A VERDADE NÃO SERIA BASTANTE PLAUSÍVEL SE FOSSE FICÇÃO - Richard Bach

quinta-feira, 30 de abril de 2020

MATRA SPORTS



MATRA
Sociêté Anonime des Engins Matra

 Empresa francesa de tecnologia de ponta, que na década de 1960 fabricava desde mísseis, armamentos, satélites, circuitos integrados até berços de crianças!
Exageros a parte, de minha parte logicamente, a Matra como se vê fornecia principalmente para governos, porém de sua linha extensa de produtos saiam muitos que interessavam também à iniciativa privada. 
 
Talvez para agradar o governo francês, ou consolidar e propagar sua marca, em meados da década de 1960 compra a René Bonnet, tradicional fabricante francês de carros de corridas de baixa cilindrada e com ela funda a Matra Sports, convida Jean-luc Legardière para dirigi-la, daí percebe-se as intenções dela.

Antes de assumir a Rennè Bonnet a Matra ajudou à desenvolver e vendia o Djet, através de sua trading company, um pequeno esportivo. Já com a Matra Sports eles revitalizam o carro, e participam de vários campeonatos de carros esporte com o pequeno motor de 1.109cc, é com um deles que Jean Pierre Beitoise dá uma séria panca nas 12 Horas de Reims, quando bateu à cerca de 250km/h. 

Mans 1963 - Beltoise/Bobrowski. 

Com o René Bonnet Aérodjet LM6 - Renault L4 1108 cc, Beltoise  venceu com  Claude Bobrowski o índice energético das 24 Horas de Mans em 1963. 
Beltoise era cotado para integrar a recém formada equipe de F. Três da Matra, mas sua longa convalescênça, devido ao acidente em Reims, obrigou a equipe à trazer Jean-Pierre Jaussaud e Eric Offenstad, mais tarde, depois da recuperação Beltoise voltou á equipe.

Formula Três, vitória em Mônaco

Beltoise volta, e entre tantas vitórias na Formula Três venceu o campeonato Francês de 1965, a preliminar do GP de Monaco e o Torneio Argentino em 1966. Na Formula Dois, foi campeão europeu em 1968.   

Formula Dois

A intenção da Matra era formar pilotos franceses para as grandes categorias, Maurice Trintgnant já estava em fim de carreira e Guy Ligier não decolava como piloto.

Venceram muito na Formula Três e Dois, revelaram grandes pilotos, Jacky Ickx, Johnny Servos-Gavin,  Jo Schlesser, Piers Courage, François Cevert...nestas categorias não corriam com motor próprio, usavam Ford Cosworth, BRM, Alfa Romeo e outros.

Nurburgring 1967 - Clark, Hulme, Ickx e Gurney.
Ickx voa...
...até quebrar.
Nurburgring 1967, GP da Alemanha, Jacky Ickx com uma Matra MS7 da Formula dois larga em terceiro, tá certo que longos dez segundos do pole Jim Clark, mas atrás apenas dele e de Denny Hulme com Brabham B24, e à frente de Dan Gurney de Eagle T1C e mais treze carros da F.Um. 
Uma suspensão quebrada tirou Ickx da corrida na décima segunda volta.

FORMULA UM
Na Formula Um e Protótipos os sonhos são maiores. 


Em 1967 fica pronto o primeiro motor, o MS9, uma joia de alta tecnologia, 12 cilindros em V, duplo comando de válvulas em cada bancada, acionados por engrenagens, quatro válvulas por cilindro, e muito material de ponta em sua construção. Apesar de mais potente que o Ford Cosworth DFV, é mais pesado e consome muito mais.

Em Kyalami Stewart ainda usa o motor Matra.

1968 contratam Ken Tyrrel e sua equipe para Formula Um.
Ken traz um jovem talento, Jackie Stewart, para correr junto com Beltoise. Na primeira corrida do campeonato Ken percebe que o motor MS9 não é competitivo, e apesar de Beltoise continuar a usá-lo, instala no carro de Stewart o Cosworth e com ele chegam em segundo no campeonato, atrás de Hill. Tendo Stewart alcançado a primeira vitória dele e da equipe em Zandvoort.

Zandwoort 1968, já com o Cosworth DFV.

Em 1969 Ken, Stewart e Matra, correm com o DFV, Beltoise usa o motor Matra...bem o resultado disto nós já sabemos.

1970 a Matra monta sua equipe e Tyrrel & Stewart seguem outro rumo, levando François Cevert. 
Os pilotos são Beltoise e Pescarolo, e o motor é o novo MS12. 
Beltoise faz dois terceiros lugares e 16 pontos, Pescarolo apenas parcos oito pontos, quatro de um terceiro em Mônaco.

Pescarolo em Mônaco.
Beltoise em Clermont-Ferran.

1971 chega para dividir a equipe com Beltoise o neozelandês Christopher Arthur “Chris” Amon. E chega também um novo motor, o MS72, mais potente, e com um urro de arrepiar!
Nos dois anos em que Chris ficou na equipe fez algumas poles, grandes corridas, porém não venceu, tendo como melhores resultados dois terceiros lugares, e uma vitória na prova extra oficial de Buenos Aires. 
A equipe se retira da Formula Um, no final de 72.

 Duas fotos de Amon vencendo o GP da Argentina que homologou a pista para F. Um.


Acima Amon em Clermont -Ferran, abaixo em Monza.


   

ESPORTE PROTÓTIPOS-A JOIA DA COROA

Acredito que a primeira vitoria com alguma relevância veio nos 1.000 KM de Buenos Aires de 1970, prova de um torneio não válido para o mundial, com alguns Porches  908/2, inclusive o pilotado por Jochen Rindt/Alex Soler Roig segundo colocado. Lolas, Alfa Romeo T33...
Beltoise e Pescarolo vencem com Matra-Simca MS630/650, com o beberão e pouco confiável motor MS9, após largarem na pole.

Beltoise larga na Argentina 1970.
Pescarolo assume.

1970/71 ninguém vencia os Porsche 917, porém a partir de 1972 a categoria se limitou a motores de 3.000cc.
Ainda em 72 a Ferrari vence o campeonato com a 312P, então...

Hill/Pescarolo vencem...

Já com o motor MS12 aperfeiçoado vão para Le Mans 1972 com quatro carros. David Hobbs/Jabouille e Jean-Pierre Jabouille/François com o MS660C. Graham Hil/Pescarolo, François Cevert/Howden Ganley, Jean-Pierre Beltoise/Chris Amon, foram com o MS670.
E veio nas mãos de Hil e Pescarollo a primeira vitoria da equipe em Le Mans, com Cevert e Ganley em segundo!

1973/74 ganharam muito!

Foram bi-campeões do Campeonato Mundial de Resistência, venceram em 71 em Watiks Glem,  Valelunga, Spa, Le Mans, Monza, Zeltveg muitas vezes fazendo primeiro e segundo.
Em 73 venceram novamente o campeonato. 
Vencem em Le Mans, Vallelunga, Dijon, Zeltweg, Le Mane e Watkins Glen,  sempre num duelo de “cachorro grande” com as 312P da casa de Maranello.

1973

Cevert recebe a bandeirada em Valelunga, depois de assumir o carro pilotado por Pescarolo/Larrousse.
Dijon- Pescarolo/Larrousse
 Le Mans Pescarolo/Larroussse

1974
Le Mans - Larrousse/Pescarolo.
Watkins Glen - Larrousse/Pescarollo. A derradeira corrida, a derradeira vitória...

1974  - Depois do bi campeonato a Matra Spotrs encerra sua participação nas pistas, creio que com seus objetivos alcançados. 
Fez história!



Rui Amaral Jr

NT: De forma alguma sou um historiador, deixo esta atividade para meus amigos Caranguejo – Carlos Henrique Mércio – meu sócio no Histórias e Carlos de Paula.
Sou um contador de histórias. Uso a memória e vou procurando em livros e sites confiáveis o que lembro, então qualquer imperfeição no texto, por favor, leve em consideração a forma com que escrevo.
Outro detalhe, meu avô por parte de mãe era filho de franceses, fui casado com uma francesa que me abençoou com um filho franco brasileiro. Por conseqüência conheço um pouco da história deste povo. 
Talvez eu tenha mil fotos, aqui no Histórias, da Matra, me perdoem se escolhi algumas poucas para este post. 
Agradeço ao super confiável Racing Sports Cars (link) por algumas fotos e pesquisa.
E ao Caranguejo, pois havia esquecido alguns detalhes.
    
Abraços Rui.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Ferrari 156 - Shark Nose

Phil Hill
Carlo Chiti e equipe observam sua criação.


Criada para Formula Dois de um litro e meio – 1,500cc – a Shark Nose como conhecemos a bela Ferrari 156 ( 1,5=cilindrada, 6= nº de cilindros ) , foi utilizada no novo regulamento da Formula Um, à partir de 1961, que usaria motores desta cilindrada. Foi o primeiro carro da equipe com motor traseiro entre eixos.
Seu motor proporcionava um baixo centro de gravidade, era de tocada suave e principalmente o primeiro feito para a nova regulamentação da categoria. Seu chassi tubular já vinha na contramão dos projetos de então, vide Lotus, mas o conjunto bem acertado levou a Ferrari à vencer cinco das oito corridas do Mundial de Formula Um de 1961, em Spa fez os quatro primeiros, sagrando Phill Hill campeão numa acirrada disputa com Von Tripps, que infelizmente pereceu na corrida de Monza.
Em 1962 o carro foi um fracasso, e a história conta que descontente Il Comendatore mandou destruir os carros a machadadas!
Foi o último trabalho de Carlo Chiti e equipe para casa de Maranello, sendo ele e outros dispensados numa confusão digna de uma famiglia italiana. Aliás, o Caranguejo – Carlos Henrique Mércio – nos conta sobre em um de nossos posts.  

Foto Ferrari, corrida extra campeonato....
Von Trips
Hill
Ricardo Rodriguez
Olivier Gendebiem 
Von Trips
Richie Ginther
Giancarlo Baghetti
Wily Mairesse
Nesta foto de Willy Mairesse na frente parece um vidro maior atrás do parabrisa. 


Spa 1961
link


Largada Monza, von Trips na pole e Ricardo Rodriguez ao seu lado. 
Von Trips era o agora da Ferrari, pereceu na primeira volta da corrida, Ricardo o futuro...


Von Trips


Von Trips, Laura Ferrari e Phil Hill
A MULHER DE SATURNO
Texto Caranguejo - Carlos Henrique Mércio


O CARRO
As informações técnicas do carro tirei do site da Ferrari. Porém examinando detidamente este raio x, notei que na dianteira, à frente do radiador onde existem dois tubos, um segura o radiador e no outro me parece claramente uma barra estabilizadora, não citada pela Ferrari.
  
PS: Ainda sobre a barra estabilizadora; procurando em meus arquivos encontrei esta foto que mostra claramente que na suspensão traseira também havia uma barra estabilizadora. Vou corrigir nas especificações técnicas. Valeu Leone.


Motor
Posterior, longitudinal, 6V 120°
Diâmetro x Curso 73 x 58.8 mm
Cilindrada unitária 246.10 cm3
Cilindrada 1476.60 cm3
Taxa de compressão 9.8 : 1
Potencia máximas 190 CV a 9500 giros/min
Potencia especifica  129 CV/litro
Dois comandos de válvulas por cabeçote, 2 válvulas por cilindro
Alimentação 2 carburadores Weber 40 IF3C triplos
Lubrificação por cárter seco
Frição Multidisco


Chassi tubular em aço
Suspensão dianteira independente, com  quadriláteros (triângulos) transversais, molas helicoidais e amortecedores telescópicos e barra estabilizadora.
Suspensão traseira independente, quadrilátero (triângulos) transversal, molas helicoidais, amortecedores telescópicos e barra estabilizadora.
Freios a disco nas quatro rodas.
Cambio cinco marchas + ré
Caixa de direção pinhão e cremalheira
Reservatório de combustível 150 litros
Pneus dianteiros 5.00 x 15
Pneus traseiros 6.00 x 15


Rui Amaral Jr

Fotos: Ferrari e arquivos

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Torneio BUA de Formula Ford-1970 Brasil, por Ronaldo Nazar.



 Em fevereiro de 1970 , foi disputado em nosso país o torneio internacional BUA de Fórmula Ford. Aproveitando a excelente temporada que nossos pilotos fizeram na Europa em 1969 , com Emerson Fittipaldi que ganhou o campeonato inglês de fórmula 3 , que foi uma verdadeira conquista , já que JAMAIS um piloto brasileiro tinha conseguido tal feito. E de quebra Luiz Pereira Bueno foi vice campeão do torneio inglês de fórmula Ford . Com esse "BOOM" , o automobilismo brasileiro passou a ganhar as manchetes dos principais meios de comunicação do país , e os dirigentes tiveram a coragem de trazer a Fórmula Ford para o Brasil , com os principais pilotos estrangeiros da categoria. 

Interlagos, prova final. Notem as arquibancadas "abarrotadas"... Na primeira fila a partir da direita , Emerson Fittipaldi na pole. Ao seu lado o inglês Ray Allen. Fechando a primeira fila , Wilson Fittipaldi. Na segunda fila com o 4º tempo Luiz Pereira Bueno, Ian Ashley . Na terceira fila , Chico Lameirão, Norman Casari, Peter Hull.

Ray Allen, Ian Ashley, Tom Walkinshaw, sim ele mesmo , alguns vão lembrar dele como team manager do Silk Cult Jaguar , WEC onde Raul Boesel foi campeão mundial em 1987, ou da equipe TWR de F1, Vern Schuppan, Tom Belso. Até duas mulheres vieram representando o popular na época "sexo frágil", Gabrielle Konig e Liane Engeman. Bom do lado brasileiro para enfrentar os GRINGOS , tínhamos um time de respeito. A começar pelos campeão e vice da fórmula 3 e Fórmula Ford, Emerson Fittipaldi e Luiz Pereira Bueno. Ricardo Achcar que tb tinha feito temporada de F Ford e tinha até vencido corridas, era outro nome bem cotado. Além deles , Wilson Fittipaldi , Marivaldo Fernandes, Francisco Lameirão , Norman Casari e Milton Amaral. 

Luizinho Pereira Bueno , largando na pole na prova inaugural no Rio de Janeiro. Ganhou a 1ª bateria, com Emerson Fittipaldi em 2º. Depois quebrou na 2ª bateria e Emerson venceu a bateria e a corrida.
Primeira fila da 3ª etapa no Rio de Janeiro. Luiz Pereira Bueno com o nº 11 é o pole. Emerson Fittipaldi com a Lotus nº 1 tem o 2º tempo. Ray Allen com o Merlyn 10 é o 3º. Luizinho Pereira Bueno e Emerson Fittipaldi fizeram 2 dobradinhas na temporada. Dá-lhe Brasillllll.
Luiz Pereira Bueno dando entrevista após a vitória na penúltima prova no Rio de Janeiro. Notem atrás do comissário com a bandeira quadriculada na mão, Luis Antonio Greco , grande chefe de equipe que estava no comando da equipe de Luizinho.
Grande pega da 2ª bateria no Rio. Luizinho e Ray Allen, com vantagem para o brasileiro.
Emerson Fittipaldi e sua Lotus .. Grandes campeões do Torneio BUA.

O torneio teve um total de 5 provas, com o Rio de Janeiro inaugurando a temporada , e para satisfação geral, Emerson Fittipaldi foi o vencedor. Ao final das 5 etapas , Emerson Fittipaldi foi o grande campeão com 3 vitórias. O inglês Ian Ashley foi o vice campeão com uma vitória na prova de Curitiba. De todas as provas os GRINGOS só venceram a prova de Curitiba, a outra etapa que tb foi no Rio de Janeiro teve outro brasileiro vencendo , Luizinho Pereira Bueno. Enfim 1970, prometia ser um ano "daqueles" para o automobilismo brasileiro , e que iria se confirmar amplamente no decorrer desse ano maravilhoso. Direto do túnel do tempo , há 50 anos. Aqui o automobilismo brazuca não é esquecido... Foram esses GRANDES pilotos que plantaram a "semente" para que viessem os Piquet, Senna, Barrichello, Massa e afins.........a invasão seria grande no planeta.... Dá-lhe pilotos brasileiros.

Ronaldo Nazar

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 Cerca de uma hora atrás o Ronaldão postou no Facebook este texto me fotos, liguei na hora...
Rui- Ronaldão, tudo bem?
Ronaldo-Fala menino!
-Sõnia, Pandora e você estão bem? 
( daí uns 10 minutos conversando da situação atual que nos encontramos)
Rui-Posso postar seu texto e fotos no Histórias?
Ronaldo-Masss claro!

 Tá certo, o papo não foi só este, rolou como sempre muita bobagem.

 Neste torneio alguns amigos correram e se destacaram, Luiz, Ricardo Achcar, Chico Lameirão.
Mas tomo aqui a liberdade para reverenciar dois seres incríveis, dois amigos queridos, Luiz Pereira Bueno e Ronaldão Nazar. Ronaldo foi muito próximo ao final da vida do Campeão, um dia se ele me permitir eu conto.

A vocês amigos queridos, Sônia, Pandora e Ronaldão um beijão no coração!


Valeu Mulekeeeeeeeeeee!

Rui Amaral Jr

Pandora tomando conta da poltrona! Só minha amiga Sônia para aguentar ela e Ronaldão!