de informática, contribuíram muito para deixar os carros mais no “chão” e ao mesmo tempo deixarem uma confusão aerodinâmica em seus rastros.  

E os freios? Acredito que mais do que freios hoje podemos chamá-los de sistema de frenagem, tal foi a sua evolução. Frenagens de 350 kmh para 120 são feitas em espaços de menos de cinquenta metros, tornando a manobra de sair da traseira do carro da frente e tentar uma ultrapassagem na freada algo quase que impossível. Li há muito tempo que o Porsche 911, não lembro qual modelo, tinha o poder de frenagem várias vezes mais potente que seu motor de 450 hps, imaginem então o que que é hoje na Fórmula Um, e outras categorias que utilizam esses sistemas.

Das famigeradas asas móveis prefiro nem comentar!

Agora em 2026 então tudo mudou, e para bem pior! 

Os motores agora são “sistemas de potência” ( já de algum tempo ), a parte elétrica não dá para ouvir, mas o ronco total me lembra da máquina de lavar roupas de casa.

A largada, agora tem uma pré largada, que me pareceu nessas duas corridas da temporada apenas serviu para mais confundir que para ajudar. 


Quando menos é mais!

Talvez um regulamento mais simples, regulamentando freios e aerodinâmica de uma forma mais fácil de aplicar. Elevando espaços de frenagens, mudando o fluxo de ar da dianteira até a traseira do carro. Deixando que equipes menores se aproximem das maiores não por força de um regulamento, mas pela capacidade de colocar seus carros em tal regulamento.

Dos motores prefiro até não dizer nada; mas … Já existe uma categoria para os elétricos, os eletrodomésticos daqui de casa amam, menos meu computador, geladeira, máquina de lavar, aspirador de pó e enceradeira já até exigiram que eu colocasse nelas aquelas luzinhas com miríades de cores para voltarem à funcionar, é o progresso!

Mas como mudar tudo para menos, quando a presidência da entidade maior do automobilismo quer deixar sua “marca”, o tal senhor que adora aparecer em qualquer foto, até já veio uma multa de radar para mim com a carinha dele ao lado da placa.

Certamente está deixando um belo legado!


Desculpem minha indignação, não é saudosismo, é apenas vontade de voltar a ouvir um ronco de motor, e ver uma Hesket “qualquer” vencendo!


Abraços.


Rui Amaral Jr   




domingo, 10 de fevereiro de 2013

ALGUMAS FOTOS E COMENTÁRIOS

CAMPEONISSIMO - Brands 1972
1973, amigos amigos, negócios à parte!
 Revson e Ronnie, duas gerações, duas belas carreiras, dois botas, o mesmo fim.
Interlagos 1973, perplexo com a arrancada de Emerson, talvez nem ele acreditasse que ao final daquele ano seria tri!
Watkins Glen 1973, depois da tragédia nos treinos o show tinha que continuar. Para quem será que sorriam o Lord e seu pupilo?



quinta-feira, 28 de junho de 2012

ATITUDE CORAJOSA


Lauda, Ferrari 312 T e a sua frente Carlos Pace Brabhan BT45 em Nurburgring momentos antes do acidente que quase tira a vida do Austríaco. Seguem Lunger e Harald Ertl. 


1976 Niki Lauda estava no topo, havia vencido o mundial de pilotos e construtores no ano anterior para a Ferrari, o que não acontecia à equipe desde 1964, do começo tendo que comprar um lugar para pilotar um Formula Um era agora um dos mais altos salários da categoria.
Vinha liderando o campeonato, havia vencido os GPs do Brasil em Interlagos, Kyalamy na África do Sul, Zolder na Bélgica, Montecarlo no Principado de Mônaco e Inglaterra em Brands Hacth...quando  à 1º de Agosto no GP da Alemanha em Nurburgring após uma saída da pista e batida seu carro ficou atravessado na pista, Brett Lunger que vinha com seu Surtees TS19 um pouco atrás não conseguiu desviar e bateu em Lauda que envolto em chamas demorou demais para ser retirado. Resultado ficou alguns dias em coma entre a vida e a morte. Antes dessa corrida tinha 64 pontos no campeonato contra 38 do James Hunt que com a vitória em Nurburgring, após o reinicio da corrida com a vitória passou então a somar 47.
Incrivelmente Lauda se recuperou a tempo de disputar o GP da Itália em Monza, corrido em 12 de Setembro apenas 41 dias após o acidente que quase lhe tira a vida, apesar do rosto deformado e ainda ter problemas devido as queimaduras. 
Resumindo o campeonato e Formula Um chega ao Japão com Lauda tendo 68 pontos e James Hunt 65.


 A largada.

Aquele foi o primeiro GP do Japão e a expectativa em torno dele era enorme, afinal o campeonato se decidiria ali. 
Andretti de Lotus 77 foi o pole a seu lado Hunt e na segunda fila com o terceiro tempo largaria Lauda, apenas mantendo a posição o austríaco seria o Campeão. 
Na hora da corrida chovia e a neblina era forte alguns pilotos entre eles Hunt achavam que ela devia ser adiada mas a organização mesmo com algum tempo de atraso resolveu dar a largada assim mesmo.



Lauda


A largada é dada às 3 horas e Hunt dispara na ponta enquanto Lauda entra nos boxes e diz “É um crime correr desse jeito, e eu não vou fazer isso”  e abandona dando o titulo de mão beijada a Hunt.
Vendo tudo que está acontecendo em nosso automobilismo penso quantos pilotos teriam a coragem de tomar essa atitude. Muitos dirão”ele era Campeão do Mundo”. Nada disso ele foi é corajoso, muitos de nós naquela situação inventariam uma quebra, uma saída de pista em um lugar qualquer, para depois se desculparem do erro. Ele não, desceu do carro e falou a verdade coisa que falta a muitos pilotos hoje em dia em várias situações.
Quanto aos dirigentes, “ora dirigente é dirigente” poucos deles já puseram suas preciosas bundas em um carro numa situação dessas para poderem avaliar com isenção como é difícil  pilotar desta forma. 

Hunt






quarta-feira, 6 de abril de 2011

ATITUDE CORAJOSA

Lauda, Ferrari 312 T e a sua frente Carlos Pace Brabhan BT45 em Nurburgring momentos antes do acidente que quase tira a vida do Austríaco.  


1976 Niki Lauda estava no topo, havia vencido o mundial de pilotos e construtores no ano anterior para a Ferrari, o que não acontecia à equipe desde 1964, do começo tendo que comprar um lugar para pilotar um Formula Um era agora um dos mais altos salários da categoria.
Vinha liderando o campeonato tinha vencido os Gps do Brasil em Interlagos e da Argentina em Buenos Aires, da Inglaterra em Brands Hacth, quando  a 1º de Agosto no GP da Alemanha em Nurburgring após uma saída da pista e batida seu carro ficou envolto em chamas e ele demorou demais para ser tirado. Resultado ficou alguns dias em coma entre a vida e a morte. Antes dessa corrida tinha 64 pontos no campeonato contra 38 do James Hunt que com a vitória em Nurburgring, após o reinicio da corrida com a vitória passou então a somar 47.
Incrivelmente Lauda se recuperou a tempo de disputar o GP da Itália em Monza, corrido em 12 de Setembro apenas 41 dias após o acidente que quase lhe tira a vida, apesar do rosto deformado e ainda ter problemas devido as queimaduras. 
Resumindo o campeonato e Formula Um chega ao Japão com Lauda tendo 68 pontos e James Hunt 65.

A largada.

Aquele foi o primeiro GP do Japão e a expectativa em torno dele era enorme, afinal o campeonato se decidiria ali. 
Andretti de Lotus 77 foi o pole a seu lado Hunt e na segunda fila com o terceiro tempo largaria Lauda, apenas mantendo a posição o austríaco seria o Campeão. 
Na hora da corrida chovia e a neblina era forte alguns pilotos entre eles Hunt achavam que ela devia ser adiada mas a organização mesmo com algum tempo de atraso resolveu dar a largada assim mesmo.

Lauda

A largada é dada às 3 horas e Hunt dispara na ponta enquanto Lauda entra nos boxes e diz “É um crime corre desse jeito, e eu não vou fazer isso”  e abandona dando o titulo de mão beijada a Hunt.
Vendo tudo que está acontecendo em nosso automobilismo penso quantos pilotos teriam a coragem de tomar essa atitude. Muitos dirão”ele era Campeão do Mundo”. Nada disso ele foi é corajoso, muitos de nós naquela situação inventariam uma quebra, uma saída de pista em um lugar qualquer, para depois se desculparem do erro. Ele não, desceu do carro e falou a verdade coisa que falta a muitos pilotos hoje em dia em várias situações.
Quanto aos dirigentes, “ora dirigente é dirigente” poucos deles já puseram suas preciosas bundas em um carro numa situação dessas para poderem avaliar com isenção como é difícil  pilotar nessa situação.  

Hunt