A VERDADE NÃO SERIA BASTANTE PLAUSÍVEL SE FOSSE FICÇÃO - Richard Bach

domingo, 1 de novembro de 2020

Amadeu Rodrigues - 6 de Agosto de 1955 - 31 de Outubro de 2020

 


  Excelente filho, marido e pai, é com muita tristeza que transmito à vocês que ontem por volta da 23h meu amigo perdeu a vida. Voltava de Goiânia  da prova de Endurance, com sua mulher e equipe, quando sua van bateu numa carreta estacionada a beira da pista. Nada de muito grave aconteceu aos outros ocupantes.

Amadeu vivia para família e para o automobilismo. Guerreiro, batalhador, conseguiu montar uma grande equipe.

A sua mãe, mulher e filhas minhas mais sinceras condolências.

Deus o tenha.

Rui Amaral Jr

  


Largando na pole em Interlagos, ao seu lado Arturo, mais atrás dois outro amigos queridos, Jr Lara e Zé Romano.


Vencendo no Rio.
Interlagos- 4º ao lado de Zé Romano.

Com o #40 ao meu lado em Interlagos - Foi uma honra dividir as pistas e amizade com você meu amigo, descanse em paz.

PS: Hoje por volta da meia noite e pouco liga o Julio Caio com a triste noticia, atônito ainda não sabía os detalhes do acidente, logo liguei para o Arturão que ainda não sabia. Hoje infelizmente tive que conversar com o Ricardo Bock, abalado com a notícia. Todos atônitos e muito tristes com a perda do amigo. 









quinta-feira, 29 de outubro de 2020

1.000 KM de Caracas - 1957

Equipe Ferrari.

Luigi Musso, outros tempos...

1957, a corrida venezuelana se transforma, mudam o circuito para um com cerca de dez quilômetros, sinuoso, com alguns trechos apertados, perigoso, e a distancia é de mil quilômetros.

A nova denominação para o GP da Venezuela é “1,000 KM de Caracas”, prova válida para o “F.I.A. World Sports Car Championship”, sendo sua sétima etapa.

Válida para o mundial quarenta e um carros se inscreveram e largaram trinta e oito.

A 335 Sport de Collins/Phil Hill, 1º lugar .

TR 500 58 de von Trips/Seidel. 3ª e 1ª na categoria até dois litros. 

A Ferrari com nove carros, quatro da equipe, duas 335 Sport para as duplas Hawthorn/Musso e Phil Hill/Collins. Duas 250 TR-58 para Von Trips/Seidel e Trintgnat/Gendebien.

450S de Moss/Brooks.

450S de Behra/Brooks.

A bela 200S de 2.000cc de Sergio Gonzalez/Alberto Gutierrez, inscrito por equipe venezuelana.

A Maserati também com nove carros, quatro da equipe, duas 450S para Behra/Moss/Schell com Brooks de reserva e a outra Moss/Brooks com Behra e Schell na reserva. Duas 300S Bonnier/Scarlatti/Brooks e Gutierrez/Godia-Sales/Scarlatti/Brooks.

Masten Gregory/Duncan com outra 450S, da equipe Bueli.

Porsche seis carros.

Corvette C1 de Jim Jeffords/Fred Windridge

Corvette quatro


AC Ace motor Bristol de 1971cc de Augusto Gutierrez/Deblin.

AC seis.


 OSCA MT4 de Isabelle Haskell/Alessandro de Tomaso. 

Osca três.

Aston Martin DB3S de João Rozende Dos Santos/Francisco Borges.

Um Aston Martin DB3S e uma Lotus Seven.

Três mulheres inscritas, Isabelle Haskell com Alessandro de Tomaso numa Osca MT4. Ruth Levy e Denise McCluggage de Porsche 550 RS que chegaram em décimo terceiro lugar, quarto na categoria até 1.500cc.

A grande ausência foi Juan Manuel Fangio, recém coroado com seu quinto Campeonato Mundial de Formula Um.

GRID

Nos treinos Moss detona os cronômetros, as Maserati 450 S são mais rápidas que as Ferrari 335 Sport. Na classificação Moss crava a pole com 3`41``100/1.000 segundos, média de 161 km/h, meio mais rápido que seu companheiro Tony Brooks e quatro e meio mais rápido que a Ferrari de Hawthorn/Musso os terceiros.

 

O circuito é rápido e perigoso...

A CORRIDA

Masten Gregory.Masten Gregory toma aponta com a 450S, para logo ao final da reta dar a primeira do que seria uma série de pancas! Saiu rápido do carro que já ameaçava pegar fogo.

Hawthorn toma a ponta.

Depois Behra, provavelmente dando volta no 550 RS de Edgar Barth/von Hanstein, 5º colocado e vencedor na categoria até 1.500cc. 

Hawthorn e Collins com as 335 Sport tomam a ponta com Behra na 450S vindo logo atrás. Moss que caiu para último na largada já vem em décimo. Na volta trinta e um Moss crava 3”39””449/1.000 a melhor volta da corrida, quase dois segundos abaixo da pole, vem no segundo lugar, atrás de Collins, para logo a seguir encontrar o AC-Ace de Dressel,  e numa bobeada do inglês e talvez dele mesmo, batem numa freada!

O Ac-Ace de Antonio Izquierdo/Juan Uribe.

O Ac Ace de Hap Dressel...

...e o estado da Maserati de Moss.

Algumas volts depois Behra trás sua 450S para reabastecer, e numa cena de arrepiar, quando Behra dá a partida uma chama começa a arder na traseira do carro, ele pula e cai se machucando, o mecânico chefe da Maserati se queima gravemente. O chefe da Maserati manda Moss tomar o lugar de Behra, o  inglês ainda meio atordoado por causa da panca, sai com o carro para na volta seguinte parar...seu traseiro queimava com alguma brasa do fogo. Schell assumiu a 450S para em algumas voltas tomar a ponta. 

A Maserati de Binnier no poste e a de Shell no muro...

e pega fogo! 

Vinte três voltas depois Schell vem ponteando soberbamente sobre as Ferrari, e ao colocar volta sobre seu companheiro de equipe Jo Bonnier, com uma 200S de 2.000cc. Estoura um pneu de Bonnier e os dois batem, segundo o relato da Wikipédia, ambos conseguem pular de seus carros antes das batidas, em artigo que li talvez décadas atrás e que não encontrei, o autor afirma que foram lançados. A 200S de Jo se parte ao meio na batida com um poste, tendo ele se ferido. A 450S de Harry bate num muro e felizmente ele saiu ileso.

Fim da corrida para a equipe da Maserati, as 335 Sport, que não eram páreo para as 450S, nadaram de braçada...

RESULTADO



A Maserati que havia chegado a Caracas com uma mão no titulo mundial, agora via sua arqui rival colocando quatro carros nos quatro primeiros lugares. A Ferrari vencia o mundial, apenas cinco pontos à frente.

A equipe Ferrari cruza a linha de chegada com os quatro carros alinhados, como fez cerca de dezoito anos depois em Daytona! Pena que não encontrei a foto.

Depois dessa corrida a Maserati, leia-se família Orsi, resolveu acabar com a equipe de fábrica, havia vencido o mundial de Formula um com Fangio, e este seria seu segundo campeonato sobre a equipe de Enzo.

Continuou fabricando carros de corrida, apenas que agora apenas os vendia a equipes particulares. Um grande exemplo foi a Mod 61-Birdcage, uma sucessora à altura das grandes 250F e 450S.

 

Rui Amaral Jr

 

Fontes de pesquisa e fotos: 

WIKIPEDIA https://en.wikipedia.org/wiki/1957_Venezuelan_Grand_Prix

Racing Sports Cars https://www.racingsportscars.com/race/Caracas-1957-11-03.html

 

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

CARRERA BOLIVARIANA - GP da Venezuela 1956

Moss(#8) e Fangio(#2); Schell está tentando passar entre os dois com sua Ferrari 3.5, #6 e do outro lado está o Behra, #10. De Portago está fora do enquadramento. 

 É isso aí. A pilotada da foto do desafio, (da esquerda para direita) Juan Manuel Fangio, Alfonso de Portago, Harry Schel, Nano da Silva Ramos, Porfirio Rubirosa, Jo Bonnier e Stilirg Moss, estão batendo um papo antes do II GP da Venezuela, no ano da graça de 1956. Com o esporte motor se desenvolvendo no mercado emergente da América do Sul, não era incomum que os fabricantes, mesmo os mais tradicionais como Ferrari ou Maserati, investissem em uma prova extra-campeonato em um país distante.

Moss

Pensamento semelhante tinham os pilotos. Longe dos contratos milionários dos dias atuais e da exclusividade de uma só categoria, quanto mais competiam, mais ganhavam. Não era portanto tão surpreendente que a prova de Caracas contasse com Fangio, já tetra campeão da ou mesmo Moss, duas vezes laureado com o vice-campeonato; os norte-americanos Masten Gregori e Harry Schell; o sueco Jo Bonnier e o espanhol Alfonso De Portago, nomes tradicionais do automobilismo mundial e mesmo exóticos como o dominicano Porfirio Rubirosa. O circuito urbano de Los Próceres ficava em uma praça de desfiles militares,  na verdade, duas retas paralelas, um traçado difícil que exigia muito dos poucos eficientes freios da época e das caixas de cambio. A prova marcaria a derradeira apresentação de Fangio com uma Ferrari, pois o Chueco estava de partida (ou retorno) à Maserati, embora muitos o criticassem achando que para um quinto titulo mundial, deveria continuar em Maranello...Nos treinos, muita disputa entre os rivais Fangio e Moss, com vantagem para Stirling na Maserati 300S. Boa participação de Nano da Silva Ramos e seu Gordini T153S 3.0. Único representante brazuca na competição, alcançou o 9º tempo. No dia da prova, sem os discursos bolivarianos de Hugo Chaves (o futuro tenente-coronel estava com dois anos e três meses e era um garoto pobre de Sabaneta), Fangio larga bem mas na segunda volta é alcançado por Moss e De Portago. A disputa entre os três só dura até a décima volta, quando mais uma vez torna-se uma entre Chueco e o inglês Calvo. A Ferrari 860 Monza de Fangio rende bem, todavia, aos poucos Moss vai conseguindo desgarrar na ponta.

Faltando vinte voltas para o final, começa a chover e Fangio abranda seu ritmo devido a instabilidade da 860 Monza e só volta a andar forte faltando cinco voltas para a bandeirada. Marca a volta mais rápida da prova (1.43.2), contudo insuficientes para alcançar Moss. O esquentado Jean Behra termina em terceiro, com outra Maserati, uma 200S e Jo Bonnier, com a única Alfa-Romeo 6C 3000 termina na quinta posição, atrás da Ferrari Mondial de Gregory. Silva Ramos abandonou, assim como o casal Isabelle Haskell e Alejandro De Tomaso e o velocista Fon De Portago, quando faltavam seis voltas e ele era o terceiro colocado.

No ano seguinte, o Chueco partiria firme para a conquista de sua quinta estrela, relegando Stirling Moss a ser seu eterno vice. O Careca só teria uma chance real, sem o Quíntuple por perto de 1958. Mas isso é conversa para outra ocasião.


A maravilhosa Ferrari 860S Monza de Fangio


GORDINIS AMESTRADOS- REZENDE DOS SANTOS, NANO E FABRIZIO SERENA.

Resultado





 

 

Carlos Henrique Mércio-Caranguejo

 

NT: Quando pensei em escrever sobre as três corridas da Venezuela na década de cinqüenta do século passado logo liguei para o Caranguejo. Numa confusão de números não consegui...São mais de dois mil e quinhentos posts no Histórias, e por melhor que seja minha memória não lembrava deste.

Logo após o post sobre a corrida de 1955 eis que o Caranguejo se manifesta, contando sobre o post “CARRERA BOLIVARIANA” que mostra a corrida de 1956.

Uma hora e meia de papo ao telefone, e mostro novamente a vocês este post publicado em 2012.

As fotos e pesquisas sobre a corrida de 1957, feita em mil quilômetros e denominada “Mil Quilômetros de Caracas” estão quase prontas, e o Caranguejo vai escrever comigo.

Rui Amaral jr

    




terça-feira, 27 de outubro de 2020

GP da Venezuela 1955

 

#20 Luigi Musso, #18 Fangio, #6 Phil Hill...

#10 Alfonso De Portago, #18 Fangio e #20 Musso.


1955 a Venezuela nadava em petróleo.

Antes que alguém venha dizer que faço apologia a corridas em ditaduras, quero declarar que sou de direita, e acredito que apenas na democracia podemos levar uma nação a um porto seguro.

Outra época! Fangio testa a Ferrari 750 Monza que foi usada por Portago!

Nesta época extraiam cerca de dois milhões e meio de barris por dia, e o preço do barril era mais ou menos  US$2,00 - dois dólares -, isto a um quarteirão e meio dos EUA, então seus maiores compradores, era então a quarta economia do planeta. Hoje com um “governo progressista” não extraem nem cem mil barris!

Ao contrário de Cuba onde as corridas eram na pré temporada européia, na Venezuela eram ao final da temporada.

E grande parte da nata do automobilismo estava inscrita.

2-A-Eugenio Castellotti-Scuderia Ferrari

 4-A-Umberto Maglioli-Scuderia Ferrari     

 6-A-Phil Hill/John Von Neumann-Ferrari

 8-B-Harry Schell-Scuderia Ferrari   

10-A-Alfonso de Portago- Ferrari

12-A-Piero Carini-Scuderia S. Ambreus-Ferrari

14-A-Francisco Landi-Scuderia Guastalla-Ferrari

16-A-T. de Granferried-Ferrari

18-A-Juan Manuel Fangio-Officine Alfieri Maserati          

20-A-Luigi Musso-Officine Alfieri Maserati

22-A-Roberto Mieres-Officine Alfieri Maserati      

24-B-Luigi “Gigi” Villoresi-Officine Alfieri Maserati           

26-B-Joao Rozende Dos Santos-Officine Alfieri Maserati 

28-B-Maria Tereza de Filippis-Officine Alfieri Maserati    

30-B-Oscar Cabalén-Officine Alfieri Maserati        

32-A-Robert Manzon-Equipe Gordini         

34-B-Nano da Silva Ramos-Equipe Gordini

36-B-Luis Chiron-Osca

38-B-Harry Chapmann-Osca

40-B-Pancho Pepe Croquer-Maserati

42-A-Julio Pola-Ferrari

44-B-Ramón López-Ferraril

46-B-Bob Said-Ferrari

48-B-Huschke von Hainstein-Porsche

50-B-Chimeri-Ferrari

A Maserati com Fangio, Musso e Mieres nas poderosas 300S, Gigi Vilorezi com 200S, e algumas A6GCS entre elas a da brava Maria Tereza de Filippis.

A Ferrari com uma 857 S para Castellotti, uma 121 LM para Magioli e um 500 Mondial para Schell. Phil Hill também vinha com uma 121 LM, mas inscrita por uma equipe norte americana.

“Seu” Chico, o Landi, com uma Ferrari 250 MM inscrita pela equipe Guastalla.

A Gordini com dois carros, o T15S para o brasileiro Hermano da Silva Ramos, na categoria até dois litros, e o T24S para Robert Manzon, com motor três litros.

Um Porsche 550 para o alemão Von Hanstein.

A equipe Madunina com um Osca T24 para Chiron, Além de duas Ferrari e uma Maserati, para pilotos locais.

Como vemos, a Ferrari com doze carros, depois a Maserati com oito, Osca e Gordini com dois carros cada e um Porsche.

Na época Fangio estava com quarenta e quatro anos, já era tri campeão do mundo de Formula Um. O mais velho era Chiron com cinquenta e seis anos. Depois “seu” Chico com quarenta e oito e Gigi Viloresi com quarenta e seis...

A pole foi de Musso, com Fangio ao seu lado 20/100 mais lento e De Portago 20/100 mais lento que Fangio. 

#8 Ferrari 500 Mondial de Castellotti/Schell vencedores na categoria até dois litros, seguido pela Ferrari 121 LM de Umberto Magioli. 

Fangio já na ponta, seguido por Musso.

Ferrari 750 Monza de Emmanuel de Graffenried, terceiro colocado. 


 

Sobre a corrida o excelente “Juan Manuel Fangio – um tributo ao chueco”, descreve de forma que eu jamais poderia fazer,  muito menos copiar...

http://www.jmfangio.org/gp1955venezuela.htm


CLASSIFICAÇÃO FINAL

Schell/Castellotti venceram na categoria até dois litros com Hermano Silva Ramos em quarto. Chico Landi com a Ferrari 250 MM quebrou na quadragésima segunda volta.

Pesquisa e fotos; 

J.M.Fangio-Um tributo ao chueco... link

Racing Sports Cars link


Rui Amaral Jr

NT: Foram três corridas na Venezuela, 1955/56 e 57. Breve trago as outras.