A VERDADE NÃO SERIA BASTANTE PLAUSÍVEL SE FOSSE FICÇÃO - Richard Bach

quarta-feira, 5 de maio de 2010

CHEIRO DE CANO DE ESCAPE - Germano Schlögl - II


Ontem ao receber um comentário na postagem original de um neto de Germano resolvi mostrar mais uma vez a bela carreira dele e o exelente texto de meu amigo Ari Moro. Do Ari tenho muitas matérias a mostrar ainda e deixo a ele meu forte abraço.


Por incrível que pareça um jornal feito com tanta dedicação e carinho não teve continuidade , ainda bem que o Ari me enviou alguns exemplares e assim posso mostrar a história das carreteiras contadas por este fantástico jornalista . Tenho como companheiras nesta serie de postagens Graziela Marques da Rocha e Elisa Asinelli do Nascimento .
Hoje Ari escreve sobre o piloto Germano Schlögl


" Germano Schlölgl . Catarinense de São Bento do Sul , nascido em 16 de Fevereiro de 1924 , que veio marcar - em São José dos Pinhais/PR , no Paraná e no Brasil - o seu nome com letras destacadas , traduzidas em vitórias , dedicação à profissão ( ele mesmo organizava seu álbum de recordações ) , preparo de motores , velocidade , poeira , gasolina e barulho , no desenvolvimento do automobilismo de competição nacional . Piloto de carreteira por demais popular , ídolo dos amantes da velocidade de sua cidade , foi surpreendido por um gesto de solidariedade por parte de seus fans , quando participava de sua última corrida - Grande Prêmio Cidade de São José dos Pinhais - em Junho de 1961 : Germano pilotava o carro de nº 19 o qual , em determinado momento da prova teve um pneu furado . Os torcedores , na ânsia de ajudar seu ídolo , saíram correndo , ergueram o carro com as próprias mãos e ficaram sustentando no ar , até que Germano completasse a troca da roda e pudesse voltar à corrida ( há fotografia publicada em jornal da época documentando o fato ) . Graças a esse gesto de seus admiradores , Germano não só completou , mas venceu a competição . Isto aconteceu na Vila Palmira , onde hoje uma rua , cuja poeira foi levantada pelas rodas da carreteira 19 em suas derrapadas , leva o nome do piloto .
Como tantos outros pilotos de carreteira , de destaque , Germano teve uma curta vida profissional , competindo ao longo de apenas 6 anos e falecendo tragicamente aos 37 anos , por demais jovem . Mas , nesse curto espaço de tempo ele fez muito . Foi , entre outras coisas , um dos primeiros pilotos paranaenses a participar da corrida de carros mais famosa do Brasil , a Mil Milhas Brasileiras , na pista de Interlagos em São Paulo/SP . Sim ele esteve presente a I Mil Milhas e , obteve um destacado quarto lugar .

Rose Schlögl - filha de Germano - lembra com saudade de seu pai e diz :" Naquela época , o automobilismo de competição era diferente . Na oficina de meu pai , em São José dos Pinhais , parecia que havia uma festa quando ele estava preparando o carro para correr . Todo mundo ia lá querendo saber o que ele estava fazendo . Minha mãe , tinha que preparar comida para toda aquela gente . Era uma grande demonstração de companheirismo ."


Germano se interessou pelo automobilismo de competição tão logo começou a trabalhar como funileiro e mecânico . numa oficina de São José dos Pinhais , vindo de São Bento do Sul . Logo preparou , em 1954 , um Ford 1946 , de 4 portas e cor preta , ao qual deu o numero de sua afeição - 42 - com o qual participou de corrida no Circuito de Tarumã - onde hoje está o Colégio Militar , em Curitiba , no dia 27 de Junho , obtendo o quarto lugar e , seu primeiro trofeu , uma medalha de bronze . Um "gentleman " , sabem como ele compareceu trajado a essa primeira corrida ? De terno e gravata , fato documentado fotograficamente ! Já em 8 de Agosto daquele mesmo ano Germano em sua segunda participação em corridas , com o mesmo carro , vencia prova no mesmo circuito , recebendo o troféu " Anfrísio F. Siqueira " , numa demonstração de que ele estava se aprimorando no preparo e na condução do veículo de competição .

Mas , foi na antiga estrada Curitiba/Ponta Grossa/PR , nas famosas e inesqueciveis corridas ali promovidas pelo jornal Paraná Esportivo , da capital paranaense ( sim , acreditem , hove tempo - que saudade - em que órgãos de comunicação se interessavam pelo automobilismo de competição local ) contribuindo para o surgimento e glória de muitos pilotos , que Germano se destacou . Na sua terceira participação em corridas , no dia 29 de Maio de 1955 , agora pilotando um Ford cupê 1949 com o nº 42 , totalmente original enfrentou as " feras " da época e obteve o primeiro lugar na categoria Turismo . Era total de 280 KM , ida e volta a Ponta Grossa , passando por Campo Comprido , Campo Largo , serra de São Luiz de Purunã , Palmeira e outras localidades .Em 11 de Setembro de 1955 em sua quarta prova , Germano participou com o Ford 1949 , do Circuito Passeio Público , em Curitiba , conquistando o primeiro lugar na categoria Turismo . No Circuito São José dos Pinhais , em 18 de Dezembro daquele mesmo ano , em sua quinta corrida , ainda com o mesmo carro , sem nenhum preparo , obteve novamente o primeiro lugar naquela categoria , recebendo taça , medalha de volta mais rápida e medalha de honra , esta ofertada pelo Bar Florida . Pasmem , até bar , naquela época , oferecia troféu aos pilotos !! A corrida tinha largada na área central de São José dos Pinhais e ia em direção de Curitiba pela rua Marechal Floriano Peixoto , quando esta não tinha pavimentação asfaltica . Ainda neste ano o jornal Paraná Esportivo destacava o nome de Germano Schlögl como um dos "Maiores do Automomobilismo " paranaense pela conquista de quatro " triunfos magníficos ".

As pedras , os buracos e a poeira da estrada Curitiba/Ponta Grossa viram Germano conquistar , no dia 15 de Setembro de 1956 , o titulo de Bi-Campeão na categoria Turismo , na terceira prova promovida pelo Paraná Esportivo , competindo com seu Ford cupê 1949 , com o nº 42 .Nesta estrada , com mais de " trocentas " curvas , o piloto conseguiu manter a média de 105 km/h ( vejam bem , tratava-se de carro original , categoria Turismo )

Glória nas Mil Milhas

No entanto , a maior glória na vida de piloto de Germano estava reservada para acontecer na mais importante competição automobilistica da América do Sul - a Mil Milhas Brasileiras , organizada por Wilson Fittipaldi ( pai de Emerson e Wilsinho ) , da Rádio Panamericana e Eloi Gogliano , presidente do Centauro Moto Clube , de São Paulo - justamente na primeira edição da prova , nos dias 24/25 de Novembro de 1956 , na pista de Interlagos/SP . Imaginem a emoção dele , saindo de São José dos Pinhais para participar em parceria co Euclides Bastos , o popular piloto Curutibano conhecido pelo apelido de " Perereca " , cuja vida profissional pretendemos relatar brevemente , , de uma competição dessas , lado a lado com os maiores "cobras" do automobilismo Brasileiro , oriundos principalmente do Rio Grande do Sul e de São Paulo . Era demais , certamente , ainda mais que seria a primeira competição desse nivel no país .
Pois bem , Germano e Perereca mostraram que , se os Gaúchos tinham chimarrão na cuia e , os Paulistas café no bule , o Paraná tinha agua fervendo para esquentar os dois . Competiram eles com a carreteira Ford nº 86 , pertencente a Perereca , enfrentando 36 carros entre os mais bem preparados do país e , classificaram-se em quarto lugar , de acordo com o resultado oficial , o qual foi contestado , pois , reivindicou-se o segundo lugar para a dupla Paranaense . A corrida começou às 20,30 horas do dia 24 e só terminou quando o primeiro carro completou 201 voltas pelo circuito de Interlagos o qual na época tinha cerca de 8 kilometros . Isto significa que a competição só terminava após às 12,00 horas do dia seguinte , obrigando carros e pilotos a sofrer um tremendo desgaste .
De qualquer maneira , mesmo com a classificação de quarto lugar , o fato foi considerado uma conquista importantíssima para o automobilismo Paranaense , mostrando que aqui também tinha gente do ramo , que sabia preparar e dirigir bem uma carreteira . E tinha mesmo . Para se ter uma idéia do tamanho da façanha , basta dizer que , quem venceu essa primeira Mil Milhas foi a dupla mais infernal da história das corridas de carreteira , ou seja , os Gauchos Catarino Andreata e Breno Fornari , com uma carreteira Ford número 2 , perfazendo 201 voltas em 16 hras 16 minutos e 2 segundos . Em segundo lugar a dupla Paulista Eugênio Martins Christian Heins com o Volkswagem número 18 - é aquele fuquinho de duas janelas atrás sim e , achamos que era um 1.200 cc - com 197 voltas ; em terceiro Aristides Bertuol e Waldir Rebeschini , do Rio Grande do Sul , com a carreteira Chevrolet número 4 , com 192 voltas . Observem que , o número de voltas de Germano/Perereca foi igual ao de Bertuol/Rebeschini e apenas a 9 voltas do ponteiro . Bonito!!!
A repercussão dessa conquista foi tamanha que , no seu regresso a Curitiba - naquela época as Mil Milhas era transmitida pelo rádio , acreditem - Germano e Perereca foram recebidos pela população em festa , foram notícia em jornais deram entrevistas em rádios , saíram com a carreteira em passeata pelas ruas centrais da capital , levando gente nela pendurada e segurando bandeiras do Paraná e do Brasil , alem de " corbelles " ( como eram bacanas naquele tempos ) , seguidos por uma caravana de carros , fans , foguetório e tudo mais a que tinham direito . A carreata seguiu pela Av. Cândido de Abreu até o Palacio Iguaçu , onde sabem quem aguardava os pilotos heróis ? Nada menos que o Governador do Estado , Moisés Lupion ! Germano e Perereca foram recebidos pelo Governador e assessores , em pleno saguão do Palácio . Era a glória máxima para os dois pilotos , que posaram para fotografia , segurando os troféus ganhos nas Mil Milhas , ao lado do Chefe do Executivo estadual . Podem crer , naquele tempo até o Governador do Estado prestigiava o automobilismo . Germano foi ainda mais homenageado quando chegou a São José dos Pinhais , sendo levado em sua carreteira a escolas - sempre presente as bandeiras do Brasil e do Paraná - onde foi alvo do carinho de toda população . Germano foi eleito pelo jornal Paraná Esportivo , ainda neste ano de 1956 , o Melhor Automobilista do Paraná .
Provavelmente motivado por aquele extraordinário feito , no ano seguinte , em 1957 , participando pela oitava vez de uma competição , Germano estava novamente presente em Saõ Paulo , agora na II Mil Milhas Brasileiras disputada nos dias 23/24 de Novembro , na pista de Interlagos , colocando sua carreteira ao lado de 43 carros . Desta vez no entanto , primeiro teve quebrado o cubo de uma roda dianteira e , depois rachado o tanque de combustivel de seu carro , mas , mesmo assim conseguiu o decimo primeiro lugar na classificação geral . A prova foi vencida pela dupla Aristides Bertuol/Orlando Menegaz , de Bento Gonçalves/RS , com a carreteira Chevrolet número 4 perfazendo 200 voltas . Em segundo ficaram Catarino Andreata/Diogo Luiz Ellwanger , de Porto Alegre/RS , com a carreteira Ford número 2 , perfazendo 199 voltas , em terceiro Julio Andreata( irmão de Catarino )/Dirceu de Oliveira , de Porto Alegre/RS , com a carreteira Ford número 6 , perfazendo 197 voltas .Nos dias 22/23 de Novembro de 1958 ( em sua nova participação em corridas ) , lá estava Germano de novo para disputar a III Mil Milhas Brasileiras , com a carreteira Ford número 52 , em parceria com João Buso , irmão de outro piloto de carreteira Curitibano Paulo Buso . Desta feita , a dupla Curitibana classificou-se em décimo lugar , perfazendo 165 voltas . A prova foi vencida novamente por Catarino Andreata/Breno Fornari com a carreteira Ford número 2 , do Rio Grande do Sul ,perfazendo 201 voltas em 15 horas , 39 minutos e 27 segundos . Em segundo lugar aparecia um dos mais famosos pilotos Brasileiros de todos os tempos , o qual participou de muitas provas em Curitiba , Francisci Landi em parceria com José Gimenez Lopes , de São Paulo , com a carreteira Chevrolet número 82 , virando 193 voltas ,em terceiro Antonio Versa/Francisco Guzzardi , de São Paulo , com a carreteira Chevrolet número 78 , com 187 voltas . Outra dupla paranaense que destacou-se nessa prova foi formada pelos irmãos José e Osvaldo Cury , de Curitiba , que ficou em sexto com a carreteira Cadillac número 64 , perfazendo 180 voltas , num excelente resultado .
A quinta Mil Milhas Brasileiras , disputada nos dias 26/27 de Novembro de 1960 , contou com a participação de 44 carros e , entre eles imaginem quem estava ? Germano Schlögl , com sua carreteira Ford número 52 , desta feita em parceria com o piloto Eugênio Souza . Esta foi sua ultima Mil Milhas . Na linha de largada nomes como Catarino Andreata/Breno Fornari , com a famosa carreteira Ford número 2 , com a qual haviam ganho tambem a IV Mil Milhas , Pedro A. Oliver/Rosalvo M. Francisco , com Volkswagen , Mario Cesar de Camargo Filho/Ciro Caires com DKW ,Eugênio Martins/Bird Clemente com DKW , Francisco Landi/Christian Heins com Alfa Romeo JK , Emilio Zambelo/Ruggero Peruzzo com Fiat , Julio Andreata/Haroldo Vaz Lobo ( de Curitiba ) com carreteira Ford , Camilo Christofaro ( pela primeira vez aparecia nas Mil Milhas o nome do segundo mais famoso piloto de carreteiras do Brasil , que fez " misérias " com sua carreteira de número 18 com motor de Chevrolet Corvette ) em parceria com Celso Lara Barberis , Euclides Bastos ( o nosso Perereca )/José Armando Grocoski com carreteira Ford . O prêmio para o primeiro lugar era Cr $ 500.000,00 .
Antes mesmo desta V Mil Milhas , ou seja , no dia 30 de Setembro de 1959 Germano participou de sua décima prova , numa corrida na cidade Cruzeiro do Oeste/PR . Na oportunidade , pilotando aquele seu Ford 1949 cupê , fez o primeiro lugar . Outra vez , nesse ano , a imprensa paranaense considerou-o o melhor piloto do automobilismo . Na verdade , ele sempre disputou provas no Paraná , São Paulo , Santa Catarina e Rio Grande do Sul . Numa corrida em Caxias do Sul/RS , por ocasião da Festa da Uva , Germano chegou a cidade em cima da hora e não teve tempo de conhecer o trajeto do circuito . Pouco antes do final , quando liderava a prova , errou o caminho e , para reencontra-lo , deixou o carro que vinha em segundo lugar ultrapasse o seu , a fim de segui-lo e ultrapassa-lo em seguida . Mas , graças a isso , perdeu a corrida por questão de segundos . Na lataria de seu Ford ele escrevia o nome de todas as cidades por onde passava com o carro . Assim era Germano .



A ÚLTIMA CORRIDA



Quando venceu a prova "Grande Prêmio Cidade de São José dos Pinhais", disputada em Junho de 1961, pilotando a carreteira número 19 na categoria Força Livre, Germano jamais saberia que, infelizmente, essa seria a derradeira corrida para ele. Quis novamente o destino que,nessa prova, disputada num circuito da Vila Palmira, naquela cidade, Germano e seus fans fossem protagonistas de um fato inédito, quando estes ergueram seu carro, ajudando-o a trocar um pneu furado.
Mas pior, o trágico, estava ainda por vir. Logo após aquela conquista, ou seja, no dia 2 de julho de 1961, num domingo, Germano saiu de sua casa, em São José dos Pinhais, para dar um passeio em Curitiba, em companhia de sua esposa senhora Elvira e seus filhos Rose, Wanilda, Wilmair e Marcos. Todos a bordo da carreteira 52, trafegando pela rua Marechal Floriano Peixoto (naquele tempo, os pilotos trafegavam normalmente com seus carros de corrrida pelas ruas). Na altura do bairro curitibano conhecido então por Inflamáveis, devido ali estarem localizados os depósitos de combustiveis de companhias distribuidoras ( onde hoje estão as concessionárias de veiculos Olsen e outras), o carro de Germano foi violentamente abalroado por um ônibus da empresa Reunidas que fazia a linha de transporte coletivo entre a capital e a cidade de Rio Negro. O impacto destruiu a carreteira e fez com que Wanilda, então com 11 anos de idade, tivesse morte instantânea, enquanto que Germano saiu gravemente ferido. O piloto e os demais feridos foram transportados a hospital de Curitiba e, tão logo a noticia do acidente foi captada, via radio, pela população de São José dos Pinhais, amigos seus prontamente compareceram ao estabelecimento para lhe dor sangue. Apesar de todos os esforços, Germano, que resistiu por 14 horas ainda, veio a falecer. As cortinas do tempo fechavam-se para sempre para o (GRANDE ÁZ DO VOLANTE), como era denominado pela imprensa, trazendo consternação e ludo para seus fãns, admiradores e todo o povo de São José. Desaparecia mais um espoente do automobilismo de competição nacional, aos 37 anos de idade.
Germano Schlögi se foi, mas, sua grande obra no sentido do desenvolvimento do automobilismo de competição no País ficou. Num gesto de carinho ficou, reconhecimento e valorização da história, e graças a visão esclarecida e a iniciativa da jornalista e ex Secretária da Cultura Municipal Eulália Maria Radke, a memória de Germano esta preservada no Museu Municipal Atilio Rocco daquela cidade. Ali por decreto do então prefeito municipal foi criada a Sala Germano Schlögl, onde pode ser vista toda a indumentária que usou na sua última grande corrida - macacão, luvas, capacete, etc. - a V Mil Milhas Brasileiras, além de fotografias suas e de seus carros, troféus, escritos de próprio punho, documentos. Germano viverá para sempre na nossa lembrança!" Ari Moro



Fonte : " CHEIRO DE CANO DE ESCAPE " edição 04 Maio de 2002 .




terça-feira, 4 de maio de 2010

SÁBADO EM INTERLAGOS por Maria da Glória e Caranguejo

segunda-feira, 3 de maio de 2010

SÁBADO EM INTERLAGOS

Sábado de sol, não ia a Interlagos há muito tempo, Francisco guiando fomos buscar o Duran e o Fabio. Já no caminho o Duran falava que não ia ao autódromo desde 80 e muitos e o Fabio retrucava que tinha visto ele por lá em 92, interessante mas sentia o Duran feliz por voltar ao templo, eu também estava. Andar em um carro com o Francisco pilotando e o Fabio navegando é quase tão emocionante quanto andar no banco de trás de um carro de Rally nas estradas de Monte Carlo mas enfim chegamos bem.
Entrar pelo portão e passar por baixo do túnel onde passei tantas vezes para assistir tantas corridas ou correr foi um sentimento agradável, agora parar o carro onde era o antigo “Sol”, agora estacionamento, trouxe em mim e acredito no Duran um sentimento de perda. O autódromo está bonito e bem cuidado, agora sem o “Sol”, “Sargento”, “Ferradura”, “Três” dá uma baita saudades!
Na primeira foto Francisco, eu, Duran e Ferraz. Na segunda o Fabio na ponta esquerda.
Caminhando para o Box 8 onde o Ferraz estava já encontramos o Orlando, numa bela camiseta que havia mandado fazer com seu carro desenhado pelo Ararê e nome no peito, e o safado nem tinha me contado. Tem volta!
No Box lá estavam o Ferraz e o Thomas mexendo no carro que estão acertando. Íamos encontrando os amigos que não víamos a muito e a nós se juntou o Carlos Eduardo. Saindo para encontrar outra fera encontrei o Luiz Salomão, pena que não nos encontramos mais, tem muito papo ainda atrasado. Fomos para o Box 2 onde estava quem? O Conde, preparando um Spyder para um piloto do Rio, encontramo-nos depois de muito tempo, o Duran agora visivelmente emocionado por encontrar o amigo de tantas, eu também.

Eu, Adriana, Francisco, Conde, Carlos Eduardo, Orlando e Duran.

No caminho para o bar encontramos o Fernando e fomos beber uma Coca e colocar os assuntos em dia. Sentados à mesa só saiu besteira até o Fernando tão sério caiu no papo do Conde, Duran e Fabio ainda bem que o Ferraz estava trabalhando.
Na largada da Clássicos fomos para o “S” e lá encontramos a Adriana, Dú Cardin, Thomé e lá ficamos assistindo a corrida. Ver o KG-Porsche 77 andando na pista trouxe gratas recordações de um tempo maravilhoso.
Terminada a corrida fomos ao Box do Ferraz e o Thomas já se preparava para a largada. Fomos para o grid, Ferraz, Orlando, Francisco e eu.


Na Força Livre assistimos do heliponto, Orlando, Duran, eu, Conde, Francisco e Fernando.

Na largada o Thomas vinha bem, mas logo na entrada do “S” uma rodada provocada pela quebra que o Ferraz vai contar. Na corrida um Astra tomou a ponta seguido por uma Ferrari 430 e dois Spyder, um dos Spyder pilotado pelo Sergio Pistili deu um baita show ao trocar diversas vezes de posição com a outra Ferrari 430. A Ferrari ultrapassava na força do motor na reta de chegada para o abusado Sergio fazer em cima dela ultrapassagens desconcertantes. No Laranjinha por fora, no “S” por dentro depois por fora, no “Pinheirinho” etc. fez tudo que seu pequeno motor dois litros podia para enfrentar os quase 500hp da Ferrari. Depois da corrida perguntei ao Fabio quem era e fomos até seu Box para cumprimentá-lo. Conversamos uns minutos e quando saía vi em seu carro o nome Pistili e logo lembrei de Jayme Pistili que na minha adolescência corria junto de outro Jayme o Silva e um monte de cobras da época. Voltou o Fabio ao Box dele e perguntou e imediatamente vem o Jayme pai do Sergio, por incrível que possa parecer conhecia ali um nome que se destacava naquela época de ouro de nosso automobilismo. Vem muita história por aí!

De volta ao Box 8 do Ferraz meu amigo já desmontava o Spyder e levava as peças para soldagem.

Do Ferraz quero destacar o ótimo trabalho que fez entre uma corrida e outra , colocando o carro no grid no momento da largada. Já é tempo dele ter alguma equipe grande para tocar e mostrar todo seu valor como preparador e chefe de equipe. Espero que esse dia chegue logo.

Duran, Milton, eu, Fernando e Francisco na bela pista do Miltão.
Assistimos a segunda corrida vencida pela Ferrari e quando íamos embora o Fernando quis visitar seu amigo Milton que tem uma pista de RC onde era o “Sargento”.Voltamos contentes, de novo com o Francisco pilotando e o Fabio navegando!


                                            Conta Ferraz
Após a segunda bateria conversamos com Thomas que ficou num bom sexto lugar após largar em último.
"Pois é meu amigos, mais uma prova do campeonato paulista de força livre que foi realizada neste sábado. Já na sexta feira o meu piloto me falou que tinha um amigo com um Astra V8,e falou se ele queria dar umas voltas com o carro, o meu piloto Thomas Schiling falou que sim, ai me falou Ferraz enquanto eu andar com o V8 vc pode andar com o meu carro e aproveita e vê se tem alguma coisa que possa mudar.Bem ele andou no primeiro treino com o carro dele o Spayder e conseguiu virar mais baixo que nas provas anteriores 1,52 .Então como eu tinha andado com o carro em um treino da ultima prova e vi que o carro estava tudo errado, e tinha mudado e vi o resultado, pois o Thomas tinha baixado o tempo, eu fui andar no segundo treino enquanto ele andaria com o V8.Realmente o carro melhorou de chão, vim testando o carro e vi que o carro vinha na mão, então o resultado foi um tempo de 1,48 sem muito forçar.Já no final do dia de sexta, eu e o Thomas sentamos para conversar e ele me falando, Ferraz é uma estupidez de motor que tem o Astra, tem mais de 500cv, e eu andei bem devagar para não bater.Bom esse Astra tinha feito o segundo tempo do dia de sábado, portanto na classificação com 1,42 contra a pole da Ferrari com 1,41 e o Thomas fez o nono tempo dos 26 que largaram.Quando começou a prova o Thomas vinha muito bem , largou bem e na entrada do S tomou uma rodada do nada, ai eu falei quebrou alguma coisa na suspensão, porque a rodada foi muito bouba.Resumindo o carro foi rebocado no final da prova para os boxes e foi ai que eu vi que tinha quebrado a manga de eixo traseira esquerda e a homocinética.Só tínhamos uma hora para a outra prova, desmontamos tudo, peguei as peças quebradas, saí na disparada para soldas e comprar uma homocinética, voltei com tudo montamos e quando estava colocando o carro no chão, estavam liberando os carros para o grid, resumo terminamos em cima da hora.Largou em ultimo e fez uma bela prova e chegou em sexto na categoria.Foi o resultado de mais uma prova e o Thomas está de parabéns, vamos para a próxima e se Deus quiser bem melhor....abs. José Ferraz"

FOTOS: Fabio Poppi



sexta-feira, 30 de abril de 2010

FERRARI 250 GTO

Esta Ferrari 250 GTO está á venda no Ebay, uma pequena homenagem a quem gosta da marca e principalmente do carro.


http://cgi.ebay.com/ebaymotors/250-GTO-Rebody-Allegretti-BEAUTIFUL-/160427052516?cmd=ViewItem&pt=US_Cars_Trucks&hash=item255a328de4

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Jr Lara

As vezes sou distraído e acabo não fazendo certas coisas que gostaria, por exemplo meu amigo Jr foi operado esta semana. Colocou uma prótese em um dos joelhos e está se recuperando. Vai lá Portuga sei que agora vai ficar tudo muito melhor!

Um abração.
 
Com seu neto André.

Na motonautica e no alto do podium.

Gabriel e Fred

A meus amigos Gabriel e Fred e seus novos empreendimento, todo sucesso que eles merecem.  


Gabriel Marazzi


Convidamos você e sua maquina para participar do 1º Automobile - Encontro de Autos Antigos de Fortaleza que será realizado neste Sábado dia 01/05/2010 a partir das 15:00 horas na Praça do Bosque, Av. Desembargador Moreira em frente ao Hosptital Militar.
Esse novo encontro é mais uma opção para os antigomobilistas de Fortaleza que acontecerá no 1º Sábado de cada mês em local arborizado e agradavel no coração da Aldeota, com a presença da imprensa (TV e Jornal).

Teremos vendas de camisas e miniaturas.

Chame seus amigos e divulgue!!!

Informaçõe: (85) 8790.2677 - Izabel Romcy

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O Caçador de Estrelas na pista por Roberto Zullino


Com o maior prazer dou meu depoimento:
O Caçador de Estrelas tem sido motivo de piada desde o seu nascimento como exemplo de traquitana, mas isso não é necessariamente verdadeiro, exceto pela posição absolutamente maluca, o carro não era ruim e muito menos mal feito e poderia dizer que tinha um desempenho muito melhor que a maioria das carreteras, a do Camilo incluída.

O Votanamis não era neófito e tinha acesso a peças e tecnologia da época. O que não tinha era acesso a um transaxle do tipo Hewland mais pesado como as DG 300 ou Maserati. Na falta de um transaxle Maserati resolveu a coisa de maneira mais simples. Encurtou o cardã que deveria ter uns 10 centímetros, apenas o suficiente para abrigar duas juntas universais permitido a oscilação do eixo traseiro, mas jamais saberemos se essa solução não iria forçar demais o cardã e as juntas causando quebras, o carro não andou nas Mil Milhas para a qual foi construído.

O carro tinha um motor Corvette acoplado a uma caixa normal, um cardã curto e um eixo rígido atrás. Não posso precisar de que marca, mas certamente tudo era GM e talvez o câmbio fosse de Jaguar 4 marchas, a famosa caixa Moss que embora fosse uma caixa temperamental era muito usada nas carreteras. Por mais que se encurtasse o cardã o conjunto ainda assim era muito comprido.

O problema é que por mais que se pusesse o motor ara trás ainda assim ficava faltando lugar para o piloto. A solução foi pendurar uma estrutura na frente do eixo dianteiro para o piloto.

O Bica não teve a idéia de colocar o piloto do lado do motor como alguns carros de Indianápolis ou mesmo os protótipos Tubarão feitos no sul pelos Andrade 40 anos depois, usando mais ou menos o mesmo conceito e colocando o piloto ao lado.

As fotos de construção do carro não mostram que a direção tinha dois tirantes até o painel, acho que foram colocados na pista. Os pneus utilizados na pista eram bem mais largos que os das fotos e certamente importados, os traseiros com certeza. Pode-se ver que a suspensão é moderna, mesmo a traseira e muito bem montada e projetada apesar do eixo rígido. Na frente, bandejas em triângulo com molas helicoidais e na traseira um eixo rígido, também usando molas helicoidais. Os freios eram a disco, com certeza na dianteira, não lembro da traseira, mas acredito que eram a disco também. Portanto, em termos de chassis e suspensão um carro muito mais avançado do que as carreteras e com um centro de gravidade muito mais baixo.

O carro na minha opinião fazia as curvas de alta de forma muito equilibrada, saia levemente de traseira nessas curvas sem oscilação alguma. Nas curvas de baixa iniciava saindo um pouco de frente, mas com a força do motor era colocado no lugar muito facilmente pelo piloto. Dava a impressão de ser muito fácil de dirigir, a menos a posição da direção que era igual à da Kombi.

Não sei se o piloto ficava aterrorizado dentro do carro, mas acredito que não porque andaram bem forte com o carro. Quem ficava aterrorizado era que via o carro correr. No final, acertadamente, proibiram o carro de correr as Mil Milhas e nunca mais se ouviu falar do Caçador de Estrelas, deve ter virado outras coisas como era comum na época. Uma pena, se tivesse sido mais desenvolvido com a colocação do piloto ao lado teria feito muita gente suar para enfrentá-lo.

Abs,

Roberto da Silva Zullino

Caro Zullino agradeço seu depoimento e meus amigos e eu que escrevemos "Histórias" deixamos nosso espaço  sempre aberto para você. Um abraço
NT: Alem de não ter outras fotos do Caçador não sei o que aconteceu com o editor do blog e não consegui anexar fotos da mesma forma que antes, mas o que vale é o depoimento do Zullino que viu o carro andando. 

   Tranqueiras de Corrida   http://rzullino.blogspot.com/   

terça-feira, 27 de abril de 2010

Dib Francis - "LIVRO DE OURO DE BRASÍLIA 50 ANOS"

Quero repartir minha imensa alegria com vocês amigos e leitores...
É com grande emoção e orgulho que participo, amanhã o querido amigo Dib Francis - pianista e pesquisador do Centro Avançado de Pesquisas Multidiciplinares da CEAM/UnB, Vice-Presidente da Academia de Letras e Música do Brasil, além de diversas apresentações como pianista oficial da Presidência da República e uma cadeira, na Academia de Letras e Música do Brasil,

Dib Francis (foto do jornal Alô Brasilia, coluna Auto Fã de Clístenes Cardoso)

antigomobilista e Presidente do Clube do “Fordeco” de Brasília-DF, é uma das personalidades homenageadas no "LIVRO DE OURO DE BRASÍLIA 50 ANOS" que será lançado na capital federal, dia 28 de abril de 2010, às 18 horas no Salão Nobre da Câmara dos Deputados.


Dib meus muitos parabéns! Sucesso sempre! Pois o que tocas vira ouro!

Com carinho da amiga Graziela


INTERLAGOS

Como era bonita a antiga pista de Interlagos!

Nas fotos que recebi do Orlando me veio a recordação do palco em que assisti grandes batalhas entre grandes pilotos, onde corri e tenho certeza conheci grandes amigos. Não importa em qual categoria ver os carros voando por ela era sempre bonito, a “Um” , “Três” , “Ferradura” , “Sol” curvas que marcaram uma época no automobilismo internacional. Saudades!
 
  A curva que leva a reta da Bandeirada, atraz onde está o carro branco eram os antigos boxes. O Café.
 
A entrada da curva "Um" com o muro da saída dos boxes. Curva maravilhosa de seu contorno e da "Dois" logo em seguida vinha a velocidade final no "Retão"
Lá no alto a"Três" e a "Quatro" na entrada do miolo, os carros tomam a "Ferradura".
A "Subida do Lago" curva complicada de seu bom aproveitamento vinha a velocidade para a "Reta Oposta" e entrada do "Sol". Nos D3 entrava-se em 4ª marcha para onde estão o Passat e o VW amarelo espetar 3ª.



No "Sol" Orlando Belmonte Jr.
Acima dos carros a curva do "Sargento"

No "Laranja" a briga de meus amigos #40 Amadeu Rodrigues, #68 Duran, #7 Bruno, #13 Orlando e José Ferraz.

A entrada do "S" logo depois o "Pinheirinho" e "Bico de Pato".

O HOMEM DE LA MANCHA

Hoje no COMPRSAS vi um incrivel video da HONDA com a canção da peça. Agora pensando no genial Miguel de Cervantes Saavedra e seu personagem D. Quixote de La Mancha livro que já li desde minha juventude uma cinco vezes encontrei na voz de dois outros gênios sua interpetração.
Paulo Autran e Maria Bethania.




segunda-feira, 26 de abril de 2010

CAÇADORES DE ESTRELAS II

"O Caçador de Estrelas sendo feito .




Esta é a parte traseira , veja as lindas rodas de cubo central.


O carro na pista , veja onde ia o piloto.


Na pista acelerando .


Reparem na posição do volante .



O pé do piloto ia no bico do carro .


Só quem já ouviu o ronco de um carro de corridas , já pilotou um , já correu , pode dizer desta paixão . Eu particularmente os conheci desde cedo , e toda vez que entrei numa oficina de preparação me senti em casa , o cheiro , o ar , peças , carros , pneus , câmbios , engrenagens , um carro de corridas no cavalete , a sensação é única . Pode ser um Formula , Prototipo ou Turismo a hora em que vemos aquele carro no ar é o mesmo que estar nas nuvens . Acredito que a maioria dos pilotos se sente assim , é difícil encontrar um ex piloto que não sinta saudades da época em que corria , eu particularmente só conheci um . Agora que tenho reencontrado tantos amigos vejo neles sempre o mesmo pensamento . Conheço centenas de pilotos , que pilotaram de F.1 até D. 1 a grande maioria apaixonado pelo que faz , grandes pilotos , campeões , pilotos médios , e até alicataões , em todos a mesma paixão . Qual deles nunca olhou seu carro sendo feito e disse "é campeão " ou " é o mais bonito da categoria ". Nestas fotos acima estamos vendo um sonho , Bica Votnamis idealizou no ano de 1967 um carro incrível , com motor central , Chevrolet Corvette , freios a disco etc . O único problema do carro foi a posição de pilotagem , à frente do eixo dianteiro , qualquer batida de frente e lá se ia o piloto . É claro que ele pensou nisto quando projetou o carro , mais ai entra a paixão , o sentimento de nada pode acontecer com a gente , a vontade de andar na frente . Alguém de bom senso proibiu este carro de correr , mais que teria sido incrível vê-lo na pista isto seria . Antes que me esqueça Bica deu a este carro o sintomático nome de "Caçador de estrelas" .
Dedico esta postagem a centenas de Caçadores de Estrelas que conheço e em especial a alguns amigos , Duran , Ferraz , Orlando , Amadeu , Pankowisk , Fabio Poppi , Fabio Levorin , Edo , Luiz , Chico , Crispim , Teleco , Jacob , Ricardo e Mike. E a alguns outros que a esta altura caçam as estrelas bem de perto .


PS: Post de 4 de Maio de 2009 e hoje dedico tambem a alguns outros Caçadores que conheci durante esse maravilhoso ano de encontros. Caranguejo, Fabiano e Luiz Guimarães, Fernando Fagundes, Joel, Francis, Ricardo Bifulco, Tito, Sanco, Luiz Salomão, Rafa, Cezar ...

E a voce meu filho, nunca deixe que pequenos transtornos apaguem seus e nosso sonhos, que um dia realizaremos.     

domingo, 25 de abril de 2010

COMPRANDO O #14

1978

Recebo um telefonema do Chico Lameirão, na época éramos apenas conhecidos, contando que estava com patrocínio apenas eventual da Motoradio para a Super Vê e perguntando se eu não poderia cobrir a verba dele por algumas corridas. Pensei bem e achei de certa forma interessante ter a marca de um produto que tinha muito a ver com o setor automobilístico divulgado por ele. Foram apenas duas ou três corridas, uma no Rio quando acho que correu também com a marca Marlboro e outras em São Paulo. Não assisti a nenhuma das corridas, no Rio até tentei mas na sexta feira quando descia do avião tropecei numa aeromoça e quando me dei conta já era segunda feira e a corrida tinha sido no Domingo. Coisas da vida!
Conversando ele me pergunta se eu não tinha vontade de acelerar novamente e conta que o Luiz Pereira Bueno estava vendendo um VW D3 da extinta equipe Holywood. Fomos até o Luiz no galpão da equipe, e lá estava o D3 sem motor, não lembro bem da cor mas acho que era branco com alguma pintura da Holywood desbotada, saí de lá com o carro comprado.
Aqui um parêntesis para falar de duas pessoas maravilhosas, campeões no automobilismo e na vida, modestos por tudo que conseguiram nas pistas e um exemplo para todos nós. Sei que o Chico e o Luiz não vão ler esse texto, o Chico não sabe nem tocar nessa maquina mas deixo aos dois minha grande admiração e um forte abraço.
O carro veio com três jogos de rodas algumas peças um belo Sto Antonio, mas estava parado já a algum tempo. Levei para uma oficina preparada para ele e comecei a mexer com a ajuda do Thomás Sawaia um estudante de engenharia e meu mecânico. Hoje um baita empresário.

Do Chico comprei ainda dois Webber 48, meu contagiros JONES, uma carreta Karman amarela, e algumas outras peças. O cambio era uma Caixa2 e veio junto com o carro bem como algumas engrenagens de 3ª e 4ª marchas e outra coroa e pinhão.
Faltava o motor e comprei do Gigante dois motores de ponta - ponta de estoque- e pensei que já estava preparado para começar a acertar o carro.


Antes disso levei com a carreta o carro ao João Lindau, meu saudoso amigo, para fazer uma nova pintura. Eu queria vermelho mas o João disse que tinha uma tinta laranja do Corcel e que ele daria um toque dele na tinta e ficaria bonito. Ah João! Alicatão, amigão, até que não ficou tão feio!


Começando o acerto do carro  foi um fracasso total, os dois motores de ponta foram para o espaço logo de cara, do freio a disco traseiro direito vazava óleo e isso provocou uma rodada daquelas em plena curva “Dois”, lembra Jr da fina que vc tirou e depois da gozação? É isso Portuga um dia ainda acerto tudo com você!!!!
Nessa corrida da foto ainda não contava com a preparação do Chapa apresentado a mim por meu amigo Manduca (Armando Andreonni) tempos depois.
Corri com a ajuda de três amigos do coração, Adolfo Cilento, Ricardo Bock e do mecânico Celso que chamávamos carinhosamente de Caveira. Os adesivos BRITÂNIA eram de uma marca de jeans fabricados pelo Adolfo e foram recortados cuidadosamente e com a habilidade nata do Ricardo, um virtuose em tudo que faz, ainda ele fez aquela pintura preta nos paralamas e alguns outros retoques estilísticos.
O resto é história e algum dia conto mais...

Ao João e Adolfo que lá no alto devem estar arrumando grandes confusões.

Caranguejo, Fabiano & Cia, achei os recibos do Gigante de 04 de Agosto de 1978 e acredito que esta foto no Box é de 1979.

sábado, 24 de abril de 2010

TURBILHÃO

Por não poder olhar a vida simplesmente... Trecho de uma musica do grande compositor e violonista Paulinho Nogueira. Madrugada de 24 de Abril de 2010, depois de quatro horas de sono acordo as três da madrugada com o #14 em minha cabeça, o interessante é que pensava ter corrido com esse carro em 1978/79 e ao ver a foto enviada pelo Orlando datada de 1980 fiquei confuso.
Eu havia começado a correr no ano de 1971 e depois de minha estréia aluguei um VW D3 do Pedro Victor para correr algumas corridas no mesmo ano. Torneio União e Disciplina e mais umas duas ou três corridas, nesse torneio o Guaraná e eu brigamos com o Puma #48 do José Martins e as feras da KINKO com seus D3 já em grau adiantado de preparação, na classificação final terminei em sexto lugar com uma bateria terminada em quinto e a outra em sexto. Depois corri a preliminar da SULAM e pelo que me lembre quebrei nas duas corridas de Dezembro de 1971. As corridas eram em duas baterias cada e lembro de um terceiro lugar e quebra em uma das corridas e novamente terceiro e quebra na outra. De 1971 guardo na lembrança a amizade que fiz e com dois grandes pilotos mais velhos que eu, Expedito Marazzi e Antonio Carlos Avallone, fora o Luizinho e outros tantos que dividiram as pistas comigo. Lembro também do convite que recebi de uma equipe Argentina para correr a temporada de 1972 no país vizinho depois de um desempenho brilhante no Torneio SULAM, quando largando com Caixa Três fiz nas suas quatro baterias corridas de recuperação largando sempre em ultimo de um grid de mais de trinta carros e sempre chegando até as primeiras posições antes de quebrar, quebras à toa que me impediram de terminar o Torneio com classificação. Dessas corridas com o #84 guardo a péssima acolhida que tive na equipe do Pedro Victor, fora a Gigi sempre simpática e solicita e o Cacó, o resto me tratou sempre como o Pedro, piloto arrogante muito longe da altura a que suas vitórias o levaram. Outra madrugada sem sono conto algumas passagens dessa minha estada com ele.

Impedido por meus pais não pude ir correr em 1972 na Argentina, corria com uma autorização conseguida de forma não habitual e no começo daquele ano não consegui renovar minha carteira de piloto, aí já graduado, e fui trabalhar com meu amigo Expedito Marazzi e sem nenhum apoio de meu pai comprei um VW D3. Ano de poucas corridas lembro apenas que no final do ano, carteira renovada, corri as duas etapas da Copa Brasil quebrando em ambas. Dessa Copa lembro bem o grande esforço de meu amigo Avallone para sua realização e uma empurrada que o José Pedro Chateaubriant com seu JK me deu no “Retão” após eu o ultrapassar na entrada da “Um”. Desse ano guardo com carinho a consolidação de minha amizade com dois grandes caras, campeões da vida o Baixinho(Avallone) e o Velho(Marazzi) fora Teleco, Manduca e outros tantos que comigo correram. A falta do apoio prometido por meu pai muito me entristeceu, hoje talvez entenda mas na época foi difícil.



1973 viria com a maioridade, em Maio completaria vinte e um anos e finalmente poderia renovar minha licença sem os problemas anteriores. Mas no meio de Março meu pai sofre um AVC e a primeiro de Abril - parece piada mas não foi - vem a falecer aos cinqüenta e nove anos, na plenitude da vida com saúde e disposição para enfrentar outros cinqüenta e nove.

Aí minha vida entra nesse turbilhão, levado pela sandice e falta de caráter de muitos tento concertar os estragos desse desaparecimento que muito me abalou e simplesmente deixo minha paixão pelas pistas de lado.

Agora vocês me perguntam “o que o #14 tem haver com tudo isso?” e se tiver coragem de postar esse texto amanhã no Domingo chego até ele.




A meu pai Rui Amaral Lemos, expoente em todos seguimentos onde atuou, industria, comercio, política,cuja morte prematura até hoje é por mim sentida.













E meu filho Francisco Amaral Lemos por tudo que representa em minha vida.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

#14



Vou confessar nunca fui de escolher números para meus carros, comecei correndo com o #8 pois foi o que o Marazzi me deu na minha inscrição, seguindo minha carreira em 1971 ainda como novato fiz varias corridas com o #84 do Pedro Victor, no ano seguinte já como graduado e na D3 corri varias vezes com um VW amarelo comprado do Marazzi, como não tenho as fotos desse carro não lembro o numero que usei.
Em 1978 acho eu comprei um VW D3 do grande Luiz Pereira Bueno e apesar de ter perdido as fotos tinha uma vaga lembrança que seu # era 14. Em muitas conversas com o Fabio Poppi tentávamos achar alguma foto desse carro, e eu procurando o recibo do Luizinho e não encontrando, lembrava do patrocínio da BRITÂNIA, fabrica de jeans do Adolfo e a cor do carro.
Ontem recebi inúmeras fotos do Orlando e fui arquivando-as qual meu espanto hoje ao rever as fotos e encontrar meu carro, provavelmente comigo dentro parado no Box. Era o #14 e amanhã conto toda história desse carro.
Provavelmente o Luiz ou Fabiano vão se lembrar dele e com sorte achar alguma outra foto.
Box de Interlagos #14, #77 Brasilia provavélmente do Adolfo Cilento e a #7 do Bruninho.

Provavelmente a largada dessa corrida lembro perfeitamente do VW #80, carro do Rio Grande do Sul com um piloto que andava rapidíssimo, lembro dele no treino.
  
Na corrida os Passats lideram eu lá atrás em nono lugar o primeiro VW é do Jr.