A VERDADE NÃO SERIA BASTANTE PLAUSÍVEL SE FOSSE FICÇÃO - Richard Bach

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Gordon Johncock - 5 de agosto de 1926 - 28 de setembro de 2026 - Por Ronaldo Nazar

 

Esse andou muito. Pé pesado!

 O lendário piloto americano Gordon Johncock faleceu aos 90 anos de causas naturais em sua residência em Michigan. Conhecido por sua postura humilde e por guiar em uma das eras de ouro do automobilismo, ele deixou uma marca indelével na história da IndyCar como um competidor destemido e vencedor.


* Estreia em Indianápolis: Em 1965, integrou uma das classes de estreantes mais talentosas da história das 500 Milhas de Indianápolis (ao lado de Mario Andretti e Al Unser), terminando em uma excelente quinta colocação.

* Primeira vitória: Ainda em 1965, conquistou seu primeiro triunfo na IndyCar na tradicional pista de Milwaukee Mile.


As Duas Vitórias na Indy 500 e Título Nacional.


Posando com o troféu de bicampeão das 500 milhas de Indianápolis.

Uma das primeiras filas mais icônicas de todos os tempos das 500 milhas. A. J. Foyt, Gordon Johncock e Bobby Unser. 1975.



Posando com o troféu de bicampeão das 500 milhas de Indianápolis.



* O trágico triunfo de 1973: Venceu as 500 Milhas de Indianápolis pela primeira vez em uma edição marcada por péssimas condições climáticas e terríveis acidentes que tiraram a vida de seu companheiro de equipe, Swede Savage, e de um mecânico. A corrida terminou sob chuva na volta 133 e a comemoração consistiu em comer hambúrgueres em um restaurante local após visitar o amigo no hospital.

* O título de 1976: Conquistou o campeonato nacional da USAC National Championship superando grandes lendas da época.

* O duelo épico de 1982: Faturou sua segunda vitória na Indy 500 protagonizando uma das chegadas mais espetaculares de todos os tempos no Indianapolis Motor Speedway. Ele segurou os ataques ferozes de Rick Mears na última volta para vencer por uma vantagem de apenas 0,16 segundos.


Números Finais e Outras Categorias


Ele gostava de correr com esse capacete bem fechado.


* Estatísticas de peso: Disputou a Indy 500 24 vezes e somou um total de 25 vitórias e 20 pole positions ao longo de 262 largadas na IndyCar.

* Aventuras na NASCAR: Assim como outros pilotos de sua geração, Johncock também se aventurou na NASCAR, disputando 21 corridas — incluindo três participações na prestigiada Daytona 500 (onde conseguiu um quarto lugar em 1973).


Aposentadoria e Vida no Campo.


Após ensaiar uma primeira despedida em 1985, aposentou-se definitivamente das pistas após a Indy 500 de 1992 aos 55 anos. Longe dos holofotes, passou as décadas seguintes dedicado à sua fazenda e ao seu negócio florestal/madeireiro em Michigan, sendo conhecido pelo estilo simples e avesso a badalações. Gordon Johncock faz parte do Hall da Fama Internacional do Automobilismo desde 1999.


Tava Gordão o Gordon


Ronaldo Nazar




terça-feira, 1 de setembro de 2026

Cultura do Automóvel - Setembro 2026

 


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Simplesmente Ari ...

 

O Aruanda exposto no Conjunto Nacional com Ari e Ricardo.

Estudante da FAU - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - da USP - Universidade de São Paulo - Ari se voltou em seus estudos à mobilidade urbana, já então no começo da década de 1960, um sério problema em grandes cidades como São Paulo, na também caótica Roma, além de centenas de outras.

Seu trabalho de conclusão de curso era um carro pequeno, um mini carro, que pudesse se movimentar com desenvoltura nas ruas congestionadas das metrópoles, tendo um terço do tamanho da maioria dos carros da época. O sugestivo nome “Aruanda” veio de um conceito que descreve cidades evoluídas, onde a circulação é feita com desenvoltura e uma pacífica relação do homem com o ambiente. 


No Salão de Turim Ari entra no Aruanda, e explicando o projeto à Juan Manoel Fangio.

Tamanha foi a amplitude de seu trabalho/projeto, não apenas do carro, mas da relação dele com o homem e o ambiente, que foi agraciado com o Prêmio Lúcio Meira. Para a entrega do prêmio vários dos grandes “carrozzieri” vieram ao Brasil, entre eles Mário representando a Carrozeria Fissore, que iniciou uma relação de amizade com Ari, e entusiasmado com seu projeto convidou-o a executá-lo em seu atelier/oficina na Itália, localizada em Savigliano nos arredores de Turim. 

A ideia era apresentar o carro no Salão de Turim de 1965, que seria apresentado no estande da Fissore. Parte Ari para Savigliano, com os recursos do Prêmio Lúcio Meira e pouco tempo para executar o projeto.


Na Fissore, começa a construção do Aruanda, Mario de avental preto.


A repercussão do Aruanda no 47º Salão foi tanta que a edição de novembro/dezembro da prestigiosa publicação “Carrozzieri Italiano” traz simplesmente o Aruanda em sua capa, entre os nomes de Bertone e Zagato.

Infelizmente a ideia de Ari não entrou em produção, mas serviu como exemplo para vários carros de algumas montadoras que vieram à seguir.



Ao lado de um Cadillac!

ENCONTROS


Ari seguiu seu caminho, com mestrado e doutorado na FAU, e vários projetos importantes, sempre voltados à mobilidade e ao homem e seu ambiente. Foi quando encontrou o engenheiro Ricardo Oppi, formado pela FEI - Faculdade de Engenharia Industrial - no curso de mecânica automobilística e restaurador de grande respeito, responsável por muitas restaurações mundo afora, e nasceu uma grande amizade.

O Aruanda havia se perdido no tempo, encostado na oficina de um amigo desapareceu. Décadas depois foi encontrado por um senhor, no interior de São Paulo, que leu uma reportagem na revista Quatro Rodas sobre o Aruanda, e entrou em contato com Ari, devolvendo-lhe. Pouco restava do belo exemplar exposto em Turim, muito teria de ser feito para restaurá-lo à antiga forma, foi aí que entrou o belo trabalho de Ricardo Oppi e sua equipe, trazendo de volta à vida o Aruanda, hoje exposto no museu CARDE em Campos do Jordão.


A RESTAURAÇÃO


Assim chegou o Aruanda ao atelier/oficina do Oppi.

Ari surpervisionando o projeto do restauro com um dos artesões do Oppi.
Na fase de pintura.
"Os faróis foram adquiridos através de um leilão que participei na Bélgica.  São originais do  Citroën  Ami 6 e que foram usados no Aruanda na época." Ricardo Oppi
Ricardo, Ari e equipe de artesãos que restaurou o Aruanda posam felizes ao final da obra.
O Aruanda pronto no atelier/oficina de Ricardo Oppi, al lado Ari conversa com Tony Bianco, na foto de Cláudio Larangeira.
Ari & Tony na foto de Larangeira! 
Ari por Gabriel.




Conheci Ari através de nosso amigo Ricardo há cerca de quinze anos, eles estavam então na restauração do Aruanda, Ari entrando com a memória e Ricardo com sua expertise sobre o assunto. Foi quando vi pela primeira vez de perto o grande “carrinho”, e in loco o carinho e conhecimento com que o restaurador tratava do criador e da criação.

Poderia escrever mil páginas contando as inúmeras horas em que Ari, Ricardo e eu conversamos sobre o Aruanda. Ainda hoje ao celular fiquei sabendo pelo Ricardo que ele encontrou na Itália o farol do Aruanda através de nossa querida amiga Elisa.

Mas, fico por aqui, na memória a saudades dos encontros com o Ari, que lá do alto ele possa aprovar essa modestíssima homenagem que Ricardo e eu fizemos ao querido amigo.


Ricardo, Ari e eu.



À memória do Ari, e aos seus familiares e amigos. 


Rui Amaral Jr





quarta-feira, 5 de agosto de 2026