A VERDADE NÃO SERIA BASTANTE PLAUSÍVEL SE FOSSE FICÇÃO - Richard Bach

quinta-feira, 18 de março de 2010

BRITISH GP BRANDS HACTH 1966. - por Henrique Mércio

UM DIA EM JULHO...


Brands Hatch, perto de Kent, 1966. Na bela pista cujo desenho acompanha a topografia do local reunem-se vinte pilotos prontos para encarar o desafio de 80 voltas. Ocupando a pole position está o líder do campeonato, o australiano Jack Brabham. Antigamente a expressão austera, os cabelos pretos e a tendência ao isolamento e silêncio levaram os colegas a apelidá-lo “Black Jack”, mas os tempos eram outros. Agora próximo de completar 40 anos, Brabham luta contra seus próprios fantasmas: quer vencer um campeonato pilotando um carro que leva seu nome e provar aos críticos que consegue ser tão veloz quanto seus companheiros de equipe. A Fórmula 1 já demonstrava nessa época uma característica de nossos dias: o imediatismo. Não importa o seu histórico de vitórias e conquistas; você será avaliado pela corrida de ontem. E se as coisas não andam boas, terá uma nota baixa. Mas contudo, o velho bicampeão parece estar tão bem como nunca. A temporada de 1966 é uma temporada de transição. As regras foram mudadas e todos tiveram de passar para motores de até 3 litros, fazendo surgir as combinações mais estapafurdias como Lotus-BRM, Cooper Maserati, Brabham-BRM e até Cooper Ferrari. Só que a Equipe do Cavalinho Rampante, principal avalizadora de tais mudanças, como soe acontecer, não estava obtendo os resultados esperados. Tudo o que conseguiu foi que seu temperamental campeão, John Surtees fosse embora da equipe. Outros favoritos potenciais também tem seus problemas: Graham Hill chegou ao limite com a BRM. Dentro de um ano estará ao lado de Clark na Lotus. O escocês por seu lado, está às voltas com a defasada Lotus Climax 33. A opção é a Lotus BRM 43, o típico carro complicado. Gurney está envolvido com o desenvolvimento do belo (e igualmente complicado) Eagle Climax. Stewart ainda está cercado de pilotos de maior envergadura e capacidade do que ele. Terá melhor sorte no futuro, quando lutará contra jovens lobos, ao lado dos quais será o mais experiente e por fim, Jochen Rindt, sempre veloz mas penalizado pelo seu próprio destempero. Resta Brabham, com seu motor Repco, derivado de um bloco de alumínio Buick-Oldsmobile V8. Embora visto com desdém pela concorrência, o Brabham Repco BT19 mostrou seu valor no GP da França, dando a Jack sua primeira vitória desde 1960. Evitando comparações desfavoráveis, o companheiro de equipe de Brabham é o neozelandês Denny Hulme. Discreto como o patrão, Hulme vai ajudá-lo na conquista do tri. Depois, pensará em si próprio. Há um vácuo de poder do qual o australiano quer tirar partido.

Jack Brabham seguido de Dan Gurney, Denis Hulme, Jim Clark e John Surtees.  

 Largada: “Old Jack” dispara na ponta querendo provar que Reims não foi um acaso e que ele tem nas mãos um “cavalo vencedor”. Gurney vem logo a seguir, mas não passará da 9ª volta. Denny Hulme o acompanha obedientemente enquanto os demais se engalfinham. Como demonstração inequívoca de superioridade, os Brabhams são os únicos que completam as 80 voltas e Black Jack mete 9.6 em cima de Hulme, na maior sem-cerimônia, além de cravar a volta mais rápida com 1`37 “duro”. Na briga pelas migalhas, Hill e o BRM P-261 levam vantagem ante Clark e a Lotus Climax. Depois vem Rindt e Bruce McLaren e o McLaren-Serenissima. Após a bandeirada, não há mais dúvidas. Black Jack está de volta, embora os cabelos já não sejam tão pretos. Venceria mais dois GPs e terminaria o ano tricampeão. O motor Repco enfrentaria o mitológico Ford Cosworth nas pistas no ano seguinte e sairia vencedor devido a sua regularidade. Seria sua última façanha, mas o nome de Brabham já estava consagrado como piloto-construtor.


Bruce MacLaren, MacLaren/Serenissima e Denis Hulme, Brabhan/Repco.  

Jack Brabhan e Jochen Rindt Cooper/Maserati.  

Graham Hill, BRM. 

Graham Hill seguido de Jackie Stewart BRM, JimClark Lotus/Climax e Peter Arrndel de Lotus/BRM.  

John Surtees e Jochen Rindt ambos de Cooper/Maserati. 
Dan Gurney de Eagle/Climax e John Surtees Cooper/Maserati.

Hill, Hulme e Clark.

Rumo ao Tri Campeonato Jack Brabham recebe a bandeirada da vitória.




Brabham carro e piloto uma dupla vencedora.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Mercedes Benz GP Petronas no Bahrain

Nico estava feliz com seu primeiro Grand Prix com a equipe: "Eu tive um ótimo começo de corrida e fiquei feliz de ser quarto no final da primeira volta, após ter ultrapassado Lewis na curva seis. No entanto, faltava-me  ritmo com os pneus de opção dura e me esforçei para manter o ritmo no primeiro turno. Lewis bateu-me sobre a estratégia no pit stop o que é preciso analisar para ver o que aconteceu. O quinto lugar é um bom começo para nós e nós podemos realmente construir a partir daqui."

Em seu retorno as corridas, Michael ficou satisfeita com o seu ritmo de corrida, e confiante que a equipa vai continuar a insistir: "Após três anos afastado, estou feliz em dizer que me diverti lá fora hoje. Posso viver muito bem com a sexta posição e dá a mim e à equipe uma boa base para progredir. Tenho toda a confiança de que vamos melhorar o carro. Os caras fizeram um grande trabalho e eu gostaria de agradecer-lhes por seu apoio na minha corrida retorno. Todos nós sabemos que temos um caminho a percorrer, mas vamos chegar lá. A temporada é longa."



Dear Rui,

Double points finish in Bahrain

Nico and Michael brought their Silver Arrows cars home in fifth and sixth positions at the season-opening race in the scorching heat of the Bahrain desert on Sunday afternoon. The result sees MERCEDES GP PETRONAS in third position in the Constructors' Championship with 18 points.

Nico was happy with his first Grand Prix with the team: "I had a great start in the race and was happy to be running in fourth by the end of the first lap, having overtaken Lewis into turn six. However I lacked pace on the option tyres and struggled for pace on the first stint. Lewis beat me on strategy in the pit stop which we need to analyse and see what happened. Fifth place is a good start for us and we can really build from here."

At his comeback race, Michael was satisfied by his race pace and confident that the team will keep pushing: "After three years away, I'm happy to say that I had fun out there today. I can live very well with sixth position and it gives both me and the team a good base to make progress. I have every confidence that we will improve the car. The guys did a great job so I would like to thank them for their support in my comeback race. We all know that we have some way to go but we will get there. The season is long."

PATROCÍNIO

Dois amigos meus procuram patrocínio para colocar seus carros nas pistas, ambos na Clássicos de Competição. Orlando Belmonte Jr tenta novamente trazer para nós a emoção de ver na pista um autentico VW D3, comprou de volta o carro com que tinha corrido na categoria na década de 80, quando disputamos juntos algumas provas da TEP a D3 corrida em São Paulo e depois continuando sua carreira com o mesmo carro na Hot Car. a D3 que corria no Campeonato Brasileiro. Na época correu com sucesso e pretende voltar com a mesma garra e vontade de antes.
Lá de Santa Catarina o Francis Henrique, vai colocar também um VW para correr a Clássicos porem na terra. O automobilismo Catarinense na terra é fantástico aprendi a gostar no blog de meu amigo. O carro ele já tem agora falta patrocínio para fazer as corridas.
Ao Orlando meu velho amigo e ao Francis um novo amigo, deixo aqui meu apoio e vontade de ajudar no for preciso para que eles mostrem a nós toda força que os VW tiveram nas pistas Brasileiras.


                http://orlandobelmontejr.blogspot.com/2010/03/divisao-3-na-pista-parte-2.html


                           http://poeiranaveia.blogspot.com/2010/03/quanto-custa-um-sonho.html 

segunda-feira, 15 de março de 2010

QUANDO A FORMULA UM ERA UMA CORRIDA.

Lauda voando em Nurburgring.

Briga pela ponta no GP da Inglaterra de 1966.
(Sei quem são os pilotos e carros, alguem se habilita a decifrar?)  

Não bastasse o absurdo do Kers no ano que passou, agora o Sr. Bernie Eclestone quer criar atalhos nas pistas para os pilotos cortarem caminho e fazerem ultrapassagens. Será que entendi direito??? É o cumulo!!! A meu ver é a escalada absurda de custos, os freios de um Formula Um custam quase o que custa um carro da Indy, o gasto com túnel de vento para determinar aqueles apendices aerodinâmicos horríveis tem o custo igual ou maior que o orçamento total das equipes de F. Indy. Aquela frente de tubarão horrorosa que torna todos caros parecidos e contribui e muito para que ninguém consiga usar o vácuo para ultrapassar. Tudo facílimo de ser resolvido, um chão plano do começo ao fim do carro, aerofólios e spoilers sem apêndices, spoilers que hoje custam US 400.000 cada é um absurdo!
E tudo facílimo de ser resolvido e vem você agora Bernie querendo criar atalhos? Ora Bernie vá plantar batatas! Faça alguma coisa pelo esporte que você matou para ficar bilionário.

Queremos ver carros e pilotos que possam fazer ultrapassagens, igual a uma que vi o Emerson fazendo sobre o Stewart na freada do “Sargento”, queremos nos maravilhar com o Vettel na classificação e na corrida e não ver outra bobagem criada de sua cabeça voltada a tirar sempre alguma vantagem de uma situação criada por você mesmo.

INDY 300

Will Power
Gostei, não vou elogiar aqui nenhum político até porque não existe hoje em nosso pais algum que mereça. Mas a iniciativa da BAND em trazer para São Paulo a primeira etapa da Indy foi um sucesso. O local talvez não fosse o mais indicado para uma pista, mas toda infra-estrutura local com hotel, o enorme pavilhão de exposições servindo como garagem e centro de toda atividade foi sem duvida muito bem vindo. A pista tinha ondulações como algumas onde a categoria corre nos EUA e ficou boa, com uma enorme reta, e aquela passagem pelo Sambodrómo. A emissora montou uma grande estrutura para a transmissão que ficou boa. Agora, já que meus amigos tocaram no assunto em comentários no post anterior, gastar a fabula que gastaram, trazer o Felipe Giaffone e o Celso Miranda que entendem do assunto como comentaristas e entregar a narração a um Sr. totalmente desqualificado para tal é o fim do mundo, certo que ele fez história na narração, vide a Formula Um com um seu “discípulo”, mas nossos finos ouvidos acostumados a roncos dos mais fabulosos motores não mereciam.



O acidente na largada


A Formula Indy apesar de não ter toda tecnologia da Formula Um é uma categoria muito mais competitiva, onde existem ultrapassagens e os carros são mais semelhantes em desempenho, vide as belas brigas que aconteceram durante a corrida.



O temporal que interronpeu a corrida por algum tempo.


A corrida foi boa, achei que o Tony cozinhava os ponteiros para dar o bote mais à frente, pena o acidente, Will Power e Hunter-Reay andaram bem, tendo o vencedor dado o bote e tomado a ponta poucas voltas antes do fim, algo inconcebível na Formula Um atual, gostei de ver a Simona de Silvestro andando bem, a Danica fez algumas belas ultrapassagens e a Bia fez a corrida que as condições e o equipamento deixaram, espero vê-la no campeonato todo. Vitor Meira no pódio foi um premio merecido a ele que tanto batalhou em anos anteriores e Raphael Matos no quarto lugar mostra que Gil de Ferran como dono de equipe veio para ficar, ele que é um grande campeão e um super sujeito.


Simona de Silvestro com esperteza liderou algumas voltas.

Tony Kanaan


No final duas boas entrevistas com o Tony e a Bia, falaram como pilotos sem desculpas e sem aquela grande empáfia que hoje domina os pilotos da Formula Um.
 
  
             Resultado final 
 
 
1. Will Power (AUS/Penske): 2h00min58s
2. Ryan Hunter-Reay (EUA/Andretti): +1s8581
3. Vitor Meira (BRA/AJ Foyt): +9s7094

4. Raphael Matos (BRA/De Ferran Luczo Fragon): +10s4235M

5. Dan Wheldon (ING/Panther): +10s8883

6. Scott Dixon (NZL/Chip Ganassi):
7. Dario Franchitti (GBR/Chip Ganassi): +12s0579

8. Mike Conway (GBR/Dreyer & Reinbold): +12s1654

9. Helio Castroneves (BRA/Penske): +12s7411

10. Tony Kanaan (BRA/Andretti): +13s4850

11. Justin Wilson (GBR/Dreyer & Reinbold): +13s9193

12. EJ Viso (VEN/KV Racing): +16s9039

13. Bia Figueiredo (BRA/Dreyer & Reinbold): +19s6451

14. Ryan Briscoe (AUS/Penske): +1min14s9191

15. Danica Patrick (EUA/Andretti): +1 volta

16. Simona de Silvestro (SUI/HVM): +3 voltas
 
 
FOTOS: TERRA MAGAZINE 

domingo, 14 de março de 2010

Vettel

Rosto de garoto travesso, um pé pesado e uma cabeça boa Tião Vettel é sem duvida o nome que faltava à Formula Um. Dominou a primeira etapa com uma tranqüilidade impressionante, impôs seu ritmo forte à corrida e adptou-se plenamente a nova regra, vai fazer muito ainda nesse Campeonato que comemora os 60 anos da Formula Um. Venceu Alonso mas o nome da corrida sem duvida alguma foi Vettel.



Tenho o salutar habito de ver a F I com o som desligado da emissora que a transmite para o Brasil, mas hoje ao mexer no som no inicio da corrida ouvi uma voz familiar, não acreditei e aumentei o volume, era ninguém menos que Emerson Fittipaldi comentando o inicio da corrida. O Grande Emerson, o Talentoso Emerson, o sempre Campeão Emerson que foi ao Bahrein para junto com todos ex campeões mundiais de Formula Um serem homenageados, a foto deles todos juntos emociona. No final de sua participação Emerson falou com carinho de seu Chico, Luizinho, Bird, Pace visivelmente emocionado e foi embora deixando a nós a vontade de continuar a ouvi-lo.

Alonso foi irrepreensível, se impôs a Massa logo na largada e ficou em segundo, já conformado quando ocorreu a quebra no carro de Vettel, Gostei muito da corrida de Rubens Barrichello e foi bom ver o Kubica voltar a andar bem, o Sutil foi bem no começo. Nico se impôs ao Schummi ambos com uma corrida protocolar. Duas decepções para mim foram Button e Webber, achava sinceramente que Button iria andar junto a Hamilton e Webber apesar da fumaceira do inicio da corrida ficou muito atrás de Vettel sempre. Depois que o Emerson saiu voltou o festival de besteiras de sempre, e até perceber que o controle estava em minhas mãos ouvi o besteirol de sempre, me admira o Sr. Reginaldo Leme, que acompanha e conhece muito.
 
    Resultado final:


1 - Fernando Alonso (ESP/Ferrari) - 1h39min20s396

2 - Felipe Massa (BRA/Ferrari) - + 16s099

3 - Lewis Hamilton (ING/McLaren) - + 23s182

4 - Sebastian Vettel (ALE/Red Bull) - + 38s713

5 - Nico Rosberg (ALE/Mercedes) - + 40s263

6 - Michael Schumacher (ALE/Mercedes) + 44s180

7 - Jenson Button (ING/McLaren) - + 45s260

8 - Mark Webber (AUS/Red Bull) - + 46s308

9 - Vitantonio Liuzzi (ITA/Force India) - + 53s089

10 - Rubens Barrichello (BRA/Williams) - + 1min02s400

11 - Robert Kubica (POL/Renault) - + 1min09s093

12 - Adrian Sutil (ALE/Force India) - + 1min22s958

13 - Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso) - + 1min32s656

14 - Nico Hulkenberg (ALE/Williams) - a uma volta

15 - Heikki Kovalainen (FIN/Lotus) - a uma volta

16 - Sebastien Buemi (SUI/Toro Rosso) - a três voltas

17 - Jarno Trulli (ITA/Lotus) - a três voltas
 
 
                                              INDY 300
 
Agora vamos à INDY, som novamente devidamente desligado, ver a corrida de rua. Parece que a prefeitura e organizadores conseguiram colocar a pista em melhores condições que ontem. Eu vou torcer pelo Tony que larga na segunda posição, gosto dele, e torcer também que não caia aquele toró que o calor está prenunciando. Quero dar meus parabéns à direção da Band pelo belo espetáculo que conseguiram trazer a São Paulo, apesar de achar que haveria de ter um local melhor para a corrida.
 

                 GRID
1. Will Power (AUS/Penske): 1min31s2980
2. Tony Kannan (BRA/Andretti): 1min31s3403
3. Ryan Hunter-Reay (EUA/Andretti): 1min31s3858
4. Justin Wilson (GRB/Dreyer & Reinbold): 1min31s5380
5. Dario Franchitti (GBR/Chip Ganassi): 1min31s5788
6. Raphael Matos (BRA/De Ferran Luczo Dragon): 1min31s5930
7. Scott Dixon (NZL/Chip Ganassi): 1min31s6062
8. Alex Tagliani (CAN/FAZZT Racing): 1min31s6969
9. Marco Andretti (EUA/Andretti): 1min31s8503
10. Helio Castroneves (BRA/Penske): 1min31s8565
11. Ryan Briscoe (AUS/Penske): 1min31s9878
12. Danica Patrick (EUA/Andretti): 1min32s1665
13. EJ Viso (VEN/KV Racing): 1min32s2136
14. Dan Wheldon (GBR/Panther): 1min32s2469
15. Vitor Meira (BRA/AJ Foyt): 1min32s6553
16. Simona de Silvestro (SUI/HVM Racing): 1min32s6710
17. Takuma Sato (JAP/KV Racing): 1min33s0667
18. Alex Lloyd (GBR/Dale Coyne): 1min33s1112
19. Mike Conway (GRB/Dreyer & Reinbold): 1min33s1460
20. Hideki Mutoh (JAP/Newmann-Haas): 1min33s1872
21. Mario Moraes (BRA/KV Racing): 1min33s7353
22. Mario Romancini (BRA/Conquest): 1min36s2038
23. Bia Figueiredo (BRA/Dreyer & Reinbold): 1min38s7247
24. Milka Duno (VEN/Dale Coyne): 1min39s5075

sábado, 13 de março de 2010

As carreteras de Passo Fundo e seus audazes pilotos - Relembrando XVI

A postagem original  de Graziela Rocha é do dia 8 de Novembro de 2009, e recebemos à pouco a foto do Governador Walter Jobim dando a bamdeirada a um dos participantes. Agradecemos esse privilégio ao Museu Hipólito José da Costa - MUSECOM - e a Sra Denise, Coordenadora do Acervo Fotográfico.  


Inicio descrevendo-as

As carreteras, carros de corrida que iniciaram as competições automobilísticas em Passo Fundo derivaram das "baratas" (coupes) Ford e Chevrolet dos anos 1937 a 1940, de onde eram retirados pára-lamas, pára-choques, bancos e outros itens, com modificações em suspensões, freios e motores num primeiro estágio. Seu nome, herdado dos "hermanos" argentino-uruguaios significa estrada/rodovia.

Um pouco da história

Quarta-feira, 14 de abril de 1926, o jornal O Nacional então bi-semanário noticiava a vitória fácil de uma baratinha amarela (possivelmente uma Ford), num desafio em plena Avenida Brasil centro.

Em 15 de junho de 1928 o mesmo jornal, O Nacional, noticiava a mais longa disputa automobilística do Estado, até então.

Itinerário

Júlio de Castilhos a Passo Fundo com retorno a Júlio de Castilhos até a praça central.

Distância

586 km por um caminho ao longo da via férrea.

Vencedor

Carlos Fumagalli, com Ford contra Cyrus Bastos, com Chevrolet.

A relação entre as notícias, Passo Fundo entrando de pé embaixo nas competições. E no noticiário jornalístico sobre automobilismo, desta vez com repercussão estadual.

Como seria o futuro

O Desenrolar

O próximo evento, envolvendo nossa cidade, ocorreu no circuito do Cristal, em Porto Alegre, no dia 18 de julho de 1943, quando realizou-se a prova para carros movidos a gasogênio - gás pobre produzido pela queima de lenha ou carvão em equipamento pesadão, anti-estético, anti-aerodinâmico, colocado geralmente na traseira das baratas.

Com todos os anti-contra, o gasogênio possibilitou que parte dos automóveis, pick-ups e caminhões continuassem rodando sem a gasolina que era toda importada, consequência da 2ª Grande Guerra Mundial.

O grid de largada foi ótimo, pois 20 e tantos carros alinharam. Ary Burlamaque foi exceção correndo por Passo Fundo com Oldsmobile 1942 e gasogênio à lenha, fabricado pela Indústria Menegaz de nossa cidade. Outro passo-fundense que alinhou foi Guaraci Almeida Costa. Nossos representantes não conseguiram as melhores colocações. Mas os futuros pilotos da terra começaram a fazer o dever de casa. Adquiriram suas baratas, desenvolveram conhecimentos mecânicos, testaram, experimentaram e deram-se por preparados para os embates que aconteceriam ali na frente.

A consolidação

E o grande dia chegou. Era 29 de setembro de 1948, domingo de manhã quando foi dada a largada para a Copa Rio Grande do Sul, na distância de 824 km com saída em Porto Alegre, passando por Caxias, Vacaria, Lagoa Vermelha, Passo Fundo retornando à capital do Estado. O grande vencedor foi Alcídio Schröeder representando Passo Fundo com carretera Ford, que lutou quase 9 horas contra chuva, barro, pouca visibilidade e um ferrenho piloto adversário. Recebeu a bandeirada do então governador do Estado, Walter Jobim. O Leão da Serra, como era conhecido Alcídio, foi o piloto pioneiro da capital do Planalto Médio e passou para os demais, seus predicados, na condução dos bólidos.No ano seguinte, 1949, Aido Finardi, o Rei das Curvas, deu continuidade à participação de pilotos de Passo Fundo em provas automobilísticas.

         Governador Walter Jobim dá bandeirada de largada, a carretera nº 2 arranca na frente.
           (Foto cedida pelo Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, Porto Alegre-RS)

                                                          A Evolução dos Motores


As carreteras Ford que usavam motores V8 59A e 8BA, inicialmente, passaram a usar o equipamento EDELBROOK com dois ou três carburadores o que elevava substancialmente os HP. Usaram depois os motores Ford 272, 292 e 302. A carretera Chevrolet melhorou muito com o cabeçote WAINE, mas deu salto importante quando usou motor V8 Chevrolet/Corvette. Passando a ser candidata a vitória em todas as provas que disputou.


Outras melhorias


Endureceram-se as suspensões, colocando-se mais um amortecedor por roda. A luta com os freios continuava inglória, bem como, contra o aquecimento. Colocaram-se tanques e bomba manual para injetar água no circuito na tentativa de resfriar os motores. Lá pelas tantas apareceu a câmara de ar dupla, que em caso de furo dava um tempo extra para o piloto/co-piloto.

As caixas de câmbio originais de três marchas foram substituídas algumas vezes pelas caixas de quatro marchas dos carros Jaguar.





A grande mexida no Chassi/Carroçaria


Aconteceu com a vinda do ótimo piloto argentino Juan Galvez, que disputou o 8º Circuito da Pedra Redonda - Porto Alegre - em 14 de julho de 1957 e que ganhou com sobras com carretera Ford. Terminada a prova, os pilotos gaúchos e a imprensa assimilaram o que o 'hermano' ensinou: "Hay que sacar hierro". As carreteras gaúchas transportavam mais ou menos 300 kg dispensáveis completamente e que foram eliminados com rapidez depois do ensinamento de Galvez com o uso de furadeiras elétricas portáteis e brocas afiadas.



A quadriculada agitou-se mais seguidamente


Somando-se as participações dos nossos pilotos, competimos no período de 1948 a 1962, em 73 provas disputadas, com 14 vitórias, 12 segundos lugares, 18 terceiro lugares, 11 quarto lugares e 9 quinto lugares como resultados mais expressivos, para os pilotos de Passo Fundo.



Ficaram na história os seguintes pilotos


Aido Finardi - Alcídio Schröeder - Daniel Winik - Ítalo Bertão - Orlando Menegaz - Sinval Bernardon.



As vitórias que mais ecoaram foram


- novembro de 1957: Mil Milhas Brasileiras (Interlagos), vencida por Orlando Menegaz e Aristides Bertuol com a Chevrolet Corvette de Bertuol representante, de Bento Gonçalves-RS;


- novembro de 1961: Mil Milhas Brasileiras (Interlagos) vencida por Ítalo Bertão e Orlando Menegaz com a Chevrolet Corvette da dupla passo-fundense;


- Orlando Menegaz foi o único piloto interiorano, a ganhar duas vezes as Mil Milhas de Interlagos, a prova mais importante do País.



O fim da era gloriosa


Aconteceu a partir da vitória da dupla Chico Landi e Jan Balder com BMW-2002 no circuito da Pedra Redonda (Porto Alegre) em 11 de agosto de 1968. O carro importado, de ótima mecânica, freio a disco nas quatro rodas e caixa de cinco marchas e pesando pouco.

A superioridade da BMW foi flagrante. Simultaneamente, por causa de acidentes, em provas anteriores era proibida a realização de corridas em ruas.Assim brusca e melancolicamente encerrou-se fase importante do automobilismo gaúcho, não sem antes revelar competentes mecânicos preparadores e exímios e audazes pilotos. Com isto abriu-se o caminho para os autódromos de Guaporé e Tarumã. As carreteras ainda hoje despertam os mais variados sentimentos. Nas crianças: medo (pelo ronco) e espanto. Nos jovens: curiosidade dada à aerodinâmica, e nos contemporâneos muitas lembranças que mexem com as emoções, não raras vezes levando às lágrimas.

Daniel Winik é o único piloto ainda vivo. Ele garante que relembrar é viver, sem dúvidas, ainda que as emoções sejam demais, ainda hoje, meio século passado.

Histórias e mais histórias, as brincadeiras que estes audazes e corajosos pilotos faziam, no mínimo, nos deixa saudade.



Curiosidades ligadas as carreteras e seus audazes pilotos.



- Orlando Menegaz foi o primeiro piloto gaúcho a usar cinto de segurança abdominal (tomado 'emprestado' de um avião DC-3 da Varig em vôo de Chapecó à Passo Fundo). Seus colegas recomendaram que não o usa-se, pois em caso de acidente ele estaria 'amarrado'. E o perigo de incêndio era muito grande;

 
- a famosa carretera Chevrolet/Corvette de números 9, 4, 24 ou 1 desafiada para correr contra um cavalo, de Vacaria-RS, na distância de 100 metros. Após vários testes, Orlando não topou a parada, ele soube antecipadamente do tempo do eqüino... A aposta era polpuda;



- Orlando com a poderosa carretera Corvette foi desafiado por Daniel Winik que correria a pé desde que Orlando largasse de 'capivara' (virado ao contrário). Ninguém explicou nunca o porquê do nome.
Local da largada ponte do Passo até o posto de gasolina na Avenida Brasil a subir, na distância de mais ou menos 300 metros. Tiro dado, os contendores foram à luta. Resultado, Winik ganhou com Orlando nos seus calcanhares.Orlando que ouvia mal, alegou que não ouviu o tiro, da largada, de revólver. Como desculpa;

                          Orlando Menegaz e parte de seus troféus - fazenda no Espírito Santo

- Winik ganhou outra aposta desta vez do Aido Finardi, cuja carretera disputava a Força Livre. Estabelecidos handicap (vantagem), hora e local os contendores apresentaram-se. A condição era que Winik não mexesse no motor de sua carretera que era Standard o que ele cumpriu, mas em compensação retirou a carroçaria completa, por recomendação do Orlando. Como o tiro era curto, Winik ganhou mesmo sentado num caixote e acelerando através de um arame. Aido pagou o churrasco alegando sempre que foi enganado;

- Winik disputou a 1ª Mil Milhas Brasileiras em Interlagos em novembro de 1956 com sua carretera Ford Nº. 34. Como foi rodando de Passo Fundo à São Paulo e para não ter problemas na estrada municiou-se com licença especial... O exímio Sinval Bernardon foi o co-piloto;
 - Outra do Winik: usou metade de uma melancia como capacete e uma soga (corda grossa) como cinto de segurança e exibiu-os para o fiscal do Automóvel Clube do Rio Grande do Sul que vistoriava as carreteras e pilotos, quanto às novas exigências de itens de seguranças.


Winik confirma tudo;


- Orlando perdeu outra, na tomada de tempo para uma das provas, circuito da Boa Vizinhança-RS, seu tempo foi igual à de piloto de Porto Alegre, concordaram resolver no cara/coroa, Orlando escolheu coroa e perdeu. A moeda tinha duas caras. Anos depois, ele ficou sabendo da 'marmelada';



- Antoninho Burlamaque, residiu em Passo Fundo entre 1943 e 1948, trabalhava com o irmão Ari Burlamaque, dono da concessionária GMC: Cadillac, Buick, Oldsmobile e Pontiac, onde conheceu entre outros, os pilotos de carretera e naturalmente, já foi 'contaminado' pelo vírus da velocidade.


Mudou-se para Caxias do Sul-RS e agora, sócio do Ari inauguraram a Auto Palácio Revenda GMC. As plantas da construção civil vieram da GMC dos Estados Unidos.


- Antoninho Burlamaque em 1950, por ocasião da prova Automobilística da Festa da Uva, adaptou um Oldsmobile 1950, novo do ano, para disputá-la, contra as carreteras inscritas.


No treino de adaptação, um pneu dianteiro estourou e o carro desceu um barranco. Depois de marteladas pra cá e pra lá, o Oldsmobile disputou a prova, entrando em 7º lugar. Drama maior viria depois, o Oldsmobile era do João Burlamaque, da concessionária Chevrolet de Guaporé-RS, irmão mais velho.


Em seguida, Antoninho adquiriu a carretera Ford do Alcídio Schröeder, com qual disputou algumas provas, sempre com problema de superaquecimento do motor que tentou resolver com a instalação de uma serpentina de canos d'água, por cima da capota, ligada ao radiador.



Agradeço aos meus queridos mãe e pai Jucélia Anna e Nelson M. Rocha a colaboração neste artigo.



Graziela Marques da Rocha


Passo Fundo-RS



sexta-feira, 12 de março de 2010

SUPER Vê

Como já mostrei esta foto do Ricardo M. Mansur de Goiania em 1974, agora vou colocar todos nomes que conhecemos abaixo. Como de costume contei com a ajuda de diversos e queridos amigos para trazer todos nomes da foto e mais na semana que vem vou colocar todos os carros dessa temporada com fotos de nossos arquivos neste caso do Fabiano Guimarães e do Fernando Fagundes.  O post é meu com a colaboração "apenas" de Tito Tilp, Ricardo Mansur, Jr Lara Campos, Manduca, Fernando Fagundes, Fabiano Guimarães, Caranguejo e Fabio Poppi.

#1    Milton Amaral
#2    Manduca
#3    Newton Pereira
#4    Ricardo Di Loreto
#5    Chabba Sohós
#6    Claudio Dudus
#7    Fausto Dabur
#8    Nelson Piquet
#9    Ricardo M. Mansur
#10  Ingo Hofman
#11  Jalbas Machado de Oliveira
#12  Gigante
#13     ?
#14  Edson Yoshikuma
#15     ?
#16     ?
#17  Gal. Elói de Menezes
#18  Carlão
#19  Antonio Ferreirinha
#20     ?
#21  Pedro Mufatto
#22  Darcy
#23     ?
#24  Miguel Ferreira
#25     ?
#26  Lua
#27  Giba
#28  Isidro Ferreira

Os nomes que faltam estão em nossas memórias, só não conseguimos descobrir aonde, se alguém puder nos ajudar com muita honra eles serão acrescetandos. 
No Conjunto Nacional, em São Paulo. (Paulista X Augusta)

O evento celebra o cinquentenário do Automóvel Clube Paulista. Sob curadoria de Paulo Solaris, a mostra apresenta carros de diversas categorias que participaram de corridas das décadas de 50, 60, e 70. Além disso, serão expostos troféus importantes, obras de arte, capacetes e diversos objetos referentes ao mundo das corridas.

quinta-feira, 11 de março de 2010

O HOMEM DE KERPEN - por Henrique Mércio.

 
A temporada de 1961 é considerada a mais sangrenta da Fórmula 1, muitas vezes comparada em vulto à tragédia de Le Mans, seis anos antes. Tudo provocado pela magnitude de um acidente envolvendo um dos postulantes ao título de campeão e que de certo modo interferiu na disputa, dando a um dos pilotos a sua coroa e retirando o outro, de forma brutal, da competição. Contudo, não havia nada que antecipasse esses acontecimentos. A Ferrari mais uma vez manipulara a FIA para que o regulamento fosse mexido e a beneficiasse. Parecia uma receita pronta: quando a italianada levava um “chocolate” de alguma equipe, pressionava para diminuir o tamanho dos motores e então homologava alguns de seus propulsores de F2, nos quais coincidentemente ela já vinha trabalhando há algum tempo. Foi assim em 1952 quando depois de derrotada nos mundiais de 50-51 pela Alfa-Romeo, a Ferrari usou de sua força política para mudar as regras. Começava aí o domínio de Alberto Ascari com a Ferrari 500 (na verdade, um carro de Fórmula 2) em 52-53. Agora, a tradicional Scuderia fora “surrada” nos dois últimos anos pelo Cooper de Jack Brabham e se fazia necessário tomar uma providência. O resultado fora a limitação dos motores em 1.5 litros e o surgimento da bela 156 “Shark Nose” (Nariz de Tubarão), o primeiro carro da Ferrari com motor traseiro.
Von Tripps e a Ferrari 156 "shark nose".

 Aquele atraso era fruto da teimosia de Enzo Ferrari, que dizia que em seu entendimento era o burro que puxava a carroça e não ao contrário; uma analogia esquisita, principalmente em se tratando de um carro de corridas. A carroça, ou melhor, a Ferrari 156 começou a rodar ainda em 60, com o alemão Wolfgang von Trips, único remanescente da Squadra Primavera. Dos outros cinco pilotos, três não haviam sobrevivido a categoria, um morrera num acidente de trânsito e o quinto desistira, pressupondo que von Trips fora o eleito. Mas o homem de Kerpen-Horrem (mesma terra onde anos mais tarde, nasceria um certo Michael Schumacher), era um piloto errático e passava longe de ser uma unanimidade. Von Trips era um conde de verdade, que tivera seu interesse despertado para o esporte a motor, pelas vitórias de Bernd Rosemeyer. Problemas de saúde tiraram-no das listas de recrutamento da II Guerra Mundial. Wolfgang Alexander Albert Eduard Maximilian Reichsgraf Berghe von Trips sofria de problemas com a súbita diminuição da taxa de açúcar no sangue (isso o fazia levar comida no carro, para alimentar-se durante a prova) Concluiu seu curso de Agronomia e para passar o tempo, ensinava noções de direção a um outro jovem bem-nascido, de quem era amigo: o jovem príncipe Juan Carlos de Bourbon (futuro Rei Juan Carlos da Espanha). O curioso é que von Trips também não tinha carteira, pois nunca se preocupou em obter uma. Para poder correr, inscrevia-se nas provas com o nome falso de “Alex Linter”. Sua tradicional família, moradora a mais de 700 anos no Castelo Hemmersbach, não aprovava esse estilo de vida, mas von Trips acabou chamando a atenção de Alfred Neubauer, chefe da equipe Mercedes-Benz. A parceria só durou pela temporada de 1955, pois logo a Mercedes encerraria suas atividades. Já havia contudo outro poderoso dirigente de equipe de olho no alemão: Enzo Ferrari. Na equipe italiana, von Trips procurou contornar a briguinha territorial entre Musso/Castellotti e Collins/Hawthorn, até porque ele também tinha seus próprios problemas. Don Enzo passava chamando sua atenção e pedindo mais cuidado e menos batidas. Tanto foi até que o Comendador deu-lhe um gancho e o suspendeu por um ano, em 1959. Enquanto esperava a braveza do velho passar, von Trips fez algumas provas pela Porsche, mas logo foi chamado de volta, pois a nova Ferrari precisava de um bom acertador.
Von Trips, Jo Bonnier e Jean Behra em Avus no dia em que Behra perdeu a vida. A vitória esse dia foi de von Trips.

Em seu retorno em julho de 1960, venceu o GP de Solitude, uma prova de Fórmula 2, demonstrando o potencial do novo carro. No final do ano, foi o 4° colocado no GP de Portugal. A Ferrari, seguindo a tendência da época, montou uma equipe com três pilotos (von Trips, Phil Hill e Ritchie Ginther ) e mais alguns “semi-privados” (Olivier Gendebien, Giancarlo Baghetti e Ricardo Rodriguez), que correriam esporadicamente. Mas esqueceram de avisar a Stirling Moss que a festa era só para carros italianos e o inglês calvo venceu em Monte Carlo, com um Lotus. Von Trips reagiu e ganhou em Zandvoort, mas na terceira etapa, aquele que seria seu maior adversário venceu em Spa Francorchamps: Phil Hill. O piloto americano era tão antigo em Maranello quanto o alemão. Fora também contemporâneo de Mike Hawthorn, a quem prestara inestimável ajuda em 1958, deixando-se ultrapassar quando ocupava a segunda posição no GP de Casablanca. Com essa colocação, Hawthorn vencera o Campeonato Mundial, mesmo com a vitória de Stirling Moss na corrida. Na equipe não havia uma definição de papéis e todos tinham as mesmas oportunidades. Na corrida seguinte, GP da França em Reims, um lance curioso na guerra psicológica entre von Trips e Hill. A pole ficara com Hill, um segundo e meio mais rápido que o alemão, que reclamou ser seu carro menos veloz que o de Hill. Este pediu para dar uma volta na Ferrari do companheiro de equipe. Ao experimentar o outro carro, o americano melhorou a marca de von Trips em um segundo e ainda tripudiou dizendo que perdera tempo por causa de uma mancha de óleo...Mas durante a prova, a soberba o trai e Hill roda sozinho, quando ocupava a liderança. É colhido por Stirling Moss e atrasa-se. Von Trips abandona ao ter seu radiador furado por uma pedra. A terceira Ferrari, de Ritchie Ginther enfrenta problemas com a pressão do óleo mas a equipe insiste em mantê-lo na corrida, até que o motor quebra de uma vez. Sobra o quarto carro, nas mãos do estreante Giancarlo Baghetti. Este pilotava uma Ferrari “privada”, que pertencia a Federazione Italiana Scuderie Automobilistiche, que achara por bem dar uma chance a Baghetti depois dele ter vencido os dois primeiros GPs extra-oficiais de F1 em que tomara parte, em Siracusa e Napoli. Teria que derrotar o norte-americano Dan Gurney e o sueco Jo Bonnier com seus Porsches, líderes quando faltavam doze voltas para terminar. Baghetti pressiona Gurney e Bonnier recolhe aos boxes. Trocam de posições algumas vezes. Na última volta, Giancarlo arrisca tudo e vence “The Great Daniel” por um décimo de segundo (Gurney não é tão bom assim e Baghetti já o derrotara antes, na prova de Siracusa) tornando-se o primeiro estreante a vencer em sua primeira corrida. Festa para os tifosi da Ferrari, mas o que importava era a disputa pelo campeonato, restrita a Hill e von Trips.

 Na etapa seguinte, em Aintree, Inglaterra, muita chuva e vitória de von Trips, que não consegue evitar o revide de Moss, ganhador da prova seguinte, em Nurburgring. A esta altura, o alemão conseguira livrar uma pequena vantagem (33 x 29 pts) e pode ser campeão em Monza, com um terceiro lugar. Porém, parece que a Wolfgang von Trips só interessa vencer e ele faz a pole position, a primeira de sua carreira. Nesse ano a pista de Monza apresenta um desafio maior: o Grande Prêmio será disputado pelo traçado normal e mais o anel de velocidade, o chamado “banking”, passando duas vezes na reta dos boxes. A Ferrari volta a surpreender com mais um jovem estreante: Ricardo Rodriguez (19), que marca o segundo melhor tempo. Na largada, talvez desacostumado a sair na frente, von Trips hesita e é ultrapassado por Rodriguez, Ginther e Hill. Um novato escocês chamado Jim Clark também larga bem. A Ferrari usava uma relação de marchas mais longa, o que a fazia ser rápida nas retas e lenta nas curvas. Clark e seu Lotus se aproveitam disso e von Trips perde outra posição. Preocupado, pois Hill está na liderança, o alemão tem pressa e ultrapassa Clark na Curva Di Lesmo na segunda volta, mas Jimmy pega o vácuo da Ferrari na curva Viallone e antes da Parabólica esboça uma ultrapassagem, por fora. Von Trips leva o carro para o mesmo lado, toca no Lotus e então o horror. A Ferrari sai para a esquerda e sobe no alambrado atingindo as pessoas. Na época os carros de corrida não tinham cinto de segurança. O piloto é cuspido fora. O carro acerta o Lotus, machucando Clark. Doze pessoas morrem no ato e duas mais tarde.
O acidente em Monza.

O GP prossegue e a equipe sequer cogita retirar seus outros quatro carros. Hill e Ginther disputam a liderança enquanto as Ferraris vão desistindo: Baghetti, Rodriguez e até Ginther, finalmente sobrando Phil Hill com a única das “rossas” a concluir a corrida da tragédia. Estranhamente, Clark deixou a Itália sem prestar depoimento, o que repercutiu mal. Esse será apenas o primeiro dos problemas da equipe Lotus com a justiça italiana, posteriormente agravados pelos acidentes fatais de Jochen Rindt (1970) e Ronnie Peterson (1978), pilotos da equipe que morreram em Monza. O que provocara a batida? Para Phil Hill, von Trips distraira-se e não consultou os espelhos para ver onde Clark estava, pois achou que o carro do escocês não tinha motor para acompanhá-lo. Imaginou que o havia deixado para trás e pensava em juntar-se às três Ferraris que iam a sua frente. Esqueceu-se que corrida naquela pista de Monza, sem as chicanes, era um jogo de vácuo. Com a vitória e os descartes, Hil somou 34 pontos e bateu von Trips por um ponto. Só então a Ferrari assumiu o seu luto e decidiu não participar da última etapa daquele ano, em Watkins Glen/EUA, privando Phil Hill de apresentar-se ante seus torcedores como o novo Campeão Mundial. Baghetti não voltou a ganhar corridas. Ele recebeu uma nova chance como piloto “oficial” da Ferrari mas acabou perdendo espaço para Lorenzo Bandini. No começo dos anos 70 encerrou sua carreira. Ginther continuou nas pistas e quatro anos mais tarde tornou-se o primeiro piloto a vencer uma corrida com um carro fabricado pela Honda e equipado com pneus Goodyear (México/65). Quanto a Hill, no ano seguinte abandonou a Ferrari para abraçar o projeto da A.T.S.( Automobili Turismo e Sport) juntamente com Carlo Chiti, Romolo Tavoni e Giancarlo Baghetti. A nova equipe não vingou e a maior parte dos dissidentes voltou a Maranello. Phil Hill envolveu-se com as filmagens do filme “Grand Prix” (1966) e realizou todas as cenas “on board” da película, além de ganhar um papel com fala. Curiosamente, até o final de vida evitou falar dessa sua investida na carreira artística, parecendo ter restado algum tipo de mágoa. Quanto a Wolfgang von Trips, ele recebeu de seus familiares, amigos e admiradores uma estátua na cidade de Kerpen. Um dos empreendimentos que explorava, uma pista de karts, foi vendida e acabou sendo administrada por um senhor chamado Rolf Schumacher. Rolf costumava levar seu pequeno filho Michael para treinar lá e o resto é história.


CURIOSIDADES:


No GP da Bélgica/61, a Ferrari conseguiu uma inédita “quadrifeta”, com seus carros nas quatro primeiras posições: 1°)Hill, 2°)Von Trips, 3°)Ginther e 4°)Olivier Gendebien, este com uma singular Ferrari amarela, cor oficial da Bélgica nas competições;

Na história da F1 há dois vice-campeões “post mortem”, ou seja, conquistaram esse laurel depois de suas mortes. Wolfgang von Trips e Ronnie Peterson: ambos sofreram acidentes num dia 10 de setembro; no começo da corrida e o campeão acabou sendo seu companheiro de equipe, com quem estavam se digladiando. Tudo na pista de Monza;

Ritchie Ginther e Phil Hill eram amigos de infância. Hill conhecia um dos irmãos mais velhos de Ginther e lembrou-se de Ritchie quando precisou de um mecânico. Grande incentivador da carreira do amigo, Hill tornou-se seu parceiro de equipe na Ferrari e juntos envolveram-se também na produção do melhor filme já feito sobre corridas de carros: Grand Prix;

Wolfgang von Trips era conhecido por Taffy nas pistas, apelido conferido por Mike Hawthorn, com quem correu na Ferrari;


Ricardo Rodriguez, irmão menor de Pedro Rodriguez teve uma carreira curta. Um ano depois de Monza, ele sofreu um acidente fatal treinando para uma corrida extra-oficial, o GP do México. A Ferrari não quis confiar-lhe um carro e Ricardo estava com um Lotus 24, da Equipe de Rob Walker. Bateu na curva Peraltada. Hoje a pista mexicana leva seu nome e o de Pedro: Hermanos Rodriguez;


O anel de velocidade de Monza, conhecido como Banking, só foi utilizado quatro vezes nos GPs de F1.

quarta-feira, 10 de março de 2010

POEIRA NA VEIA.

Amigos, hoje é um dia histórico para o Automobilismo Catarinense. Dia de estourar uma champagne e fumar um charuto.
Um dos maiores sonhos dos aficciondos pela velocidade na terra torna-se realidade: a categoria TURISMO CLÁSSICO "nasceu" oficialmente com a publicação do regulamento no site da FAUESC.
Nossa 1ª etapa está marcada dias 15 e 16 de maio. Na ocasião será disputada a 2ª etapa da “Copa Santa Catarina de Automobilismo”, certame de acesso ao “Campeonato Catarinense de Velocidade na Terra”, que em 2010 está na sua 31ª edição.
A TURISMO CLÁSSICO surge com o propósito de resgatar os carros que fizeram sucesso nas décadas de 70 e 80 nas competições em pistas de terra do nosso estado, oferecendo aos pilotos uma categoria com diversas opções de modelos de carros a serem montados, priorizando em seu regulamento técnico a igualdade de condições entre as marcas e o baixo custo de manutenção dos veículos.
Outra novidade é que a partir de hoje está no ar o blog da "TURISMO CLÁSSICO", e lá serão repassadas todas as informações, datas, regulamentos e tudo que é pertinente a nova categoria. Façam uma vista lá.
E pra encerrar, digo que hoje é um dos dias mais felizes da minha vida, pois desde o dia 24 de Junho do ano passado estou trabalhando em cima dessa categoria, e ver hoje o regulamento publicado é motivo de imensa alegria.
Peço que dêem força e divulguem junto comigo, pois essa categoria surgiu basicamente graças a força da internet, mais precisamente pelos "doentes" da POEIRA NA VEIA".



Vida longa à TURISMO CLÁSSICO!



Grande abraço



Francis Henrique Trennepohl

SORTE...


Hoje comecei a pensar na sorte, e o que ela nos trás, vi tantos pilotos medíocres tendo uma carreira longa e tantos outros verdadeiramente velozes, apaixonados pelo esporte, que mal conseguiam colocar seus carros na pista, ora faltando patrocínio ora com o patrocínio que não dava para fazer um carro competitivo. Fora alguns que mesmo sem forçarem seus carros quebravam ou tinham algum outro tipo de contratempo.
Jim Clark e a Lotus 33.

Jim Clark bi Campeão do Mundo de Formula Um poderia ter ganho mais no mínimo três campeonatos , mas suas quebras eram banais e assim deixou de vencer muito mais do que venceu.
E Chris Amon, pilotasso venceu em todas categorias em que participou, Campeão da Copa Tasmânia com inúmeras vitórias em anos seguidos, até na frente de Jim Clark. E na Formula Um apesar de pilotar carros de ponta nunca conseguiu uma vitória, tendo o cumulo da falta de sorte de perder uma viseira de seu capacete quando estava na ponta em Monza.

Stirlin Moss e a Maserati Birdcage.
Já Stirling Moss apesar de vencer inúmeras corridas de Formula Um e outras categorias, nunca foi campeão de F I.

Jochen Rindt de Cooper e Lorenzo Bandini de Ferrari.
Outro foi Jochen Rindt, rápido outro super piloto e quando chegou o tempo de colher os frutos de sua carreira bate na Parabólica, na mesma Monza e acaba Campeão póstumo de Formula Um em 1970.

Chico Landi e sua Ferrari amarela Silverstone 1952.
Ainda hoje procurando na Internet sobre Chico Landi, achei no Nobres do Grid uma citação sua que li talvez uns trinta anos atrás mas que traduz o que é mais necessário a um piloto para ter sucesso. Ele que tinha tudo para ser nosso primeiro campeão de Formula Um deu o seguinte depoimento:
“Estávamos todos nós – Fangio, Villoresi, Ascari, Nuvolari e outros, reunidos num bar, conversando, quando um jornalista italiano perguntou a cada um de nós, o que era preciso para vencer uma corrida. Quase todos afirmaram que era preciso 50 % do carro e 50 % do piloto. Eu fui o último a responder, e disse que é preciso três coisas: sorte, depois, mais sorte; e, finalmente, muita sorte”. Chico Landi.( NOBRES DO GRID)
Acreditem tive o privilegio de andar com seu Chico na mesma pista, foi em Interlagos acho que em 1971, eu treinava para corrida de Estreantes e Novatos com meu VW D3 quando um veloz carro passa por mim, acho que era um META 20, pilotado por ele.

Teleco Esteantes e Novatos 1972.


Muitos amigos meus foram campeões em varias categorias, outros ótimos pilotos não conseguiram, como foi o caso do Teleco. Quando ia ter um carro de ponta para disputar os campeonatos Ingleses de Formula 3 faltou patrocínio e sua careira ficou por aí.

Eu na minha modesta e bissexta carreira de apenas umas vinte e cinco corridas em sua grande maioria na D3 nunca tive uma grande sorte.

Que me lembre terminei duas corridas em 1971, mais uma em 1972, acho que uma em 1978 e três na TEP- D3 em 1982. Portanto devo ter quebrado em no mínimo dezenove corridas. Quebras bobas, como em 1982 quando ia brigar pela ponta na saída do “Sargento” me quebra um eixo do balanceiro. Uma peça simples e difícil de quebrar, me deixou a pé. Quantos motores estourei por bobagens, nas Mil Milhas de 1984 um simples filtro de óleo jogou por água abaixo nossa corrida e por aí vai...
È seu Chico o Sr. foi grande e sábio.
Chris Amon e Ferrari.

A opinião de meu amigo Henrique Mércio sobre o mesmo tema.
Concordo que a sorte é um fator de muita importãncia no pacote que forma um piloto (Com sorte, atravesso o mundo; sem sorte não atravesso a rua, diz-se). Naturalmente, os nomes que citaste são de homens que não eram exatamente sortudos...mas discordo quando apontas Chris Amon como um "azarado". Uma vez Mario Andretti disse que se Amon virasse coveiro, as pessoas deixariam de morrer. Exagero do Mario, pois Amon sobreviveu a um dos períodos mais duros do automobilismo, onde havia um expressivo número de baixas por temporada, algo em torno de 2 a 3 só na F1. Pois Chris está aí. Ele sobreviveu para contar sobre alguns sujeitos dados como "de sorte" e que se foram antes dele. Mas não creia que eu estou dizendo "a sorte não existe". Porque ela existe. Eu a vejo como uma bela e caprichosa jovem, que deve ser tomada e subjugada e mantida prisioneira.


EM QUALQUER ESPORTE, TEM DE ESTAR DE MÃOS DADAS COM A SORTE.
Jr Lara Campos.