Seu trabalho de conclusão de curso era um carro pequeno, um mini carro, que pudesse se movimentar com desenvoltura nas ruas congestionadas das metrópoles, tendo um terço do tamanho da maioria dos carros da época. O sugestivo nome “Aruanda” veio de um conceito que descreve cidades evoluídas, onde a circulação é feita com desenvoltura e uma pacífica relação do homem com o ambiente.
Tamanha foi a amplitude de seu trabalho/projeto, não apenas do carro, mas da relação dele com o homem e o ambiente, que foi agraciado com o Prêmio Lúcio Meira. Para a entrega do prêmio vários dos grandes “carrozzieri” vieram ao Brasil, entre eles Mário representando a Carrozeria Fissore, que iniciou uma relação de amizade com Ari, e entusiasmado com seu projeto convidou-o a executá-lo em seu atelier/oficina na Itália, localizada em Savigliano nos arredores de Turim.
A ideia era apresentar o carro no Salão de Turim de 1965, que seria apresentado no estande da Fissore. Parte Ari para Savigliano, com os recursos do Prêmio Lúcio Meira e pouco tempo para executar o projeto.
A repercussão do Aruanda no 47º Salão foi tanta que a edição de novembro/dezembro da prestigiosa publicação “Carrozzieri Italiano” traz simplesmente o Aruanda em sua capa, entre os nomes de Bertone e Zagato.
Infelizmente a ideia de Ari não entrou em produção, mas serviu como exemplo para vários carros de algumas montadoras que vieram à seguir.
ENCONTROS
Ari seguiu seu caminho, com mestrado e doutorado na FAU, e vários projetos importantes, sempre voltados à mobilidade e ao homem e seu ambiente. Foi quando encontrou o engenheiro Ricardo Oppi, formado pela FEI - Faculdade de Engenharia Industrial - no curso de mecânica automobilística e restaurador de grande respeito, responsável por muitas restaurações mundo afora, e nasceu uma grande amizade.
O Aruanda havia se perdido no tempo, encostado na oficina de um amigo desapareceu. Décadas depois foi encontrado por um senhor, no interior de São Paulo, que leu uma reportagem na revista Quatro Rodas sobre o Aruanda, e entrou em contato com Ari, devolvendo-lhe. Pouco restava do belo exemplar exposto em Turim, muito teria de ser feito para restaurá-lo à antiga forma, foi aí que entrou o belo trabalho de Ricardo Oppi e sua equipe, trazendo de volta à vida o Aruanda, hoje exposto no museu CARDE em Campos do Jordão.
A RESTAURAÇÃO
Poderia escrever mil páginas contando as inúmeras horas em que Ari, Ricardo e eu conversamos sobre o Aruanda. Ainda hoje ao celular fiquei sabendo pelo Ricardo que ele encontrou na Itália o farol do Aruanda através de nossa querida amiga Elisa.
Mas, fico por aqui, na memória a saudades dos encontros com o Ari, que lá do alto ele possa aprovar essa modestíssima homenagem que Ricardo e eu fizemos ao querido amigo.
À memória do Ari, e aos seus familiares e amigos.
Rui Amaral Jr


















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Rui Amaral Jr