A VERDADE NÃO SERIA BASTANTE PLAUSÍVEL SE FOSSE FICÇÃO - Richard Bach

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

II Campeonato Brasileiro de Regularidade FBVA - 2a. Etapa Juiz de Fora (MG) - V Rally Estrada União Indústria




Elisa, Paulo José Meyer Ferreira e o VW.



De 29 de julho a 1° de agosto de 2010

 Foram dois dias de provas, percorrendo roteiros espetaculares na região.

Mantivemos segredo desta participação até cumprir o desafio.

O grande desafio: Trabalhar em tempo recorde a mecânica , motor e elétrica

de um automóvel com 51 anos de fabricação, utilizado diariamente como veículo

de locomoção e 38 anos sem enfrentar uma rodovia por mais de 30 km. percorridos.

Enfim, em menos de 24 horas do início desta aventura o carrinho ficou pronto na última oficina

visitada, regulagem do carburador. Dever cumprido, desafio iniciado, vontade de vencer.
Saímos de Curitiba às 5:45 AM, Elisa e Everton Tonel , grande patrocinador, incentivador e
companheiro de viagem, com muita coragem e determinação.

Foram 890 km. de viagem com intervalos de 15 min. para abastecimento até Juiz de Fora (MG).





Chegamos na saída 799 da BR040 às 06:50 PM com pé embaixo. Acesso à cidade de Juiz de Fora.
Na entrada da cidade aguardava a amiga Andréa Rodrigues (a madrinha da equipe) e Henrique Thielmann (Pres.da FBVA) nos monitorando pelo celular, preocupado com nossa chegada.

Chegamos sãos e salvos e o fusquinha indelével , uma belezinha! Nem ao menos o nível do óleo havia alterado, funcionando perfeitamente nos levou ao local do repouso merecido.....

Nada de repousar, fomos convidados por nossos anfitriões Henrique Thielmann e sua esposa Neida para jantarmos com o seleto grupo de antigomobilistas no restaurante 'La Caprese' .

Resumindo, o início de toda esta história já anunciava o que seria o nosso desempenho. Um sucesso!


No Portal Antyqua uma espécie de cobertura, pois não será tal, por absoluta falta de mecanismos. Impossível navegar, fotografar e anotar todos os detalhes desta maratona.
Aqui algumas imagens que transcrevem estes dias de competição. Rever amigos e ampliar este círculo é o que vale.








Os resultados e aqui estão:


VW 1959 (N° 09)


Equipe:




*Paulo José Meyer Ferreira - SP (piloto)
*Elisa Asinelli do Nascimento - PR (navegadora)


Resultados oficiais:
* 1° Lugar na Categoria Pós-Guerra - VW sedan 1959
* 4°Lugar na classificação geral desta etapa
(42 automóveis participantes)

Elisa, Miguel Meira de Vasconcelos (CBA), Paulo José Meyer Ferreira e Jorge Cirne ( Presidente do VCC-BA)
Nossos patrocinadores, os amigos que acreditaram:
- Cromagem São Leopoldo (Curitiba- PR)
- Andréa Rodrigues ( Belo Horizonte- MG)
- Espaço Alterosa (Betim- MG)
- Revista Classic Show ( Ijuí - RS)
- Garage 570 ( Curitiba - PR)
- Via 70 ( Curitiba - PR)
- Calixto - Mat.Elétricos e Hidráulicos (Juiz de Fora-MG)
- S.A.S - Safe Action Service - (Belo Horizonte - MG)


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

OS MOTORES VW BOXER 1.600cc - DIVISÃO 3

Jr Lara Campos e Arturo Fernandes briga de gente grande. Foto cedida por Carlos de Paula.

                 
No post anterior meu amigo Expedito conta da quebra dos motores Boxer na Divisão 3, o Jr. - Luiz Carlos Lara Campos Junior - até chiou com o que escreveu o Expedito, que ele havia estourado quatro deles e que a grande maioria dos pilotos levava para as corridas no mínimo dois motores de reserva.
Pois bem mesmo com meus parcos conhecimentos de mecânica resolvi escrever sobre a preparação dos mesmos.
Os últimos motores a ar VW 1.600cc Boxer fabricados no Brasil, saíam de fabrica com a seguinte configuração:



Ficha Técnica VW 1600


 


Motor - De quatro cilindros contrapostos dois a dois, quatro tempos, traseiro, refrigerado a ar;
diâmetro e curso dos cilindros de 85,5 x 69,0 mm; 1584 cc;
taxa de compreensão de 7,2:1;
potência máxima de 65 CV SAE a 4600 rpm; troque máximo de 11,7 mkg SAE a 3200 rpm, comando de válvulas central acionado por engrenagem;
válvulas de admissão e escapamento nos cabeçotes; alimentado por dois carburadores de 32 mm de fluxo descendente;
gasolina indicada: 73/75 octanas.

Transmissão - Embreagem monodisco a seco, de acionamento mecânico, câmbio de quatro marchas sincronizadas para a frente e ré, com alavanca no assoalho. Relações: 1º) 3,80:1; 2º) 2,06:1; 3º) 1,32:1; 4º) 0,89:1; ré) 3,88:1; relação de diferencial: 4,125:1; tração nas rodas traseiras.

Carroceria e chassi - Carroceria em chapa de aço estampado, tipo sedã, duas portas, cinco lugares, chassi em plataforma de aço com túnel de reforço.

Suspensão - dianteira: independente com barras de torção em feixes longitudinais, amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora; traseira: independente com semi-eixos oscilantes, barras de torção, amortecedores hidráulicos telescópicos e barra compensadora.

Freios - Acionamento hidráulico, a disco nas rodas dianteiras e a tambor nas traseiras.

Direção - Do tipo mecânica de setor e rosca sem fim.

Rodas, pneus - Rodas de aço estampado com aro de 14 polegadas e tala de cinco polegadas; pneus 5.90 x 14 do tipo convencional.

Dimensões - Comprimento total: 402,6 cm; largura: 154 cm; altura: 148,5 cm; distância entre-eixos: 240 cm; bitola dianteira: 132,6 cm; bitola traseira: 136,5 cm; distância livre do solo: 14,7 cm; peso em ordem de marcha: 810 kg.

Diâmetro dos pistões : 85,5 mm
Curso: 69mm
Taxa de compressão: 7,5:1 Gás e 11:1 Álcool
Cilindrada: 1.584cc
Válvulas de admissão: 36mm
Válvulas de escape: 32mm
Potencia: 57 HP á 4.200rpm
Torque máximo: 11,8kg á 2.600rpm
Carter: 2,5l de óleo
Dois carburadores Solex 32 30 PIC
Bomba de combustível mecânica.

Seu limite de giros era de 5.000rpm
E a velocidade nas marchas era a seguinte:
1ª 38km/h
2ª 68km/h
3ª 107km/h
4ª 137km/h -velocidade máxima.

O Desempenho

É normal que o motor mais possante dê ao carro melhor desempenho, bastando lembrar que o motor de 1285 cc apresenta uma potência de apenas 46 CV SAE ao regime de 4600 rpm, enquanto o de 1584 cc dá, ao mesmo regime, 65 CV SAE. Assim, mesmo considerando que são motores de baixo rendimento e, sob este aspecto, tecnicamente ultrapassados, o 1600 é superior ao do 1300, tendo um coeficiente de 41,03 CV/Litro contra 35,79 CV/Litro. Isso é o explicado por dois fatos: a taxa de compressão, que no 1600 é de 7,2:1 contra 6,8:1 no 1300, e a carburação, que é dupla (dois Solex 32) no 1600 e um simples (um Solex 30) no 1300. Depois de se aceitar o fato de que o 1600 tem melhor rendimento do que o 1300, é interessante examinar "quanto" ele é melhor, para ter-se então um primeiro critério de comparação entre os dois carros. Na velocidade máxima a diferença é sensível: enquanto o 1300L fez 116,264 Km/h (com melhor passagem a 118,811 Km/h, o que constitui excelente resultado para esse tipo de carro), o 1600 alcançou 133,344 Km/h (com a melhor passagem a 136,353 Km/h). São números que dispensam maiores observações.

Pois bem nossos preparadores pegavam esse motor que virava a 4.600rpm e rendia 65 HP e o transformavam numa verdadeira usina de força que girava a 8.500rpm gerando em alguns casos até 155hp.
Do motor original era aproveitado o bloco, volante do motor e cabeçotes, o resto já não servia a nossos propósitos.
No bloco eram trocadas as roscas de prisioneiros por Elicoil e em alguns casos aberto o diâmetro das camisas.

Os cabeçotes geralmente preparados pelo "João dos cabeçotes", com a mudança das sedes de válvulas para receber as de 40/41mm de admissão e as 35mm de escapamento. Alem de todo trabalho na câmara de combustão já que usávamos uma taxa de compressão de 14/15:1 usando Álcool etanol brasileiro como combustível. As válvulas recebiam molas adequadas a configuração do comando geralmente Engle e os pratos de válvula da mesma marca eram de titânio.

Os dois Solex de difusor 32mm eram trocados por dois Webber duplos de 48mm, a bomba de gasolina mecânica era trocada por uma elétrica (no meu caso de Cesna) que pudesse abastecer as novas válvulas e os carburadores.
Motor do carro de Ricardo Mogames.
A bomba de óleo era trocada por uma Schadek dupla, "carter seco" (pro leigo em mecânica um motor convencional tem seus 2,5 litros óleo lubrificante armazenado dentro do motor, já em um motor de competição usando carter seco... o armazenamento de seus 8 litros de óleo lubrificante é fora do motor ficando em um reservatório fixado em algum lugar do automóvel)., assim o óleo que acabou de lubrificar o motor é sugado pela bomba indo resfriar em um radiador colocado à frente do carro, na seqüência indo para o reservatório de óleo completando o ciclo da lubrificação por bomba de óleo"carter seco".
Os pistões em alguns motores eram trocados pelos forjados com diâmetro de 85,5 mm máximo possível dentro da cilindrada de 1.600cc. As bielas também forjadas eram escolhidas e pesadas e depois tendo seus pesos equalizados. O girabrequim todo trabalhado para retirar arestas e algum peso e balanceado. Do volante do motor era retirado algum peso, acredito que dois kg ou mais, e depois balanceado com polias, volante e platô de embreagem e parafusos.
Os comandos de válvulas que usávamos em sua maioria eram fabricados nos EUA, Iskanderian, Engle e outras marcas todos com levante e duração maior que o original proporcionando em alguns casos que o motor atingisse até 8.500 rpm. Na época não existiam as injeções eletrônicas que programam a entrada de combustível e esses motores trabalhavam numa faixa de giros muito critica geralmente só funcionavam a contento após os 5.000/5.000rpm.

Falando em comandos, certa vez o Chapa e eu compramos uma enorme variedade de peças que um piloto havia trazido e não iria usar, entre pratos e molas de válvulas, varetas, e muitas outras coisas havia um comando que não lembro a marca e era usado nos EUA na Formula Super Vê. Vimos toda sua diagramação e mesmo assim montamos ele em um motor, pois bem o dito girava 8.700rpm mas só cruzava a 7.200rpm e aí era um coice, despejava toda potencia, só que mesmo com o cambio sendo uma caixa3 era dificílimo pilotar, quando estávamos experimentando na pista um amigo pediu para dar umas voltas e mesmo com experiência não conseguiu, voltando ao Box com as velas encharcadas e levando uma baita bronca do Chapa.

Hoje quando na Formula Um vejo os motores funcionando numa faixa de giros que vai dos 6.000rpm até os 18.000rpm fico pensando o que teria sido ter injeção eletrônica em nossos motores.

Nos pistões não usávamos as travas originais e sim espaçadores de teflon que não soltavam em altas rotações.

A parte mais complicada era a montagem, sendo que o perfeito enquadramento dos comandos de válvulas era uma tarefa para no mínimo três horas, e isso o Chapa fazia com a perfeição de um mestre, coisa que diga-se de passagem ele sempre foi.

Outro dia conto mais, mas era assim tudo feito com capricho e carinho e olha que nas corridas curtas usávamos esses motores no máximo por uns duzentos quilômetros, se tanto, e mesmo assim eles estouravam.
A nossos amigos Chapa, Arno, Marcos, Carlos Alberto, Manduca e tantos outros que muito nos ajudaram  e aturaram.

Texto : Jr Lara Campos e Rui Amaral Jr

NT: Escrevi este texto e enviei ao Jr. para que ele me corrigisse caso tivesse escrito algo errado, o Jr anexou ao texto seu grande conhecimento da matéria, completando e dando a ele mais clareza.
Por esse motivo quando escrevo de parcos conhecimentos eles são meus e não do meu amigo Jr.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Expedito Marazzi na Divisão 3

Uma bela briga em Interlagos, Luiz Henrique Pankowski, Alvaro Guimarães no carro que o Expedito correu no Rio de Janeiro e Elcio Pelegrini.
A batalha dos VW e Passats na D3. Interlagos "Subida do Lago" aqui os Passats despejavam toda potencia para a subida da "Reta Oposta".

Expedito Marazzi



Eu sempre gostei de correr de automóvel. Faço isso já há alguns anos. Participei de talvez mais de cem corridas, pegando o fim diz era das carreteras, passando pela tempo das Equipes de Fabrica e chegando hoje, na mono marca.

Mas existe uma categoria que é toda especial: A Divisão 3 a bem da verdade é preciso que se diga que eu comecei nela apenas no ano passado, quando fiz. somente uma corrida noturna. Mas neste ano acabo de participar da terceira prova do Torneio Rio/S. Paulo, no Autódromo de Jacarepaguá.

É estranho que, mesmo sem conseguir um bom resultado, eu tenha me apaixonado pela categoria. É que se trata de algo muito especial não somente os carros são diferentes na maioria bezouros - e uns poucos Passats, completamente modificados. Com as latarias "engordadas" a fim de cobrir os pneus largos do tipo "slick". E com os motores muito envenenados, muito velozes e, por isso mesmo, muito fáceis de quebrar. . . O Lara Campos, por exemplo, leva consigo nada menos do que quatro motores de reserva. Seu carro tem conseguido bons resultados, mas as vezes ele é obrigado a usar todos os motores. Mas quase todos os demais participantes tem sempre, no mínimo, dois motores de reserva...

A verdade é que o pessoal é todo muito unido: na pista cada qual quer ganhar de qualquer jeito, desde que não prejudique os demais. Mas se qualquer um dos participantes sofrer uma injustiça por, parte dos organizadores imediatamente todos se unem a fim de defendê-lo. 

Nesta corrida do Rio, por exemplo, aconteceu algo assim comigo.

Meu carro não estava bem acertado, pois o Toninho, o dono da Equipe Motor Girus, não teve tempo de fazer nenhum treino. Assim, a muito custo, depois de terem faltados os freios, de ter sido trocado o motor, de ter sido improvisado um jogo de amortecedores e demais providências que custaram o sábado inteiro, prejudicando inclusive uma melhor classificado (ficamos em 13º. no grid), conseguimos largar.

Largar é uma palavra mágica, uma espécie de vitória antecipada ... quando se consegue realmente por o carro na pista. A largada falsa que se usa no Rio, inclusive, é muito ruim para os pilotos, mas, vai lá. Fui andando no meio do bolo, até as posições mais ou menos se definirem. De repente, o grande inimigo da Divisão 3 apareceu: o óleo na pista. Logo surgiu também uma bandeira preta tirando o carro que estava sujando a pista e eu fiquei contente pela presteza com que isso aconteceu. Continuei andando, ao fim da bateria, sem lutar com ninguém, pois havia um bolo à minha frente, que eu não podia alcançar e um bolo à minha retaguarda, que não podia  por sua vez  me alcançar. Salvo um piloto, egresso da Divisão 1 onde se costuma dar "totós" (e ele ainda tinha esse mau cos­tume) que me empurrou por trás tudo foi normal.

Quando parei, porém, qual não foi a minha surpresa ao ser informa­do de que estava desclassificado, porque desrespeitara a bandeira preta. De nada adiantou argumentar que meu carro não estava jogando óleo (era apenas uma mangueira mais baixa) e que eu não vira a bandeirada para mim. A decisão das autoridades da prova era irreversível.

Muito chateado voltei ao Box e e meu Chefe de Equipe estava macambúzio. Ai chegou o repórter Sidney, deste jornal, e quis saber do que se tratava. Inteirado de tudo sugeriu: é um caso para o Edson Yoshikuma. Este, que acabara de vencer a bateria após uma árdua luta com Affonso Giaffone Jr., ainda enxugava o suor, quando imediatamente tomou as dores da Injustiça sofrida por mim. Foi parlamentar com os responsáveis pela corrida, que se mostraram irredutíveis na decisão tomada. Então a confusão foi crescendo e todos os pilotos inscritos se reuniram com o Yoshikuma e resolveram: ou o Marazzi larga na posição que lhe coube, ou ninguém larga. Até os dois gaúchos, que estavam participando "hors concours'' pela primeira vez acrescentaram: "Oi tché, se alguém largar nós quebramos os para brisas deles”.

Nessas alturas a decisão foi reconsiderada e eu fui procurado com um pedido de desculpas, onde me informavam que deveria me aprontar para a largada, no lugar correto.

Sinceramente, fiquei comovido, a ponto de meus olhos quererem me trair, deixando escapar algumas lagrimas. Jamais, em corridas, eu havia sido tratado com tamanha consideração. Todos os pilotos, in­clusive os ponteiros habituais como Amadeu Campos, Arturo Femandes - todos, enfim - não somente haviam apoiado a "blitz " como foram me defender pessoalmente. Quando fui agradecer ao Yoshikuma, ele simplesmente me disse: "Não há o que agradecer, faríamos isso por qualquer um de nós "

Na segunda bateria, embora o, meu carro fosse o mesmo, fiquei tão animado que consegui terminar umas três posições à frente ( 15º na primeira e 12º na segunda ). Mas eu corria com um sorriso de orelha a orelha. Pouco me importava que a minha posição fosse aquela ou até mesmo o último lugar: eu estava muito feliz porque me sentia integrado numa sociedade de gente boa, que falava a minha linguagem, acelerava um bocado na pista, mas continuava a ser gente fora dela. Edson Yoshikuma desta vez, penso conseguiu chegar na frente de Giaffone: inverteram-se as posições. Mas para todos os pilotos da Divisão 3 ele é o grande vencedor, o líder que defende os direitos de cada um. Por isso gosto de correr de Divisão 3 ... e não pretendo parar tão já!



OS ACIDENTES



Houve alguns acidentes na prova do Rio, que eu pude ver: um deles aconteceu no inicio da segunda bateria, quando o carro de Jefferson Elias tentou passar o carro de Dimas de Melo Pimenta, na curva que antecede aos boxes. Acabou se en­roscando e ambos rodaram, saindo da pista!. Mais tarde o mesmo Jefferson saiu da pista na curva veloz que existe após o box, aquela, que se faz em quarta de pé em baixo. Curioso que , algumas voltas depois, um Passat marrom que eu não pude ver de quem era capotou e foi ficar parado pertinho do carro de Jeffeson. Outro Passat, vermelho, capotou na curva Sul, após o retão.

Felizmente ninguém se machucou, nem mesmo os motociclistas, que correram entre as baterias da Divisão 3 e caíram pra valer. Aliás, ninguém gostou da idéia de unir motos e carros no mesmo dia, nem pilotos nem motoqueiros. Parece que isso não vai mais acontecer.

Eu não pude ver a corrida no seu enfoque geral, pois estava participando dela. Mas o meu mecânico preparador, o Ney, que fica torcendo - elétrico - nos boxes, no final me contou tudo o que aconteceu. Além dos destaques de Yoshikuma e Giaffone, que ficaram com os dois primeiros lugares, os carros do Sul andaram muito bem, passando todos os outros nas retas. Havia até quem achasse que seus motores estavam fora do regulamento. Amadeu Campos ficou em terceiro lugar, na soma dos pontos, usando já os pneus com novo composto. Lara Campos ficou em quinto, Amadeu Rodrigues em sétimo, José Antonio Bruno, em oitavo, Alvaro Guimarães em nono e a Passat de João Franco em décimo, Nós tivemos de nos contentar com o 13º. Mas valeu a penal. Expedito Marazzi


Box do Jr no Rio, Manduca - Armando Andreoni - conversa com Carlos Alberto Levorin, de bermuda o Saraiva, e trabalhando para fazer de quatro motores um para corrida o saudoso Arno Levorin e agachado seu irmão Marcos Levorin.

Anatomia de um post.



É a segunda vez que mostro este texto de meu amigo Expedito, da primeira o Jr. -Lara Campos- digitalizou como foto e ficou ilegível, agora ele digitalizou como documento então pude copiar e postar corretamente.



Ao telefone



Jr: Ruizão agora digitalizei certo.
Rui: Obrigado Portuga.
Jr: Pô o Expedito escreveu que eu estourei quatro motores.
Rui: Mas não é verdade? Voce mesmo contou que em Tarumã foram outros quatro!
Jr: É verdade.



Obrigado Jr. Quantos amigos e quantas lembranças! Um abração.




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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Lúcio Sarnelli


Dia 4 de Junho de 2010 postei essas fotos do Lúcio tempos depois o Ricardo - Mállio Mansur - me pediu para retificar os nomes da foto do pódio em que eu havia trocado o Lúcio pelo Mariano, por algum motivo que agora me foge acabei postergando essa troca e ontem recebo um e-mail do Lúcio - Sarnelli - comentando da troca dos nomes e que a primeira foto em que coloquei como sendo das 12 HORAS de GOIÂNIA é na verdade as 25 HORAS de INTERLAGOS de 1973. Assim resolvi fazer um novo post com as devidas correções, e me desculpo com eles, agradeço a visita e me coloco a disposição tanto do Lúcio quanto do Ricardo para contar aqui o que quer que queiram sobre suas aventuras nas pistas.
Abraços
Rui Amaral Jr
 
25 HORAS DE INTERLAGOS 1973


Recebo um e-mail de meu amigo Tito contando que o Ricardo havia conseguido com o Lúcio algumas fotos da época em que ele era mecânico da Equipe Greco e que gostaria de identificar alguns nomes que ficaram perdidos no tempo. Abri as fotos e fiquei maravilhado, Bird, Nilson, Grecco, Clovis, Lúcio, Laerte, Mariano, Miguel e por fim uma foto deles com José Carlos Pace em Brasília.
Quando comecei esse blog minha ideia era justamente contar histórias vividas por todos que fazem parte desse esporte. Espero que o Lúcio, que agora vive em Atibaia cidade onde também mora o grande Luiz Pereira Bueno, conte para nós suas aventuras nas pistas.


25 HORAS DE INTERLAGOS 1973


12 HORAS DE GOIANIA JULHO 1975.

500 MILHAS ITACOLOMY 1975.







domingo, 8 de agosto de 2010

Dia dos Pais

Uma homenagem ao meu pai -sr. Nelson e a todos os pais neste dia especial !

Dia dos Pais (Autor não identificado)
Neste mundo de tantas dificuldades, encontrar pessoas dignas de respeito é algo quase impossível.
Mas essa luz brilhou em meu caminho.
Eu que ainda busco exemplos, encontrei você.
Descobri também que ser pai ou mãe não é simplesmente fecundar alguém, mas principalmente participar da vida de quem se ama.
Por isso, vejo em você um grande exemplo de pai, que não precisou me gerar para me amar tanto.
Neste dia, onde os filhos buscam palavras para expressar o seu amor e gratidão aos pais, eu busco demonstrar em forma de poesia, que você é muito querido.
Que diariamente me inspira a ser um ser humano melhor e mais generoso. Através dos teus exemplos tenho entendido que vale a pena ser uma pessoa honesta e que a dignidade é um dom, uma dádiva concedida àqueles que a buscam.
Você é a fonte de respostas para as grandes dúvidas que eu tinha. A luz para a minha vida, para o meu caminho, é um orgulho ter você como pai!
Feliz Dia dos Pais!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

AUTO UNION - II

Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

AUTO UNION

Tazio Nuvolari Auto Union Tipo D 1938 .



Alguns anos após o fim da Iª Guerra mundial , a Alemanha totalmente quebrada , unem-se quatro industrias automobilisticas com o símbolo dos Quatro Aros , eram a DKW , Audi , Horch e a Wanderer . Elas se fundem sob a denominação Auto Union . Não quero entrar aqui em celeumas , problemas políticos e quetais , o certo é que o novo governo apoiou o projeto da nova industria de entrar na categoria GP . Com a entrada de recursos é contratado o estúdio de Ferdinand Porsche , que à época tinha quase pronto um projeto de um carro de GP . Como vemos na foto do chassi abaixo , seu motor V 16 era colocado entre eixos , caixa de cambio de cinco marchas , suspensão independente nas quatro rodas . O motor V 16 com compressor tinha 68mm de diâmetro x 75mm de curso tendo assim 4.358 cc e desenvolvia 295 hp à 4.500 rpm . Seu tanque de combustível era entre o motor e o piloto . Nos primeiros testes , os pilotos demoram a se acostumarem a nova configuração , alem disso queixam-se da suspensão traseira com eixos oscilantes que provocam mudanças repentinas na cambagem assim provocando um grande sobresterço . Só que o carro era rapidíssimo e logo nos primeiros testes já podia mostrar seu potencial .


Hans Stuck num belissimo sobresterço num Tipo A 1934 .

 
Hans Stuck larga na dianteira no Circuito da Gavea , Trampolim do Diabo .

 

Mesmo com o problema da difícil saída de traseira Hans Stuck vence no primeiro ano algumas corridas como o GP da Alemanha em Nurburgring , de Berna na Suíça e alguns outros mais . Sem duvida Stuck foi o primeiro grande vencedor com esse carro mesmo tendo outros grandes pilotos na equipe a rivalizar , como o grande piloto Italiano Achille Varzi . Tudo mudou um pouco com a chegada em 1935 de Bernd Rosemeyer sem duvida alguma mais rápido que seus parceiros e alem disso queridissimo na Alemanha . A esta altura já correm com o Tipo B , com o mesmo motor V 16 tendo sua cilindrada aumentada para 4.951 cc com o aumento do diâmetro dos pistões para 72,5mm , girava esse motor à 4.800 rpm e ganhava quase 100 hp gerando 375 hp . Com esse carro Bernd venceu muito , alem de tudo era o piloto de exibição da fabrica e com ele ao volante foram quebrados muitos recordes de velocidade . Em 1936 o novo modelo Tipo C tem sua cilindrada aumentada para 6.005 cc com o aumento do diâmetro dos pistões para 75 mm x um curso de 85 mm gerando assim 520 hp à 5.000 rpm . Bernd , Stuck e Varzi continuam a vencer , concorrendo principalmente com as Mercedes e Alfa Romeo .


Bernd Rosemeyer e o Tipo C 1936 .


Bernd Rosemeyer



No ano de 1938 cria-se uma nova formula para os carros de GP , os motores passam a ter no máximo 3.000 cc e um limite mínimo de peso . Porsche deixa a Auto Union e o engenheiro Eberan von Eberhorst cria um novo carro tendo como base o antigo , o Tipo D de 1938 , seu motor agora era um V 12 com 2984 cc tendo o diâmetro de seus pistões 65 mm x 75 mm de curso . Com um compressor mais potente gerava esse motor 485 hp à 7.000 rpm . O novo carro tem os tanques de combustível laterais para tentar diminuir a saída extrema de traseira e encontra muitas dificuldades para vencer os rivais .

Tipo D 1938 , simplesmente lindo , só que já não era capaz de vencer seus adversários .


1938 começa difícil para Auto Union , o novo carro pouco competitivo frente aos adversários e seu grande piloto , que era chamado para bater todos recordes de velocidade , um habito constante para divulgação da marca , sofre um grave acidente com um dos Auto Union aerodinamicos , numa das rodovias expressas da Alemanha bate seu carro numa ponte a mais de 440 km/h eu escrevi quatrocentos e quarenta kilometros hora , vindo a falecer instantaneamente .

Bernd Rosemeyer num dos Auto Union aerodinamicos .

Outro dos modelos aerodinamicos .

Hans Stuck já não consegue fazer frente a seus adversários , com melhores carros e vence algumas corridas de menor importância . A morte de Bernd era muito sentida sob todos aspectos , quando ninguém menos que Tazio Nuvolari é chamado para tentar alguma reação . O Grande Tazio testa o carro já quase no fim da temporada , e vence triunfalmente o GP de Monza dando novo animo a equipe . Vence também outro GP e algumas corridas sem a mesma importância . Em 1939 com a Europa já tomada pela 2ª Guerra , Tazio vence uma ou duas corridas . Com o cancelamento das corridas de GP acaba-se também a grande marca , que em cinco anos , perpetuou seu nome na história do automobilismo .


O belo chassi do Auto Union Tipo C , o motor V 16 e o grande radiador dianteiro .




Dedico esta postagen a meus amigos Vera e Ricardo Bock , ele um grande admirador desse carro .
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

BUGATTI 251 Formula Um - II

BUGATTI 251 de 1956



Ia colocar como titulo desta postagen " O fim de uma era " mas como tratar dessa forma um construtor que tantas vitórias teve ao longo de sua carreira . Quantos carros vitoriosos Ettore Bugatti construiu desde os anos 20 do século passado ! Eram carros ágeis , bons de curvas e com motores potentes , que fizeram a marca vencer talvez milhares de corridas . E seus carros de passeio , preciosidades que serviam a Reis , Marajás , artistas famosos e a quem tivesse simplesmente uma fortuna para pagar por um deles .


Em 1956 , com a Formula I dominada pelas Mercedes , Ferraris , Alfa Romeo a Bugatti resolve fazer um carro para categoria . O carro projetado por Gioacchino Colombo , ex Alfa e Ferrari , tinha um motor de oito cilindros em linha e era colocado na posição central , diferente dos carros da época que o usavam na dianteira .

O motor era uma ligação de dois motores de quatro cilindros , unidos por um jogo de engrenagens que acionava os girabrequins , o cambio e os comandos de válvulas , duplos no cabeçote . O diâmetro dos pistões era 76 mm e o curso 68,5 mm , tendo assim 2.430 cc .


Usava quatro carburadores Weber , sua taxa de compressão era de 9:1 e Colombo garantia que com essa configuração desenvolveria à 8.500 rpm cerca de 275 hp , o que seria para época um forte motor .


Com o motor entre eixos , o carro era baixo e com uma curta distancia entre eixos . Como sabemos , os carros com curta distancia entre eixos , são carros dificílimos de conduzir em curvas de alta , que é onde vem os tempos . E ai que falhou este carro .

Suspensão traseira , com o tubo oco , molas e amortecedores .

A suspensão traseira De Dion, e dianteira era por eixos rígidos, ambas com tubos ocos à ligar cada roda, e ai movimentavam na dianteira feixe de molas e amortecedor , e na traseira molas helicoidais com amortecedores .

Suspensão dianteira , o tubo oco , e o balancim para liga-lo ao feixe de molas .


Cokpit e o motor , vejam o cronometro no centro do volante .


O carro foi levado para o GP da França de 1956 , disputado no circuito de Reins , e para pilota-lo ninguém menos que Maurice Trintignant , então o melhor piloto francês e primeiro piloto da Ferrari .


Só que simplesmente o carro não andava , com sua curta distancia entre eixos não era rápido o suficiente em curvas , e seu motor não tinha potencia suficiente para empurra-lo .


Trintignant tentando domar o Bugatti , aqui saindo de traseira .




Nem mesmo Trintignant , reconhecidamente um grande piloto , foi capaz de fazer andar um carro com tantos defeitos , ora saia de frente , ora de traseira e ainda por cima com um motor que nem chegava aos pés de seus concorrentes . Após algumas voltas , sempre andando lá atrás ele abandona a corrida .


Aqui numa saída de frente

NT: Postei novamente este post do ano passado por estar com sérios problemas na Internet.
        O 251 foi o ultimo carro sob o comando de um Bugatti a ir para pista, outro carro, um esporte foi feito na empresa mas não chegou às pistas. Logo depois a BUGATTI com problemas financeiros e disputas entre a familia seria vendida.   


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

FISSORE - por José Umaras



"Foi uma luta alucinante colocar o carro na linha de montagem e no Salão do Automóvel as pessoas se acotovelavam para admirar como eu que visitei o Salão com Vânia que óbvio, tb. ficou pasma, de mãos caídas, um carro fantástico, deixando os visitantes de queixo caído!!! A partir daquele dia, não tive mais paz, Vânia ficou fissurada pelo Fissore. Por que fui leva-la la?????

Com efeito, os diretores exultavam de tanto contentamento por colocar um produto de alto valor agregado, destinado aos abastados que não exitariam em abrir a carteira e levar para casa aquela fulgurante caixa de ferro e vidro de privacidade móvel permitida pela era do automóvel, brinquedo de 1070 quilos que dava lugar os jurássicos carrões americanos pretos que Vânia tanto abominava, era a maravilha das maravilhas de dois tempos. Assim, nos anos que se seguiram 2.489 felizardos vertiginosamente assumiram o volante do mais bonito carro da época, como era considerado (até hoje suas linhas são harmoniosas e ninguém pode afirmar que seu estilo é feio).
Todavia, o tempo é implacável. Muitas dessas maravilhas estão preservadas como os da lista que tenho, (lógico, alem de outros DKWs, mas o Fissore, era o caçula, o temporão, elogiado e criticado, ate mesmo pelo lendário Jorge Letry e muitos outros. Nem todos preservaram essa maravilha de dois tempos..... para provar é só olhar o que fizeram aos pobre coitados e nasceram, viveram e morreram (outros até sofreram crueldades de foram desvirtuados e mutilados!!) como que indigentes....
Tempos turbulentos e emocionantes aqueles.... um tempo vindo e findo que deixou saudades..."
José Umaras
 
 



Recebi do Sr José Umaras o livro em que ele conta sua carreira na VEMAG, com a Internet em casa movida a lenha tive tempo de ler boa parte e destaquei este pedaço em que ele visita o Salão do Automovel em que o Fissore foi exposto. Aproveito para mostrar um pouco do carro que o Carlos d Paula se diz admirador. Obrigado Umaras. Rui Amaral Jr

quinta-feira, 29 de julho de 2010

ATITUDE VERGONHOSA II

A Jim que nunca precisou de ordem da equipe para ultrapassar ninguem, aqui com Chapman. 
A Gilles que a Ferrari preteriu por Scheckter no titulo de 1979 e continuou a defender a marca com garra e determinação. Foto na CanAm.

Continuar ou não assistindo a Formula Um? Confesso que a idéia já passou por minha cuca, mas antes de tudo sou maluco por automobilismo gosto quando vejo um piloto na classificação andando no limite, ainda hoje me empolgo quando vou a uma pista e vejo e sinto alguém andando forte e rápido, com garra, vontade, não apenas querendo vestir macacão e capacete para aparecer e depois dar umas voltinhas pelo padock com ares de piloto. Compreendo até esses alicatões, tal o fascínio que uma pista de corrida e um carro preparado trazem a qualquer um que admire o esporte. Admiro grandes pilotos, pilotos que batalharam para estar nas pistas, principalmente porque sei quanto é difícil estar no esporte ainda mais se destacar. Com alguns deles tenho amizade, talvez com muitos e gosto muito de conversar sobre o assunto, papos intermináveis, algumas diferenças eternas mas sempre com uma troca saudável informações e conhecimento, e muita fofoca também.
Quem viu e andou na pista perto desses caras pode saber o exato tamanho de suas habilidades, Luiz - Luiz Pereira Bueno -, Guaraná - Alfredo Guaraná Menezes -, Chico - Francisco Lameirão - Paulão - Paulo Gomes - e tantos outros. De meus amigos mais chegados, o Chico não conta pois ele não usa o computador e não vai saber o que escrevi, admiro todo empenho que alguns deles sempre tiveram para estar nas pistas. O Teleco-Luiz Antonio Siqueira Veiga - foi para Inglaterra correr de Formula 3 logo no inicio da carreira e lá andou bem, o Julio Caio - Azevedo Marques - depois de andar bem de SuperVê por aqui tentou a Formula 3 também na Inglaterra e sem equipe retornou apesar de ter andado bem nas poucas corridas que fez. O Jr. - Luiz Carlos Lara Campos Junior - e o Ferraz - José Ferraz - sempre batalhando por um lugar ao Sol. Com os dois corri na Divisão 3 , o Jr deixou escapar varias vezes o titulo da categoria, vencendo e correndo com garra, dando espetáculos.



O Ferraz criando uma categoria, a Formula Super 1.600 para depois de algumas temporadas se tornar campeão dela, com bons desempenhos, vitórias e uma dificuldade constante para se manter correndo, depois tentou a Formula 3.000 mas essa é uma outra história que um dia ele nos conta. Admiro e respeito vários outros amigos que comigo correram e se dou apenas esses como exemplo é porque alem de minha admiração e carinho não vou ter que escutar as broncas e lamurias deles pelo telefone ou pessoalmente.

Julio Caio na F 3, liderado por Brian Henton ele vem no carro #85 do Tean Brasil. Uma história que gostaria de contar quando reencontrar o Julio.

Sei o quanto é difícil se manter nas corridas ainda mais depois de se chegar ao topo, a categoria máxima do automobilismo e por uma equipe de ponta. Dos compromissos extra pista, da difícil batalha de acertar um carro, de como são feitos os contratos entre equipes, pilotos e patrocinadores. Nós aqui no Brasil estávamos mal acostumados, pois desde que Emerson mostrou ao mundo todo seu talento tivemos em seqüência mais dois pilotos espetaculares, ambos com toda sua garra e determinação foram buscar mais seis títulos mundiais. Eram talentos naturais, pilotos de ponta, que em suas épocas batalharam com os maiores, as vezes dentro da própria equipe, e se destacaram. Quem não lembra de Emerson em 1973 campeão do mundo brigando por vitórias com Ronnie Peterson, depois de Senna com o campeão Francês, tipo parecido com Alonso e Schummi.
Senna se foi, como Clark, Rindt e tantos outros, no lugar que era dele de direito, na ponta, e a mídia televisiva, essa mídia que distorce e fala tanta bobagem, não tem nenhum compromisso com a verdade, só com interesses comercias, precisava urgentemente “encontrar” outro grande campeão.
Aí entra Rubens Barichello que vinha fazendo uma boa carreira, mas sem ser uma Brastemp, sem o mesmo carisma de Ayrton, muito menos a grande bota, cai na armadilha e tenta ocupar um lugar que não era o seu. Piloto competente ele sempre foi, talvez até rápido mas sem carisma para substituir os três grandes campeões. Acreditou nos papagaios de pirata e quase fica pelo meio do caminho, hoje na Willians acredito que se achou e faz talvez a melhor temporada de sua carreira.
No meio disso tudo a Ferrari. Ah! A Ferrari! Sua proprietária a FIAT tem no Brasil o seu segundo mercado e sem duvida alguma o mais lucrativo, talvez a China nos suceda um dia mas lá a competição é mais acirrada e o preço dos carros não é absurdo como aqui. Precisando um piloto Brasileiro seu caminho natural era o Barichello que foi para lá com ninguém menos que o Alemão, pupilo do Sr. Briattore, bi campeão do mundo com manobras “arriscadíssimas”, num esquema montado pela equipe com Jean Todd como chefão e Ross Brawn como principal projetista/estrategista. No ano anterior acredito que a equipe tenha jogado fora o campeonato de Irvine por não ter o mínimo interesse comercial nele. Chega Barichello e nossa imprensa bradava aos quatro ventos que vinha em condições de igualdade com Schumacher etc. etc. e tal. Eu e muita gente sabíamos a verdadeira posição dele na equipe e a sucessão de vexames dele lá mostrou a verdade. Muitos falam da Áustria e as outras? Brasil quando faltou combustível, Indianápolis no reabastecimento e inúmeras outras vezes.
Sai Barichello e vem o “irmãozinho” de Schummi, o Massa, piloto representado por Nicolas Todd e contratado por seu pai para a equipe. Começa novamente toda ladainha de nossa imprensa, os papagaios se alvoroçam no poleiro, logo teremos um campeão que nos fará esquecer todos esses anos e de novo etc. etc. e tal. O Alemão se aposenta e no lugar dele entra Haikonenn, herda todo esquema que era do Schummi e apesar de toda vodka se torna campeão do mundo. Massa ainda acompanha o Finlandês, anda nos mesmos tempos e quase vence o titulo em 2008. Mas aí chega o Espanhol, bi campeão do mundo, começa colocando tempo no Brasileiro e se impondo como na entrada dos boxes na China.
Até o lamentável episodio do GP da Alemanha quando não querendo se arriscar numa ultrapassagem, dá para quem quisesse ouvir uma ordem para que Massa abra o caminho a ele, já que tem todos privilégios da equipe. E o “irmãozinho” de Schummi obedece, faz cara feia mas obedece, ganha milhões para isso, obedecer e se curvar ao Espanhol, aceitar as mais absurdas ordens da equipe sem contestar.
Não vou comentar o que disseram Montezemolo e todos envolvidos, seria jogar perolas aos porcos, mas espero da FIA uma punição exemplar aos dirigentes, pilotos e equipe. Para o bem não apenas da Formula Um mas de todo e qualquer lugar onde tenha uma pista e se pratique o automobilismo.



Dedico esta postagem a todos meus amigos que escreveram sobre o tema até com mais propriedade que eu e com a mesma indignação: Cezar, Francis, Rafa, Mauricio, Zullino, Joel e Fernando. Aos amigos que comentaram o post anterior. 
E a meus amigos que dividiram comigo grids, quebras, frustrações e vitórias nessa carreira tão difícil quanto apaixonante.


PS: O Joca acaba de postar um texto do Ricardo Achcar imperdivel para quem conhece e gosta de automobilismo.  http://mestrejoca.blogspot.com/2010/07/com-palavra-ricardo-achcar.html .
Um abraço aos dois.