A VERDADE NÃO SERIA BASTANTE PLAUSÍVEL SE FOSSE FICÇÃO - Richard Bach
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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Simplesmente Ari ...

 

O Aruanda exposto no Conjunto Nacional com Ari e Ricardo.

Estudante da FAU - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - da USP - Universidade de São Paulo - Ari se voltou em seus estudos à mobilidade urbana, já então no começo da década de 1960, um sério problema em grandes cidades como São Paulo, na também caótica Roma, além de centenas de outras.

Seu trabalho de conclusão de curso era um carro pequeno, um mini carro, que pudesse se movimentar com desenvoltura nas ruas congestionadas das metrópoles, tendo um terço do tamanho da maioria dos carros da época. O sugestivo nome “Aruanda” veio de um conceito que descreve cidades evoluídas, onde a circulação é feita com desenvoltura e uma pacífica relação do homem com o ambiente. 


No Salão de Turim Ari entra no Aruanda, e explicando o projeto à Juan Manoel Fangio.

Tamanha foi a amplitude de seu trabalho/projeto, não apenas do carro, mas da relação dele com o homem e o ambiente, que foi agraciado com o Prêmio Lúcio Meira. Para a entrega do prêmio vários dos grandes “carrozzieri” vieram ao Brasil, entre eles Mário representando a Carrozeria Fissore, que iniciou uma relação de amizade com Ari, e entusiasmado com seu projeto convidou-o a executá-lo em seu atelier/oficina na Itália, localizada em Savigliano nos arredores de Turim. 

A ideia era apresentar o carro no Salão de Turim de 1965, que seria apresentado no estande da Fissore. Parte Ari para Savigliano, com os recursos do Prêmio Lúcio Meira e pouco tempo para executar o projeto.


Na Fissore, começa a construção do Aruanda, Mario de avental preto.


A repercussão do Aruanda no 47º Salão foi tanta que a edição de novembro/dezembro da prestigiosa publicação “Carrozzieri Italiano” traz simplesmente o Aruanda em sua capa, entre os nomes de Bertone e Zagato.

Infelizmente a ideia de Ari não entrou em produção, mas serviu como exemplo para vários carros de algumas montadoras que vieram à seguir.



Ao lado de um Cadillac!

ENCONTROS


Ari seguiu seu caminho, com mestrado e doutorado na FAU, e vários projetos importantes, sempre voltados à mobilidade e ao homem e seu ambiente. Foi quando encontrou o engenheiro Ricardo Oppi, formado pela FEI - Faculdade de Engenharia Industrial - no curso de mecânica automobilística e restaurador de grande respeito, responsável por muitas restaurações mundo afora, e nasceu uma grande amizade.

O Aruanda havia se perdido no tempo, encostado na oficina de um amigo desapareceu. Décadas depois foi encontrado por um senhor, no interior de São Paulo, que leu uma reportagem na revista Quatro Rodas sobre o Aruanda, e entrou em contato com Ari, devolvendo-lhe. Pouco restava do belo exemplar exposto em Turim, muito teria de ser feito para restaurá-lo à antiga forma, foi aí que entrou o belo trabalho de Ricardo Oppi e sua equipe, trazendo de volta à vida o Aruanda, hoje exposto no museu CARDE em Campos do Jordão.


A RESTAURAÇÃO


Assim chegou o Aruanda ao atelier/oficina do Oppi.

Ari surpervisionando o projeto do restauro com um dos artesões do Oppi.
Na fase de pintura.
"Os faróis foram adquiridos através de um leilão que participei na Bélgica.  São originais do  Citroën  Ami 6 e que foram usados no Aruanda na época." Ricardo Oppi
Ricardo, Ari e equipe de artesãos que restaurou o Aruanda posam felizes ao final da obra.
O Aruanda pronto no atelier/oficina de Ricardo Oppi, al lado Ari conversa com Tony Bianco, na foto de Cláudio Larangeira.
Ari & Tony na foto de Larangeira! 
Ari por Gabriel.




Conheci Ari através de nosso amigo Ricardo há cerca de quinze anos, eles estavam então na restauração do Aruanda, Ari entrando com a memória e Ricardo com sua expertise sobre o assunto. Foi quando vi pela primeira vez de perto o grande “carrinho”, e in loco o carinho e conhecimento com que o restaurador tratava do criador e da criação.

Poderia escrever mil páginas contando as inúmeras horas em que Ari, Ricardo e eu conversamos sobre o Aruanda. Ainda hoje ao celular fiquei sabendo pelo Ricardo que ele encontrou na Itália o farol do Aruanda através de nossa querida amiga Elisa.

Mas, fico por aqui, na memória a saudades dos encontros com o Ari, que lá do alto ele possa aprovar essa modestíssima homenagem que Ricardo e eu fizemos ao querido amigo.


Ricardo, Ari e eu.



À memória do Ari, e aos seus familiares e amigos. 


Rui Amaral Jr





segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

ARUANDA no VELOCULT






Aruanda, 1º carro-conceito do Brasil, é destaque na Velocult
Um dos destaques da 3ª Velocult, que realiza-se de 28 de fevereiro a 17 de março no Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2.073) é a presença do revolucionário Aruanda.
Considerado o primeiro carro-conceito brasileiro, sua história ultrapassa fronteiras. Projetado numa época dominada por automóveis grandes e pesados, era uma idéia muito à frente do seu tempo.
No ano de 1963, o jovem Ari Antonio da Rocha, estudante de Arquitetura na FAU-USP, idealizou um veículo de uso urbano, altamente econômico e com a proposta de baixa emissão de poluentes. Ari previa que nas décadas a seguir, as grandes cidades se veriam às voltas com problemas de tráfego intenso e poluição, além do alto preço dos combustíveis fósseis.
Assim foi criado o Aruanda, com espaço para até 3 passageiros, para-brisas panorâmico, espaço para carga na parte traseira, bancos deslocáveis, volante regulável, ventilação controlada, portas de abertura lateral, painel acolchoado, anel de proteção, peso estimado em 330 kg e dimensões reduzidas(2,40 x 1x70 x 1,40).
O projeto foi apresentado no Salão do Automóvel de 1964 e recebeu o Prêmio Lucio Meira, criado por Caio Alcântara Machado, idealizador do evento. Aquela premiação foi fundamental para o futuro do jovem projetista, que na época era estagiário na Vemag, no bairro do Ipiranga, em S. Paulo. Convidado por Mario Fissore para criar o protótipo do Aruanda, Ari Rocha transferiu-se para a Itália, onde acompanhou a construção do veículo no estúdio da Carrozzeria Fissore.
Exibido no 47º Salão de Turim de 1965, o Aruanda recebeu o prêmio especial como a proposta mais inovadora. Pela primeira vez no mundo, via-se um automóvel mono-volume em forma de cunha (solução aerodinâmica consagrada na atualidade), que visava minimizar a resistência do ar e, conseqüentemente, o consumo de combustível. O projeto ia de encontro a todos os padrões da época e revolucionava o design automobilístico. O impacto foi muito grande. Várias personalidades, dentre as quais o pentacampeão da F1 Juan Manuel Fangio, foram conhecer de perto aquela novidade. O Aruanda foi capa da mais importante publicação italiana sobre automóveis, a revista Carrozziere.
Inicialmente, a proposta era usar o motor MV Agusta bicilíndrico, de 28 cv, com previsão de consumo em torno de 20 km/litro de gasolina e velocidade máxima próxima aos 100 km/h.
Trazido para o Brasil, o Aruanda foi exibido em diversas exposições. Das propostas surgidas para sua fabricação, uma das mais atraentes foi apresentada pelo Presidente do Senado Australiano, em 1966. O plano era de fabricá-lo naquele país e equipá-lo com motor elétrico de 10 cv. Ari Rocha, no entanto, queria que seu projeto se tornasse realidade em solo brasileiro. As iniciativas de produção nacional esbarraram em barreiras até hoje não muito claras e que contrariavam interesses comerciais de multinacionais recém-instaladas no país.
Em 1973, na primeira tese de Doutorado em Design defendida no Brasil, Ari Rocha propunha a limitação de acesso de veículos aos centros urbanos e a criação de bolsões de estacionamento. Ali, o motorista deixaria seu carro particular e alugaria uma versão do Aruanda equipada com motor elétrico criogênico (que funciona a baixas temperaturas). A idéia era que o público utilizasse essa modalidade de transporte para se deslocar pela área restrita e o devolvesse num dos outros bolsões espalhados pela cidade para ser utilizado por outro motorista. É interessar salientar que essa idéia vem sendo testada atualmente em algumas cidades européias.
Após anos de tentativas frustradas, Ari Rocha desistiu do plano de fabricar o Aruanda.
No ano de 1978, o carro foi levado à fábrica da Puma para reparos. Após uma chuva em que houve uma grande enchente, o carro foi dado como desaparecido. Cerca de 30 anos depois, o veículo foi localizado em Bauru pelo chaveiro Osvaldo Petroni Jr. Sem saber do que se tratava, pesquisou até descobrir que ali estava um exemplar único e de incalculável valor histórico. Conseguiu entrar em contato com Ari Rocha a quem foi devolvido o veículo.
O Aruanda encontrava-se, entretanto, em mal estado de conservação. Entregue aos cuidados do renomado restaurador Ricardo Oppi, encontra-se quase que totalmente recuperado. O veículo foi exibido no Salão Internacional de Veículos Antigos e na edição dos 50 anos do Salão do Automóvel, ambos em 2010.
Uma pesquisa intensa vem sendo desenvolvida visando a conclusão do restauro e a preservação desta verdadeira obra-prima, fruto da engenhosidade e da criatividade de grande brasileiro chamado Ari Antonio da Rocha.
A 3ª Semana Cultural da Velocidade é um evento idealizado pelo designer Paulo Saláriz com apoio da Secretaria da Cultura do Município de São Paulo, Conjunto Nacional, CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) e seu presidente Cleyton Pinteiro. Toda a renda do evento será revertida em prol da organização “Médicos Sem Fronteiras”.
Serviço: 3ª Semana Cultural da Velocidade – Velocult
Local: Espaço Cultural Conjunto Nacional
Endereço: Avenida Paulista, 2,073 – São Paulo – SP
Data: Cocktail de abertura para imprensa e convidados: 27 de fevereiro de 2012
Período de visitação do público: de 28 de fevereiro a 17 de março de 2012


O ARUANDA tendo a seu lado Ricardo Oppi