A VERDADE NÃO SERIA BASTANTE PLAUSÍVEL SE FOSSE FICÇÃO - Richard Bach

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

MIL MILHAS 1973

GLÓRIA IMORTAL AOS VENCEDORES DAS MIL MILHAS BRASILEIRAS

É o que está escrito no Troféu da Bardhal que homenageia os vencedores dessa magnífica prova criada por Elói Gogliano e Wilson Fittipaldi.
Eu particularmente acredito que apenas a participação nela já traz um pouco de Glória a qualquer piloto, independente da classificação.
Aos meus amigos que nela correram e ao Tito, Caranguejo, Torquato, Anêmona e  Luiz e Fabiano. 



 Pole: Pedro Victor De Lamare/Cacó - Carlos Alberto Quartin de Moraes.
Ao lado de Pedro/Cacó o Opala #45 de Antonio Castro Prado e Antonio Tarlá e o Maverick #20 Bird Clemente e Nilson Clemente, o vencedor.

Foi as Mil Milhas Brasileiras da Divisão 3, essa categoria que encantou o Brasil e colocou nos cenário do automobilismo nacional nomes que por décadas iriam vencer em pistas de todo o mundo.
Depois de três anos ela iria ser disputada novamente, em 1970 havia sido uma prova internacional com Porsches, Ferraris, Alfas e outros carros das categorias Protótipo e GT.
Agora seria na categoria que levava multidões aos autódromos e mexia no imaginário dos fãs do automobilismo. Opalas com  mais de 300hp, Mavericks com mais de 300 e na classe “A” os incríveis VW com seus motores de 1.600cc e uma geração de pilotos que os pilotava sem medo de encarar a maior potencia dos adversários.
Na classe “C” grandes nomes de um passado recente, Bird, Camilo, Celidônio, José Argentino, Dante de Camilo, Pedro Victor, Jan Balder e outros mais. Na “A” o futuro, meu amigo Julio Caio de Azevedo Marques em dupla com Luiz Evandro Aguia, outro amigo querido o Teleco - Luiz Antonio Siqueira Veiga - , Alfredo Guaraná Menezes certamente o piloto mais rápido de nossa geração, eles e mais  outros pilotos que fariam o futuro de nosso automobilismo, com os VW Divisão 3,  carro que até hoje é venerado pelos fãs da categoria.  
Sessenta e dois carros largaram com o Opala de Pedro Victor de Lamare/Cacó - Carlos Alberto Quartin de Moraes - na pole com o incrível tempo de 3m15s50/100 ao seu lado o Opala de Antonio Castro Prado/Antonio Carlos Tarla e completando a primeira fila o Maverick da equipe Greco com a dupla vencedora Bird/Nilson Clemente. O primeiro VW  era o de Alfredo Guaraná Menezes que largou na quinta posição. 
Escrevendo voltei no tempo e lembro perfeitamente de toda expectativa em torno dessas MM , eu tinha um carro pronto, um VW D3 que havia comprado do Expedito Marazzi e corrido a Copa Brasil de 1972, e por motivos outros não pude competir.
Todo padock falava do Opala de Pedro Victor/Cacó e o tempo que havia conseguido virar, os outros carros inclusive o Maverick de Bird/Nilson tinham tempos semelhantes, inclusive alguns  VW de ponta.
Na largada Pedro Victor vai embora, tal qual Jarrier/Shadow nos anos seguintes 75/76, e sua corrida durou aproximadamente umas seis voltas, se não me engano logo depois o carro de Castro Prado/Tarlá tomou a ponta para logo ser superado pelo  Maverick da Equipe Greco pilotado por Bird/Nilson Clemente. Os dois irmãos lideraram 192 das 202 voltas da corrida e completaram as Mil Milhas em 12h53m15s com quatro voltas de vantagem para dupla Camilo/Celidônio.
Em quarto vinha o VW de Guaraná/Giobbi que a poucas voltas do fim com problemas perdeu uma posição e terminou em quinto com 195 voltas. 
Essa foi a ultima corrida de Bird, que assim encerrou sua carreira com chave de ouro.
A maioria de fotos desse post são de meus amigos Fabiano e seu pai Luiz Guimarães, dois apaixonados por automobilismo e pela categoria e o texto a seguir é de Fabiano com suas lembranças da corrida, que assistiu depois do dia clarear, quando tinha apenas três anos. 

Rui Amaral Jr


"Lembro muito vagamente desta prova pois tinha de 3 para 4 anos, segundo meu pai foi a primeira vez que pisei no autódromo e talvez por este motivo tenha me apaixonado pela Divisão 3. Na época meu pai era amigo pessoal do "Gigante" e é claro que fui induzido a torcer pelo carro laranja e branco. Gostei também do Opala do Rodão (Argentino/Natividade) pois terminou a prova sem capô, despertando atenção de um moleque de 3 anos.
Como foi minha primeira prova como expectador marcou-me bastante e despertou-me uma grande paixão que dura até hoje pelo automobilismo. Fabiano Guimarães"




Bird Clemente e Nilson Clemente




Camilo Christófaro e Eduardo Celidônio 

José Argentino e Raul Natividade

Bob Sharp e Jan Balder




Julio e Águia

Alfredo Guaraná Menezes e Luigi Giobbi
 Alex Dias Ribeiro e Ingo Hoffmann 
Ricardo Málio Mansur/Pepa-Pedro Paulo Costa
 Carlos de Carvalho e Vicente Galicchio 
 Dante de Camilo e José Augusto Contijo 
 Erico Pereira e Luís Osório 
 Amandio Ferreira e Sérgio Alhadeff 
 Plínio Giosa e Jacinto Tognato 
 Jerônimo Pereira e Francisco Pereira 
 Maurício Chulam e Sérgio Benoni 
 Toni Rocha e Peter Schultswenk 
 Mane Simão e Alberto Serrodio 
Walter Barcchi e Aguinaldo Serra 







Classificação final

1º Ford Maverick Div 3 nº 20 Bird Clemente e Nilson Clemente SP – 201 voltas (12:53’15”)
2º Ford Maverick Div 3 nº 18 Camilo Christófaro e Eduardo Celidônio SP – 197 voltas
3º Opala Div 3 nº 58 José Argentino e Raul Natividade SP – 196 voltas
4º Opala nº 7 Bob Sharp e Jan Balder RJ/SP – 196 voltas
5º VW nº 29 Alfredo Guaraná Menezes e Luigi Giobbi SP – 195 voltas
6º VW nº 47 Bruno D’Almeida e Voltaire Mogg RS – 191 voltas
7º VW nº 19 Toni Rocha e Peter Schultswenk SP/RJ – 190 voltas
8º Ford Maverick nº 22 Dante de Camilo e José Augusto Contijo SP – 189 voltas
9º VW nº 15 Plínio Giosa e Jacinto Tognato SP – 188 voltas
10º VW nº 54 Amandio Ferreira e Sérgio Alhadeff SP – 188 voltas
11º Opala nº 5 Walter Barcchi e Aguinaldo Serra SP – 186 voltas
12º VW nº 62 Kenti Yoshimoto e Hiroshi Yoshimoto SP – 185 voltas
13º VW nº 17 Alex Dias Ribeiro e Ingo Hoffmann DF/SP – 184 voltas
14º VW nº 16 Nélson Giraldes e Maximo Pedrazzi SP – 177 voltas
15º Opala nº 14 Nicola Papaleo e Antonio Versa SP – 173 voltas
16º VW nº 63 Carlos de Carvalho e Vicente Galicchio SP – 172 voltas
17º VW nº 36 Pietro Jaconelli e Vincenzo Jaconelli SP – 171 voltas
18º Ford Corcel nº 48 Jerônimo Pereira e Francisco Pereira SP – 166 voltas
19º VW nº 11 Júlio Renner e Fernando Esbróglio RS – 154 voltas
20º VW nº 50 Mane Simão e Alberto Serrodio SP – 154 voltas
21º VW nº 30 Maurício Chulam e Sérgio Benoni RS/PR – 153 voltas
22º Opala nº 67 Juan Gimenez e Francisco Guariso SP – 146 voltas
23º VW nº 26 José Balieiro e Edimir Fernandes – 141 voltas
24º Chevette nº 37 Newton Pereira e Ricardo Villares – 139 voltas
25º VW nº 24 Erico Pereira e Luís Osório – 138 voltas
26º VW nº 51 Bruno Rubinatto e Koji – 138 voltas
27º VW nº 41 Julio Caio Marques e Luís Evandro – 135 voltas
28º Opala nº 46 Luís Landi e Nelson Silva – 128 voltas
29º Dodge nº 38 Nelson Marcílio e Nelson Billot – 126 voltas
30º VW nº 61 Norberto Gresse e Estanislau Fraco – 119 voltas
31º Opala nº 42 Leopoldo Abi Eçab e Laércio G. dos Santos – 112 voltas
32º VW nº 60 Amadeo Campos e Oswaldo Melone – 111 voltas
33º VW nº 69 Luís Dassoler e Roberto Wypych Jr. – 103 voltas
34º VW nº 59 Edson e Miguel Yoshikuma – 97 voltas
35º VW nº 34 Arturo Fernandes e Oswaldo Carajelescow – 83 voltas
36º VW nº 3 Sidney Mosca e Rubens Chiodi – 81 voltas
37º Opala nº 31 José Carlos Catanhede e Marco Emilio Pires – 70 voltas
38º VW nº 6 Ney Faustini e Aloysio Andrade Fº - 68 voltas
39º VW nº 33 Paulo S. Caetano e Ricardo Coelho – 66 voltas
40º Opala nº 53 Edson Graczik e Celso Frare – 51 voltas
41º VW nº 68 Pedro e Antonio Muffato – 48 voltas
42º Opala nº 57 José Chateaubriand e Edgar Mello Filho– 48 voltas
43º Opala nº 45 Antonio Castro Prado e Antonio Tarlá – 47 voltas
44º VW nº 28 José Melkan e César Fiamenghi – 42 voltas
45º VW nº 52 José Luís Nogueira e Antonio Furneel – 42 voltas
46º VW nº 49 Alfredo de Mattos e Teleco – 41 voltas
47º VW nº 65 Ricardo Mansur e Pepa – 38 voltas
48º Corcel nº 44 Geronimo e Francisco Pereira – 34 voltas
49º VW nº 25 Cláudio Cavallini e Orlando Lovecchio – 25 voltas
50º VW nº 35 João R. Schimot e Ricardo Di Loreto – 20 voltas
51º VW nº 1 Jozil Garcia e Francisco Gondim – 20 voltas
52º Chevette nº 4 Armando Andreoni e Luís C. Giannini – 19 voltas
53º Opala nº 21 Fausto Dabbur e Reinaldo Campello – 18 voltas
54º Opala nº 43 Claudio Dudus e José Serra – 12 voltas
55º VW nº 23 Odair Lopes e Clelio de Souza – 12 voltas
56º Brasília nº 2 Mario Pati Jr. e Mario Ferreira – 11 voltas
57º VW nº 32 Tony Pirillo e Dante Chiaroni – 11 voltas
58º VW nº 70 Othon Echel e Raul Machado – 9 voltas
59º VW nº 27 Ronald Berg e Wilson Sapag Jr. – 6 voltas
60º Opala nº 10 Milton Amaral e Renato Peixoto – 6 voltas
61º VW nº 9 Luís Brazolin e Ricardo Mogames – 6 voltas
62º Opala nº 8 Pedro Victor Delamare e Cacó Q. Moraes – 4 voltas
63º VW nº 56 Dimas Pimenta e Fausto Wajchemberg – 4 voltas
64º VW nº 40 Eduardo Lopes e Paulo Della Volpe – 1 volta
Obs: Melhor volta – Pedro Victor Delamare e Cacó Q. Moraes – Chevrolet Opala Nº 8 Div. 3 - 3min26s7 na quarta volta.

Agradeço as fotos e depoimentos de meus amigos Luiz e seu  filho Fabiano Guimarães e as fotos ao Jan Balder, Águia e Luiz Salomão. Fotos da largada calendário Metal Leve.

Post original de 19 de Dezembro de 2010







8 comentários:

  1. Muito boa a postagem meu amigo ..... adorei ..... abraços .....

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  2. danilo kravchychyn3 de outubro de 2012 13:19

    Rui,

    Que belo post, o Opala do De Lamare sem o número 84 e outros bólidos que marcaram a minha juventude.
    Aliás, a tua idade é um mistério, lembra vagamente dessa prova, acredito quenem era nascido, rsrsrrs

    Grande abraço.

    Danilo Kravchychyn
    Ponta Grossa - PR

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  3. Obrigado Marco e Danilo, já tinha 21 e apesar de ter um carro pronto não corri.

    Abraços

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  4. Grande Rui!
    Fabiano e eu é que agradecemos pela sua gentileza em postar essas fotos...
    Realmente, essa corrida marcou a "estréia" do Fabiano em Interlagos.
    Belos carros e grandes pilotos!
    Abração,
    Guima

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  5. Rui, mas que fotos maravilhosas. Gostei de todos os carros, em especial o maveco com as oito cornetas. Época maravilhosa do nosso automobilismo. Jovino

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  6. É Jovino, são do Guima, e as duas primeiras do calendário Metal Leve...uma bela época sem dúvida!

    Um abraço

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  7. Bela matéria, Rui! Na lendária Mil Milhas de 1973, foi uma pena a saída de pista do meu grande amigo "Pepa", logo na sua 2ª volta! Eu havia largado nas últimas posições, pois classifiquei outro carro de Santos e o meu que detinha o 37º tempo ficou fora do grid! Quando já estava próximo do 40º lugar, parei para reabastecimento e troca de piloto após 37 voltas! O "Pepa" fez sua primeira volta saindo do box e na passagem para iniciar a segunda, derrapou a 170 kmh numa grande mancha de óleo na entrada da "Curva 1" e destruiu o D3 #65 que teve um início de incêndio! "Pepa" só teve algumas luxações! A ambulância e os bombeiros agiram rápido e o fogo só pegou na traseira! Muita sorte pois o tanque estava com sua capacidade total, cerca de 62 litros. Quando já amanhecia o amigo e piloto "Gato", Juan Samos Jimenez quebrou o pivô de seu Stock e colidiu justamente no nosso #65! Novo princípio de incêndio, também logo debelado. Das 25 provas que participei, foi a única que abandonei por colisão, sem ter batido! Coisas de corridas! Rui Amaral Lemos Junior, parabéns pelas matérias exibidas e um grande abraço!

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Rui Amaral Jr