A VERDADE NÃO SERIA BASTANTE PLAUSÍVEL SE FOSSE FICÇÃO - Richard Bach

terça-feira, 3 de março de 2026

Cultura do Automóvel - Março 2026

 


 

DUCATI


 Quando comecei à guiar, e lá se vão quase sessenta anos, andava muito pelo bairro do Pacaembu, onde morava, e a rapaziada de lá. a maioria com a minha idade fazia loucuras mil com as pequenas motos, as cinquentinhas, com um metro e noventa e magro pesando 85 quilos nunca me aventurei em uma delas. Mas, nas nossas conversas naquele postinho, que até hoje lá está, um nome era sempre reverenciado; Ducati 350 Desmo.

Fui aprender à pilotar motos alguns anos depois, talvez aos 17, quando chegou à nossa casa em Campos do Jordão um parente com uma Yamaha 200. Já conhecia os comandos, sentei na moto, coloquei minha namorada na garupa, e lá fomos nós até o Horto Florestal, cerca de quinze quilômetros à frente. Na volta já sabia, queria uma moto a todo custo, foi paixão à primeira volta, aliás duas, já que tinha uma pela então namorada.

A primeira moto que andei muito foi uma Honda 450, a bicilíndrica, depois um parente comprou uma Honda 500 Four, e lá fui eu comprar uma igual. Andei bastante com ela, tenho até hoje uma marca que seu escapamento deixou no tornozelo. Certa vez em minha conhecida Via Dutra levei um grande susto com ela, vinha talvez à uns 130/140 kmh quando o trânsito parou à minha frente, freei e ela saiu de traseira, não sei se erro meu, ou da moto, que era muito confortável, um pouco molenga de suspensão. Era uma boa moto, mas nunca foi uma paixão, assim como nunca tive por nenhuma Honda. 


Expedito



Ainda pensava na 350 Desmo, mas comprei uma BMW R60, e a paixão pela marca dura até hoje. Lendo a revista do Gabriel lembrei de seu pai que certa vez em Interlagos me pediu para dar uma volta com a minha R60. Dos boxes alguém me cutucou pedindo que olhasse para o Retão, e lá vinha meu amigo, totalmente maluco, de pé no selim com os braços abertos, e provavelmente com um sorriso no rosto, Retão abaixo. 

Um dia descobri uma 350 Desmo para vender, e lá fui eu montado na R60, para comprá-la. 


O Veglia marcando 9.000 rpm dava vontade de acelerar!



Vermelha, linda, invocada, lá estava ela … Acontece que as motos inglesas e as italianas tinham os comandos de marchas e freio traseiro ao contrário das demais. Já havia pilotado uma AJS com motor 500cc da Norton Manx assim, mas era muito complicado, até porque usava constantemente a R60, e ia usar a 350 Desmo de quando em vez, apenas para acelerar muito, desisti. 

Vendo na revista o Expedito tocando uma em corrida de rua, me veio essa lembrança, e a lembrança e saudades do amigo fabuloso. 


Abraços


Rui Amaral Jr





sábado, 21 de fevereiro de 2026

Coisas do Ricardo ...

No diorama Ricardo e o bug, como na foto abaixo!


 

Comecinho da década de 1970 Ricardo entra na FEI - Faculdade de Engenharia industrial -, em sua primeira conversa com o mestre Rigoberto Soler, este lhe pergunta seu objetivo ao entrar na FEI ao que Ricardo responde “construir um carro”, ao que Soler retruca “estude cinco anos aí …” .Ricardo vai para casa e imediatamente começa o projeto e a construção de seu primeiro carro, para o total desespero de sua mãe Dona Isabel e seu pai João Bock. “Seu” João era meteorologista com formação militar na FAB e depois com cursos no Panamá e nos EUA, e digo modestamente o Papa deles, Dona Isabel professora.

E foi naquela casa, perto do Aeroporto de Congonhas, onde Dona Isabel mora até hoje, que vi duas criações de meu amigo, o bugue, e a réplica em madeira balsa da Lancia/Ferrari D50, a soberba criação de Vittorio Jano que deu a Fangio seu quarto título mundial. Talvez uma premonição do que Ricardo viria a fazer, em seus carros, e depois como professor da FEI, em suas inúmeras criações com seus alunos. 

Do bugue pouco me lembro, ontem conversamos longamente sobre. Mas da réplica lembro bem de nossas longas conversas sobre ela, desde o dia que ele me mostrou a réplica dos carburadores, no ano passado, que vocês verão nas fotos. Na réplica Ricardo contou com a colaboração, paciência e dedicação da querida Vera, casados há mais de quatro décadas, é ela quem dá o “suporte técnico” para as loucu… Ops… Obras dele. 

Nas fotos o diorama feito por ele e fotos diversas da etapa de construção. 


O diorama.




O bugue.


“Comprei os pneus traseiros do Camilo Christofaro, aro e tala de quinze polegadas. As rodas foram feitas no bairro de Santana, com o Christo Veloso, da Big Tala, que montava triciclos. Depois, foram cromadas na Rua São José no Butantã.

O chassi comprei zero do piloto Jean Dufaux. Cortei o chassi reduzindo em trinta centímetros a distância entre eixos, e a bitola em dez centímetros, trabalho feito pelo Miro e o Alfredo. Do feixe de molas, da barra de torção traseira, tirei metade delas, já que o bugue ficaria bem mais leve que um VW. 

A fibra e a resina comprei na Gassplac, e era muito cara, onde aprendi a usar com o sr João.

Troquei o óleo dos amortecedores por um mais fino, assim como na barra de torção, para se adequar ao peso menor do bugue. 

Os discos e pinças de freio usei os do Corcel, desenhei a peça, e quem confeccionou para mim foi o senhor Ângelo, da ENVEMO. Foram as primeiras feitas no Brasil. A suspensão dianteira mantive a do VW sedan.

  O motor; Comprei parte na oficina do Canguru, onde era amigo dos mecânicos, entre eles Guilherme e o Chacão. Tinha válvulas de admissão de 40 e 37 de escape, a bobina era a Azul da Bosch, usava gasolina comum, o comando de válvulas era um Puma P2. Poli e cromei todas as peças expostas do motor, para isso contei com a ajuda de meu primo Reinaldo e o Léo.


Desenhei todo projeto na parede da garagem da casa de minha mãe, em algumas telas de Eucatex e madeira, compradas por meu avô. O portão antigo cobri com jornal e cola, como é feito nos aviões ( gope ) para a minha privacidade.


Ricardo”


Fotos da construção.



























 

 Tempos atrás o Ricardo soube com quem estava o bugue, caso alguém saiba onde encontrá-lo por favor avise.


Aos queridos Vera e Ricardo.


Abraços a todos.


Rui Amaral Jr




 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Dale Earnhardt

 


O fabuloso automobilismo dos EUA.


 


Um carro de corrida, uma carreta, algumas ferramentas, mecânico, talvez um amigo, tudo puxado pelo automóvel do dia à dia. E... Uma, ou mais, centenas de corridas realizadas em centenas de pistas todos finais de semana, várias categorias, poucas monomarca, e com pouca representatividade. Inscrições a baixo custo, e, o mais importante, prêmios de largada e chegada, tudo pago na hora em dinheiro ou cheque. Assim é o automobilismo norte americano para o iniciante.


E Dale escolheu a Stock Cars, que mais tarde mudaria o titulo, mas não a formula que deu tanto certo. Várias montadoras brigando, carros brigando o tempo todo, muitos patrocinadores, prêmios altos e, muito, mas muito publico.


   

Filho de um campeão dos primórdios da categoria, quando Daytona ainda era corrida na areia da praia, Dale batalhou muito na categoria até às principais corridas, aí sim a Stock Cars ou a atual NASCAR Cup Series.


Carro na carreta e muitas corridas por ano, ovais curtos, longos, de terra e circuitos mistos. Sempre mostrando muita competitividade e principalmente agressividade. Ficou conhecido como "The Intimidator" (O Intimidador), foram muitos toques de todas as formas, muitos acidentes e confusões com outros pilotos, quase quarenta corridas por ano, até que em 1975 chegou à categoria principal.


Foto: NASCAR


Sua primeira vitória veio apenas no ano de 1979 e logo no ano seguinte seu primeiro campeonato.


Venceu 79 corridas das 676 em que participou nos 26 anos na categoria, 7 campeonatos, teve muitos acidentes espetaculares, como sempre na categoria.


Assisti na Prime Vídeo a série que conta sua vida, imperdível para quem gosta  de automobilismo.


Muitas cenas do vídeo são imperdíveis;


Ele já campeão, com muitas vitórias e rico, fazendo o banco de seu carro. Um banco comum de carro de rua que ele rebita na lateral algumas placas de alumínio para segurar, coisa de carro de estreantes e novatos! Ele claramente pilotava com as cintas dos ombros soltas, já que muitas vezes olhava pela janela lateral do carro.


E outra; quando afinal ele vence a icônica 500 Milhas de Daytona de 1998, depois de mais de vinte anos de tentativas, com batidas na ponta, quebras em primeiro e alguns acidentes. Todos membros da outras equipes, pilotos, suas mulheres, chefe e mecânicos, vão para quela faixa em asfalto, do outro lado dos boxes, e Dale passa devagar tocando a mão de cada um. Fantástico!


500 Milhas de Daytona de 2001 - Depois de mais de trinta anos de carreira vem "The Intimidator" buscando mais uma vitória, num enrosco acerta o muro lateral de frente, provavelmente aquele banco, e o cinto solto na parte superior...


Foto:LAT Images - Daytona 2001 - Depois o toque o muro ...


Morreu como viveu, brigando pela ponta, deve ter subido feliz. 



Rui Amaral Jr


Prime Vídeo

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You Tube

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