A VERDADE NÃO SERIA BASTANTE PLAUSÍVEL SE FOSSE FICÇÃO - Richard Bach
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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Haroldo Vaz Lobo por Ari Moro II


1) Nos dias 26 e 27 de novembro de 1960, foi realizada, no autódromo de Interlagos, em São Paulo/SP, a V Mil Milhas Brasileiras, a mais importante corrida de carros do Brasil, reunindo desta vez, 44 carros dos mais famosos pilotos do país. Entre eles estavam as duplas Germano Schlógl e Eugênio Souza, de São José dos Pinhais/PR, com carreteira Ford V8 número 52; Julio Andreatta (irmão de Catarino Andreatta) e Haroldo Vaz Lobo Porto Alegre/RS e Curitiba, com carreteira Ford V8 número 60; Euclides Bastos (Perereca) e José Arnaldo Grocoski, de Curitiba, com carreteira Ford V8, número 86. Isto, além das duplas Catarino Andreatta e Breno Fornari, de Porto Alegre/RS, com Ford V8 número 2; Karl Iwers e Henrique Iwers, de Porto Alegre/RS, com DKW Vemag, número 76; José Ramos e Justino De Maio, de São Paulo/SP, com carreteira Ford V8 número 50; Luis Pompeu de Camargo e Adalberto Aires. De São Paulo/SP, com Volkswagen número 6; e ainda nomes como Raul Lepper e Francisco Said, de Joinvile/SC, com carreteira Ford V8 número 14; Egênio Martins e Bird Clemente, de São Paulo/SP, com DKW Vemag número 18; Francisco Landi e Christian Heins, de São Paulo/SP, com Alfa Romeu JK número 28; e Camilo Christófaro e Celso Lara Barberis, de São PaulojSP, com caneteira Chevrolet V8 número 82.
A foto mostra as carreteiras em frente ao estádio de futebol do Pacaembu/SP - algumas já no solo, outras sendo descarrega das dos caminhões cegonha transportadores - de números 60 (Haroldo Vaz Lobo), 52 (Germano Schlógl), 2 (Catarino Andreatta), 50 (José Ramos) - notem que se tratava de uma carroçaria fordeco, provavelmente 1935; e ainda o Volks número 6 (Luis Pompeu de Camargo); e, o DKW Vemag número 76 - motor 3 cilindros, dois tempos - de Karl Iwers. Ao volante da carreteira 52, que está na rampa do caminhão, quem aparece deve ser Germano Schlógl, que pouco tempo depois faleceria num acidente automobilístico, com essa mesma carreteira, na rua Marechal Floriano Peixoto, em Curitiba. Os carros estavam passando pela vistoria, obrigatória antes da corrida.
Nesta corrida Haroldo Vaz Lobo competiu com a carreteira Ford V8 1940, motor com equipamento Edelbrock. Durante a madrugada, quebrou a caixa de câmbio, mas, mesmo assim, ele e Julio Andreatta fizeram o décimo-segundo lugar.

2)Nesta foto, ainda com a carreteira Ford 1940 e o número 60, Haroldo Vaz Lobo aparece do lado direito do carro, Breno Fornari no centro e, Raul Wigner na esquerda, na véspera do dia da largada da V Mil Milhas Brasileiras, em Interlagos/SP

3) Em Curitiba, na década de 1950, as carreteiras corriam em circuitos como os da rua Marechal Floriano Peixoto, com 5 quilometros de extensão; do bairro do Tarumã, onde hoje está o Colégio Militar e, do Passeio Público, centro da cidade. Aqui, um flagrante da passagem de Haroldo Vaz Lobo com sua carreteira número 5, com a imagem do cachorro galgo pintada na porta equipe Galgo Branco, de Porto Alegre/RS - em frente ao Colégio Estadual do Paraná, já fazendo a curva em direção ao prédio da Reitoria Universidade Federal do Paraná. Isto foi no ano de 1954. Na prova, quebrou uma roda da carreteira. Feito o conserto, Haroldo voltou à pista e conseguiu classificar-se em quarto lugar.
4) Nesta foto, um momento de alegria e glória na vida de Haroldo Vaz Lobo e seu co-piloto José Vera, pai de nosso amigo antigomobilista Vitor Vera. Eles haviam corrido, com o carro que aí aparece - um Chevrolet 1939, com motor Wyne e direito a pneus faixa branca e propaganda do jornal Gazeta do Povo, casa Nickel e Pneus Brasil- na prova de inauguração do Palácio do Café, por ocasião da inauguração da Exposição Internacional do Café, no circuito do bairro do tarumã, em Curitiba e, obtiveram o primeiro lugar. Isto, em 1954.
Do lado direito está Vaz Lobo, ao lado de José Vera, ambos segurando os troféus aos quais fizeram jus. A foto foi operada nas oficinas da Casa Nickel - importadora de veículos da marca Chevrolet - na rua Pedro Ivo. Ao fundo, mecânicos funcionários deste estabelecimento, numa festa de confraternização após a competição.


A vida do curitibano Haroldo Vaz . Lobo, como piloto de carretelras, é mais uma página Importante, gloriosa e cheia de saudade, parte integrante do vasto, emocionante e Implacável livro do tempo, que registra para todo o sempre a história grandiosa do automobilismo de competição paranaense e que nos faz, muitas vezes, chorar ao relembrar os acontecimentos de uma época distante, quando pilotos e mecânicos de carros de corrida superavam as maiores dificuldades para colocar os seus bólidos na pista, por puro prazer e satisfação de proporcionar um belo espetáculo aos amantes da velocidade e, não por Interesses financeiros ou materiais.
Aqui lembramo-nos do que nos disse recentemente outro destacado piloto de carreteira de São Jose dos Plnhais/PR ¬Miroslau Socachewski - a respeito dos seus patrocinadores, no final dos anos 50, Início de 60: "Patrocinador de piloto de carreteira, na minha época"era brincadeira. Um dono de churrascaria, por exemplo, dizia: coloque o nome do meu estabelecimento no teu carro e, depois da corrida venha aqui comer um churrasco de graça: Era assim a coisa e ainda não mudou muito, em boa parte.
Mas,• enfim, Vaz Lobo fez nome e história na direção de uma carreteira e hoje, ele mesmo faz questão de dizer: "Eu não me intimidava com carros mais fortes que o meu. Eu não era daqueles pilotos que deixavam de entrar na pista, quando sabiam que teriam de enfrentar concorrentes melhor preparadqs. Eu participava de todos as corridas, com ou sem chance de vencer.
Dedicamos., hoje um espaço deste jornal a esse memorável piloto e desportista, para que seus fans, principalmente aqueles saudosos que gostavam de ve-lo dirigir um carro de corrida,. das derrapadas, da poeira, do cheiro da gasolina e do ronco dos veoitões, matem a saudade.
Ari Moro



terça-feira, 27 de setembro de 2011

A volta do piloto pentacampeão João Campos


Márcio Campos, Graziela Rocha, Nelson Rocha e João Campos
Campeão cinco vezes consecutivamente do campeonato brasileiro de Pick Up Racing nos anos de 2001, no Autódromo de Interlagos/SP, 2002 - Autódromo de Jacarepaguá/RJ, 2003 - Autódromo de Interlagos/SP, 2004 - Autódromo de Pinhais/PR e, 2005 - Autódromo de Interlagos/SP, pilotando uma camioneta Ford Ranger com motor V6 bi-turbo de 300 cavalos.
Depois da vitória neste último campeonato decidiu parar de disputar corridas de automóvel, mas agora, aos 56 anos de idade e muita experiência de pistas, retorna ao mundo da velocidade.

Estamos nos referindo ao fenômeno das pistas de corrida João Campos, gaúcho da cidade de Farroupilha/RS que, como tantos outros pilotos, em 1980, aos 25 anos de idade preparou um Chevrolet Opala, colocou as ferramentas necessárias no porta-malas do veículo, além de sonhos e esperança na mente e foi, por estrada de chão à Porto Alegre/RS, disputar sua primeira prova ao lado de outros 25 pilotos, no Autódromo de Tarumã, obtendo então o destacado terceiro lugar.
Daí em diante mostrou que era do ramo, pois, galgou uma sucessão de vitorias e campeonatos em várias categorias automobilísticas, entre os quais: campeão gaúcho de Stock Car em 1981, com Chevrolet Opala; em 1982/83/84 disputou o Campeonato Gaúcho de Marcas, com Fiat 147; em 1985, disputou o Campeonato Brasileiro de Marcas, com Fiat Uno; em 1987/88/89, novamente o Campeonato Gaúcho de Marcas, com Ford Scort, sendo campeão em 1989; ainda em 1988 venceu, com o mesmo Ford Scort, as 12 Horas de Tarumã/RS; em 1990 participou do Campeonato Brasileiro de Marcas, com VW Voyage; em 1991 foi campeão do Campeonato Gaúcho de Fiat, com Fiat Uno; nos anos de 1992/93/94/95 venceu o Campeonato Brasileiro de Stock Car, com Chevrolet Omega; em 1996/97/98/99 disputou o Campeonato Brasileiro de Palio.
Após o penta-campeonato ma Pick Up Racing, em 2006 João Campos decidiu "tirar férias" e foi morar no balneário catarinense de Itapema, onde dedicou-se à atividade empresarial em outro ramo.
Mas, talvez influenciado por seu filho Márcio que, em 2010 começou a competir com um Chevrolet Corsa naquele mesmo autódromo de Tarumã/RS onde seu pai iniciou a carreira há 30 anos, João Campos retornou às pistas para deleite de seus fans.
Tanto é assim que já em maio deste ano ele e seu filho participaram da prova inaugural da categoria Mercedes Benz, reunindo 22 carros desta marca, modelo 250, com motor de 4 cilindros e 260HP.
O piloto gaúcho experimentou novamente a emoção de estar no pódio, desta vez em quarto lugar. Se depender dele, logo vencerá. Na foto, João Campos (D), Marcio (E), ao lado dos passo-fundenses Nelson (do tempo das carreteiras) e Graziela Rocha.
Por Ari Moro
Agradeço ao amigo Ari Moro a cedência deste.
Publicado primeiramente no jornal Paraná On line
http://www.parana-online.com.br/canal/automoveis/news/557057/?noticia=A+VOLTA+DO+PILOTO+PENTACAMPEAO+JOAO+CAMPOS
Dia 08/09/2011




quarta-feira, 20 de julho de 2011

Paulo Buso

Na semana passada minha amiga Graziela mostrou aqui um texto do Ari Moro noticiando o falecimento de Celestino Jacó Buso o Panseca. Abaixo um post de 28 de Julho de 2009 onde o Ari conta um pouco da história da família Buso mostrando Paulo um dos irmãos.

Aos meus amigos Ari Moro e Nelson Marques da Rocha, testemunhas dessa época maravilhosa meu muito obrigado, carinho e amizade. Com eles a Graziela e eu podemos conhecer e mostrar a todos muito sobre esses grandes pilotos que escreveram páginas tão belas de nosso automobilismo. 


Rui Amaral Jr

    

CHEIRO DE CANO DE ESCAPE

Recebi do jornalista Ari Moro alguns exemplares do jornal " CHEIRO DE CANO DE ESCAPE " excelente , lá ele escreve sobre diversos assuntos , antigomodelismo , aeromodelismo ,motociclismo , enfim um jornal completo onde ele mostrava toda sua competência .

Neste artigo ele mostra a "carreteira " de Paulo Buso , vencedora da prova Centenário de Curitiba , vencida por ele em sua corrida de estreia em 11 de Outubro de 1953 .

Sua carreteira Ford era equipada com um motor Mercury 1951 , com coletor para três carburadores , tampa de válvulas Edelbrook , cambio de três marchas e diferencial do Lincolmn Zephyr , totalmente rebaixada . Para esta corrida levava como co-piloto Reinaldo Tomasi cujo apelido era " Chupa Ovo ".

Eis o relato da corrida de Paulo Buso feito para o jornalista Ari Moro .
" Larguei em ultimo lugar , mas , depois de 8 voltas já estava alcançando os ponteiros , que eram Aroldo , Perereca , Chico Saide e Argemiro Preto , este correndo com um Cadillac 1940 cupê . Mais umas voltas e peguei a ponta para não deixa-la mais , vencendo a corrida . Um dos meus trunfos era que , eu ultrapassava os demais competidores nas curvas ,pois sabia faze-las melhor . Sempre ultrapassava-os por dentro . Lembro-me que era uma tarde de muito sol e publico numeroso . Quem deu a bandeirada de chegada foi Anfrísio Siqueira , responsável pela comissão de corridas do Automóvel Clube do Paraná . Como vencedor da Copa Centenário , recebi prémio em dinheiro , medalha e um diploma , este entregue pelo então Governador Bento Munhoz da Rocha Neto "
Ari completa , O diploma recebido do Governador , que Buso ostenta com orgulho , diz o seguinte , inclusive acrescentando um "s" ao seu sobrenome : " Automóvel Clube do Paraná - Outorgado Sr Paulo Busso , que com automóvel marca Ford obteve a primeira colocação na prova Centenário do Paraná , realizada em 11 de Outubro de 1953 . Curitiba 12 de Outubro de 1953 ." O documento é assinado por Alceu Cominese- Presidente- , e Luiz Gastão Cominese - Secretário daquela instituição .
Caro Ari , não tenho palavras para agradecer a você esta bela página do automobilismo Paranaense e Brasileiro que você mostrou com tanto carinho e competência . Obrigado .
P.S. Paulo Buso faleceu em Fevereiro de 2005 , sua filha Miriam Buso guarda com carinho sua carreteira .

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Panseca, o último dos Buso faleceu aos 81 anos

Eles eram três irmãos - João, Paulo e Celestino - todos portadores de "gasolina na veia" e a mesma paixão: carro de corrida. Durante parte de suas vidas, respiraram muita poeira, vapor de gasolina, fumaça de combustível queimado, afrouxaram e apertaram centenas de parafusos no ajuste de cabeçotes, regulagem da mistura e da centelha que dá vida ao motor, conviveram com o perigo da velocidade, mas, experimentaram o prazer da vitória e proporcionaram muita emoção e alegria ao público espectador.

O primeiro deles a falecer foi João Augusto Buso, o mais velho. Depois, em 2002, Paulo José Buso deixou este mundo. Agora, lamentavelmente, registramos o falecimento - dia 13 de junho, aos 81 anos de idade - de Celestino Jacó Buso que, na década de 1950, era conhecido nas corridas de carros pelo apelido de Panseca.

Todos eles tiveram carreteira, sempre Ford e sempre motor V8. O mais destacado de todos foi Paulo, vencedor de inúmeras provas em circuitos de rua e em estradas, entre as quais a Prova Centenário do Paraná, em 1953, com sua carreteira Ford 1939 e motor de Mercury 1951.

Celestino, brincalhão, há cerca de 1 ano dizia: "Também pudera, o que tinha de equipamento melhor sempre ia para a carreteira do Gordo (Paulo). O que sobrava, estava usado ou estragado, ia para a minha."

Com efeito, na véspera de uma corrida Curitiba-Ponta Grossa/PR, por estrada de chão, Panseca teve que "emprestar" o distribuidor especial do seu carro para Paulo colocar na sua carreteira, que estava melhor preparada.

Com isso, Panseca teve de usar o distribuidor ruim da carreteira de Paulo e o motor do seu carro pifou o tempo todo. Noutra corrida, vencida por Haroldo Vaz Lobo com um Morgan (Turismo), capotou seu carro numa curva do final da rua Mal. Floriano Peixoto.

Panseca pilotava a carreteira número 54, Ford 1937, motor 59AB com cabeçotes de alumínio, coletor de dois carburadores (que pegou do Paulo) e câmbio de Lincoln.

Retirou-se mais cedo das corridas - 1956 - para estudar e prestar vestibular ao curso de medicina. Sua carreteira, trocou-a com o amigo de colégio Clodoaldo Moreira, por uma espingarda, terreno e o resto em dinheiro.

Fecha-se mais uma página da história do tempo das carreteiras, abafando o ronco de um motor V8 pelas ruas da cidade, de um sorridente e agitado Panseca que deixou importante contribuição ao desenvolvimento do automobilismo de competição. Na foto, Panseca no circuito do Passeio Público.



Por Ari Moro


Publicado primeiramente no jornal Paraná On line
http://www.parana-online.com.br/canal/automoveis/news/540881/?noticia=PANSECA+O+ULTIMO+DOS+BUSO+FALECEU+AOS+81+ANOS
30/06/2011 às 00:00:00 - Atualizado em 29/06/2011 às 22:37:11


A famíla Buso nossos sentimentos.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Mais uma história do antigomobilismo paranaense




Há poucos dias, na vizinha São José dos Pinhais, ao reencontrarmos o ex-piloto de carreteira Adir Alcídio Moss ou, simplesmente Adir Moss, filho desta terra, o tempo não só parou, mas, deu marcha-a-ré, levando-nos de volta aos idos de 1950, ao cheiro de gasolina misturado à poeira, ao ronco dos motores Ford V8 envenenados para competição, aos gritos do público postado a poucos metros dos carros em alta velocidade.

E as páginas amareladas da história das carreteiras foram se abrindo como que por encanto...

Imaginem os leitores o que significava, na década de 50, um jovem de apenas 22 anos de idade, recém chegado da Itália, onde esteve na II Guerra como piloto da Força Aérea Brasileira, se dispor a ir aos Estados Unidos sózinho, sem falar a língua inglesa, a fim de comprar equipamentos Edelbrok para envenenar os motores Ford V8.

Foi isso que Adir fez, após frequentar a oficina mecânica do já piloto de carreteira Sãojoséense Germano Schlögl, que convidou-o a atuar como co-piloto numa prova da Festa da Uva, em Caxias do Sul/RS, a bordo de carreteira com motor Ford 8BA V8, conquistando o segundo lugar, atrás do gaúcho Catarino Andreatta.

Foi então que Germano queixou-se da falta de melhor equipamento para seu carro, a fim de competir em igualdade com os pilotos mais famosos do país e participar das Mil Milhas Brasileiras.

Mas como? Quem poderia ir aos Estados Unidos? Adir Moss tomou a iniciativa, muniu-se dos recursos, pegou um Constellation da Real e desembarcou em Los Angeles /EUA.

Jovem, angariou a simpatia das aeromoças da Real, que falavam inglês e com elas foi a uma loja especializada, na qual comprou cabeçotes de alumínio, molas especiais para válvulas, distribuidor especial, coletor de admissão para três carburadores e o mais necessário.

Na saída da loja, o vendedor lembrou que faltavam ainda as varetas para acionar o carburadores em conjunto. De posse do material, Germano, que era bom preparador, deixou o 8BA tinindo e convidou Adir para disputarem as Mil Milhas, em Interlagos/SP.

Obviamente, Adir topou, pois, significava a glória para qualquer piloto. "Numa largada tipo Le Mans (carro de um lado da pista e piloto do outro) - recorda Adir - arrancamos em oitavo lugar a meia-noite e lá pelas 8,00 horas, já com sol, Germano entregou-me o volante do carro que estava perfeito. Mas, a pista estava lisa e numa curva a carreteira derrapou indo com o radiador contra um barranco. Foi o fim da corrida para nós." E mais essa página da história de pilotos e carreteiras paranaenses foi virada, deixando lembranças...




Por Ari Moro



Publicado primeiramente no Jonal Paraná Online



09/06/2011 às 00:00:00 - Atualizado em 08/06/2011 às 22:20:06


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ex-pilotos de carreteira agitam na RMC

Se hoje o município de São José dos Pinhais/PR, na Região Metropolitana de Curitiba, beirando a cifra de quase 250.000 habitantes, atinge visível importância no contexto sócio-econômico paranaense, isto se deve ao célere crescimento do seu parque industrial, incrementado sobremaneira nos últimos anos pelo funcionamento ali da indústria automotiva.

Vai longe o tempo em que São José era um grande fabricante de barricas de madeira, destinadas ao acondicionamento de erva-mate, que eram transportadas a Curitiba por carroções.

Por falar em indústria automotiva, não pode ser esquecido que São José, sobretudo na década de 1950, foi voz bastante ativa no cenário do automobilismo de competição brasileiro, pois, além de frequentes e célebres corridas de carreteiras realizadas no circuito então existente no local, forneceu ao país pilotos de renome como Germano Schlögl, conhecido como “Alemãozinho” e que, segundo seus contemporâneos, sabia como ninguém dominar um carro em alta velocidade numa curva.

E isto não está esquecido, pois, o Museu Atilio Rocco, da Secretaria da Cultura da Prefeitura Municipal de São José dos Pinhais, além de manter há anos exposição permanente de objetos e fatos ligados à história de Germano como mecânico e piloto de carreteira, acaba de realizar no calçadão da rua XV de Novembro, em frente ao estabelecimento, encontro de ex-pilotos de carros de corrida, de veículos antigos, de entusiastas do automobilismo, com painéis de fotos e jornais da época das carreteiras, música de época, projeção de filme, num evento que chamou a atenção de todo o público passante e que, por um dia, resgatou, reviveu a história perdida no tempo.

Como num passe de mágica, eis que repentinamente ali surgiram, ao vivo, pilotos famosos como Adir Moss, Waldemiro Lopes da Silva (“Galalau”), Altair Barranco, Agostinho Tozo, além de parentes e amigos de pilotos falecidos, todos confraternizando, recordando velhas histórias e se admirando.

Por um dia, todos felizes remoçaram. Esse é um dos efeitos positivos de uma promoção dessas, que acertadamente a municipalidade decidiu concretizar pelas mãos da Diretora do Museu Atilio Rocco – Zelinda Fialla. Ressaltemos que, nas suas carreteiras, os pilotos ajudaram a divulgar no país o nome do município. Isso é cultura!

Por Ari Moro

Publicado primeiramente no jornal Paraná On line
http://www.parana-online.com.br/canal/automoveis/news/533134/?noticia=EX+PILOTOS+DE+CARRETEIRA+AGITAM+NA+RMC
26/05/2011 às 00:00:00 - Atualizado em 26/05/2011 às 03:13:57

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Experiência prova que ovo não serve só para omelete!

Pois é, em junho de 2010 anunciamos que o curitibano Orlando Dal´Lago, portador de Carteira de Habilitação expedida em 16 de agosto de 1945 e já na casa dos 83 anos de idade, seria não só o motorista mais idoso mais também o mais experiente em mecânica de automóveis da marca Ford a participar, com o seu Galaxie 1961, modelo Victória, duas portas, motor V-8, câmbio mecânico de 3 marchas, da viagem/passeio organizada pelo Veteran Car Clube do Paraná a Punta Del Leste e Montevidéo, no Uruguai, o que foi concretizado no mês de setembro daquele ano.

Não estávamos errados sobre a sua idade e tampouco sobre a sua experiência em mecânica automobilística. Antes de partir, junto de outros 20 carros e cerca de 40 antigomobilistas, Orlando mandou verificar a geometria das rodas frontais do seu "Gala", colocou jogo de pneus e radiador novos.

Antes não tivesse feito isto, pois, tais providências só acarretaram problemas. O serviço de geometria das rodas não foi bem feito, de tal forma que os pneus dianteiros do carro, novos, sofreram desgaste prematuro durante a viagem, chegando ao extremo de fazer com que Orlando tivesse que troca-los por outros, novos também, o que o deixou bastante aborrecido. Se não bastasse isso, o radiador novo vazou.

Mas, foi aí que entrou a experiência adquirida por Orlando ao longo de anos ao volante de carros, camionetas e caminhões em viagens sob condições adversas e em oficinas mecânicas, quando, na falta de recursos, ele mesmo tinha que solucionar os problemas que surgiam.Obviamente, em contato com a água fervente, a clara e a gema circularam pelo interior do radiador, sofreram cozimento e obstruíram o furo da colméia, solucionando o problema.Ao invés de retirar a peça do carro (o que implica numa trabalheira), providenciar uma solda, perder tempo, tomar outra atitude ou ficar nervoso, Orlando simplesmente adquiriu 2 ovos de galinha, não para fazer uma omelete mas, para colocar a clara e a gema dos mesmos dentro do radiador.

Trata-se de um macete quebra-galho que certamente causou surpresa outros antigomobilistas. E a viagem de 6 dias e 3.300 quilometros prosseguiu normalmente.

Não é a toa que Orlando, na década de 1950, ajudava seu irmão, o piloto Edmundo Dal´Lago (Mundito), a preparar a carreteira deste para as corridas. Nas fotos, Orlando Dal´Lago com seu "Gala" em plena viagem e ao lado de dedos gigantes, em Punta Del Leste


Por Ari Moro
Publicado primeiramente no Jornal do Automóvel e Paraná On Line
21/04/2011 às 00:00:00 - Atualizado em 20/04/2011 às 23:19:18

quarta-feira, 30 de março de 2011

MIL MILHAS BRASILEIRAS 1956 - A QUASE VITÓRIA DE UM FUSQUINHA - II


Na edição nº 4 de seu jornal Ari Moro ao contar da participação de Germano Schlögl nas Mil Milhas Brasileiras de 1956 , cita o VW em que correram Eugênio Martins e Christian Heins como um fusquinha original . Pesquisando depois , Ari com a ajuda de Paulo Trevisan que consultou ninguém menos que Jorge Lettri o preparador do carro que lhes deu o seguinte depoimento .


" Referente ao VW nas I Mil Milhas Brasileiras -Interlagos/SP - 25/11/56 . Pilotado por ChristianHeins e Eugênio Martins e devidamente preparado em minha firma de então - Argos Equipamentos - tenho o seguinte a comentar :
1) A performance apresentada pelo fusquinha número 18 nessa dura prova , constituiu-sa no maior feito esportivo mundial de um veiculo VW até aquela data e , muito em especial em toda a América Latina !


Largada das Mil Milhas Brasileiras - 1956 - Christian e Eugênio entre as "feras" .
No miolo de Interlagos , a tocada de dois grandes pilotos !


A chegada , braço levantado quase uma vitória !

2) Devido aos detalhes de momento, as condições externas foram mantidas quase que inalteradas ao original, o que publicitáriamente deram uma gigantesca penetração ao fato em si! Observe-se que nem o automático rebaixamento das suspensões foi introduzido no caso, isso mesmo em detrimento à perda de performance em curvas, detalhe tão necessário nesse tipo de disputa em autródromos como o de Interlagos!
3) A potência do motor 1500cc - Porsche 1.5 - bloco original VW de duas partes, de acordo com o regulamento conhecido - veículo e bloco do motor da mesma marca - fornecia uma potência de 74CV-Din, número esse idêntico a qualquer motor de série dos atuais 1000cc de produção nacional. Nunca, entretanto, esquecendo que disputávamos a prova contra as decantadas carreteiras do Rio Grande do Sul, equipadas com motores de 5000/6000cc!
4) Ao carro em pauta não foram introduzidas modificações básicas importantíssimas em competições, tais como: rodas - aro, pneu e medidas, sendo os aros utilizados em 15x4.5" e pneus 5.60x15" de construção diagonal ¬Spalla di Sicurezza. Enfim, pior que isso não seria possível!
5) Deve ser dada uma nota muito especial ao sistema de refrigeração do óleo lubricicanate do motor, que por sinal sempre constituira-se
na maior dificuldade dos motores refrigerados a ar em competições. Foi adotado no caso o sistema de carter seco, incorporando um radiador dianteiro. Para tal, foi elaborado um capô especial em fiberglass com bocal apropriado, de autoria do engenheiro João Amaral Gurgel, sendo essa a primeira peça produzida por ele na área automotriz!
6) Durante boa parte da prova o VW-18 ocupou a primeira posição, infelizmente perdeu-se a ponta pela simples quebra de um cabo de acelerador; porém ainda. chegou-se em segundo lugar na final!"
CHICOLANDI
Mais adiante, em sua resposta, Lettry comenta: "Fato curioso: alguns dias antes da prova, um bom amigo e eu achavamo-nos no apartamento da família Fittipaldi, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, para um daqueles "papos intermináveis" com o velho Barão, ainda com cabelos negros, quando repentinamente aparece por lá para o mesmo fim, o mais destacável piloto nacional até aqueles idos dias. Chico Landi! Naqueles tempos as palavras do famosíssimo "Chico Miséria" em matéria de mecânica esportiva faziam realmente tremer as paredes. Referindo-se a nós e ao pequeno veículo em baila, com aquela voz surda e bem característica sua, ele declara assintosamente: "no meio da corrida já vou começar a cortar a barba, pois já estará comprida prá burro!"
Pois bem: no meio da prova, quando já ocupávamos a liderança, o famoso personagem aparece em nosso box para dar uma daquelas típicas "abelhadas,,'na casa dos outros. Diante dessa extrema curiosidade, perguntamos então a ele: "como é seu Chico, já começou a cortar a barba?" Meio aos murmúrios e palavrões, •Iá se foi ele que era o grande piloto brasileiro de todos os tempos anteriores, como uma fera ferida em seu pleno orgulho! Simplesmente mais um fato cômico de nosso conturbado automobilismo. Só isso!".

sábado, 12 de março de 2011

Piloto Paulo Buso fez história entre as carreteiras

A marcha inexorável do tempo acaba de trazer à tona mais uma vez a figura de Paulo Buso e com ela a lembrança deste que foi um dos mais destacados pilotos de carreteira paranaenses na década de 1950, falecido a 25 de fevereiro de 2002.

Entre outras, ele venceu por três vezes a prova Curitiba/Ponta Grossa, promovida pelo jornal Paraná Esportivo. Aproveitando a ocasião remexemos o velho baú que encerra as histórias das corridas de carreteiras em Curitiba e lá encontramos relato de Celestino Buso, irmão de Paulo e piloto de carreteira também, envolvendo os dois e ainda o então estudante de engenharia Marcos Corção, cujas teorias sobre engenharia mecânica eram aplicadas nos carros de competição.



Na véspera da prova Centenário do Paraná, acontecida a 11 de outubro de 1953 no circuito da rua Mal. Floriano Peixoto, na capital, os dois irmãos e mais Corção tentavam e não conseguiam, na oficina mecânica de ambos da Rua Comendador Araujo, "arredondar" o giro do motor V8 com cabeçotes Edelbrock e agora com coletor para três carburadores.


O motor rateava muito" - segundo Celestino. O problema foi deixando todos nervosos e lá pelas tantas Paulo, desesperado, baixou violentamente o capô do motor do carro, dizendo que não aguentava mais, não participaria da prova e foi embora para sua casa, na avenida Guaíra, hoje Kennedy. Celestino e Corção reestudaram a situação e acharam que o problema era causado pela precária alimentação do motor.

Munidos de agulhas apropriadas, foram abrindo os buracos dos giclês, até que o motor "arredondou". Isto, pelas 4,00 horas da manhã do dia da prova. Foram então testar a máquina na "pista" da Mal. Floriano, Celestino de carreteira e Corção de motocicleta. O motor chegou a 5.000 giros sem ratear.

Satisfeito, Celestino levou a carreteira à casa de Paulo, ali perto, que tinha ouvido o ronco firme do motor, na madrugada. Lá chegando, encontrou, no portão da casa, numa noite de frio, Paulo e sua esposa Othalia, vestidos com roupa de dormir. Sem graça, Paulo observou: "... é, agora está bom, né?

Celestino, por sua vez, irritado com o sacrifício que fez, falou: "Gordo (apelido de Paulo), se você não ganhar essa corrida nós vamos conversar...". Paulo Buso não só correu mas, venceu, ganhando prêmio em dinheiro, troféu e diploma entregue pelo então Governador Bento Munhoz da Rocha Neto.

Numa foto de hoje, Paulo e seu primeiro carro de corrida, em Curitiba. Na outra, com sua carreteira logo atrás do carro 86 de Perereca, indo à Interlagos, em São Paulo/SP.

Por Ari Moro


Agradecemos ao amigo Ari Moro a cedência deste.

Publicado primeiramente no Jornal do Automóvel/Tribuna de Curitiba-PR e Paraná Online

http://www.parana-online.com.br/canal/automoveis/news/516490/?noticia=PILOTO+PAULO+BUSO+FEZ+HISTORIA+ENTRE+AS+CARRETEIRAS

10/03/2011 às 00:00:00 - Atualizado em 09/03/2011 às 23:07:26

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Sim, as saudosas carreteras ainda correm!

No Brasil, das saudosas carreteiras - carros de passeio preparados para corrida - das décadas de 1940/50, cujos motores roncavam nas ruas, nas estradas, nas praias e nos raros autódromos de então, poucas restam e entre estas algumas foram "empetecadas" com coisas que não existiam na época, ficando descaracterizadas, infelizmente. Existem em maior número no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.

As que restaram dificilmente saem das suas garagens e quando isso acontece é para serem levadas a exposições e coisas do gênero, uma vez que no país não existe tradição no sentido de se organizar provas reunindo carros de corrida antigos, com raríssimas exceções, lamentavelmente.

Mas, no Rio Grande do Sul é disputado, em quatro autódromos, campeonato na categoria Fórmula Classic/Automóveis Históricos, do qual o piloto Carlos Eugênio Leonardo, de Porto Alegre/RS, participa com uma carreteira Chevrolet Cupê 1936, com motor de 4 cilindros e câmbio original.

Ele começou a competir em 1998, participando de ralis internacionais e de provas especiais como a preliminar das "12 Horas de Tarumã"- RS, ganhando boa experiência nas pistas.

Recentemente, Carlos Eugênio foi vítima de dois acidentes, um deles grave. No primeiro, em plena rua porto-alegrense, a sua carreteira número 16 "perdeu" o diferencial e as rodas traseiras, ficando no chão.

No segundo, quando treinava na pista do autódromo Velopark / Santa Rita/RS visando uma corrida, vazou combustível do tanque da carreteira e esta pegou fogo.

O piloto safou-se com poucas queimaduras, mas, os gases que aspirou fizeram com que ficasse internado por trinta dias numa UTI hospitalar, restabelecendo-se posteriormente.

Nas fotos de hoje a carreteira 16 pegando fogo na pista e finalmente, em Porto Alegre , Carlos Eugênio (D) ao lado do antigomobilista passofundense Nelson Rocha, tchê!

Por Ari Moro

Primeiramente publicado no Paraná OnLine e Jornal do Automóvel de Curitiba-PR
http://www.parana-online.com.br/canal/automoveis/news/510532/?noticia=SIM+AS+SAUDOSAS+CARRETEIRAS+AINDA+CORREM
10/02/2011 às 00:00:00 - Atualizado em 11/02/2011 às 20:46:58

* Errata: O acidente ocorreu no Autódromo Internacional de Tarumã-RS.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Jorge Ribeiro

Ari Moro, gostaria de escrever algo sobre ele, mas escrever o que? Apenas que é um jornalista de automobilismo apaixonado pelo que faz, assistiu ao vivo as primeiras Mil Milhas Brasileiras no ano de 1956 e continua até hoje acompanhando e escrevendo. Ah! E me privilegiou permitindo que eu mostrasse seus ótimos textos escritos em seu jornal " CHEIRO DE CANO DE ESCAPE" bem como tantos outros escritos para o jornal ParanáOnline e que a Graziela vem nos mostrando.
Um forte abraço Ari.


Clique nos textos para expandir.





     

sábado, 27 de novembro de 2010

A Extraordinária Corrida, em 1940 - Capítulo II

Neste ponto, sob chuva torrencial, o presidente da Comissão Esportiva do ACB - Romeu de Miranda e Silva - deu a partida oficial, às 8,00 horas, para que os pilotos cumprissem a primeira etapa, de 493 quilometros: Largo do Campinho, Realengo, Bangu, Barra do Piraí, Pouso Seco, Bananal, Guaratinguetá, Taubaté, Jacareí, Mogi das Cruzes e São Paulo.

A cada dois minutos, largaram: Oscar Bins/RS - carro número 2 - Ford; Antonio Peres/RS - 4 -Mercury; Iberê Correia/SC - 6 - Ford; Norberto Jung/RS - 8 - Ford; Hector Suppici Seedes/Uruguai - 10 - Ford; Julio Vieira/SP - 12 - Lincoln Zephyr; Fernando Augusto Alves/RJ - 14 - BMW; Clemente Rovere/SC - 16 - Ford; Francisco Landi-SP - 18 - Ford; Salvador M. Pereira/SP - 20 - Willys; Quirino Landi/RJ - 22 - Ford; Milton Brandão/RJ - 24 - Ford; Ernesto Ranzolin/RS - 26 - Ford; José Lugeri/SP - 28 - Chevrolet; Ari Cortese/RJ - 30 - Ford; Santos Soeiro/SP - 32 - Ford; Luiz Tavares de Moraes/RJ - 34 - Ford; Adalberto Moraes/RS - 36 - Chevrolet; Raulino Miranda/SC - 33 - Chevrolet; Carlos Frias/RJ - 40 - Hudson; Catharino Andreatta/RS - 42 - Mercury; Etel Cantoni/Uruguai - 44 - Ford; e Belmiro Terra/RS - 46 - Chevrolet. Apenas 15 carros chegaram ao bairro da Penha em São Paulo. Já no quilometro 81 o Chevrolet de José Lugeri capotou.

Em seguida acidentou-se Norberto Jung e depois pararam Santos Soeiro, Carlos Frias, Fernando Augusto Alves, Quirino Landi e Milton Brandão.

A etapa foi vencida por Clemente Rovere em 6 horas, 16 minutos e 7 segundos, seguido por: Chico Landi - 6 horas, 24 minutos e 41 segundos e meio; Iberê Correia - 6 horas, 25 minutos e 46 segundos.

Depois vieram Catharino Andreatta, Julio Vieira, Ernesto Ranzolin (6h35´53´´), Adalberto Moraes, Antonio Peres, Raulino Miranda, Oscar Bins, Hector Suppici, Ari Cortese, Belmiro Terra, Salvador M. Pereira e Eitel Cantoni.

O recorde desse trecho havia sido estabelecido em 1937 pelo piloto argentino Arturo Kruse, com 6h8´. Nas fotos, a largada, no Rio, dos carros números 4 - Antonio Peres - e 8 - Norberto Jung. Não perca a sequência da história!

Por Ari Moro

Publicado primeiramente no Jornal do Automóvel de Curitiba-PR e Paraná Online - 25/11/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 25/11/2010 às 00:21:45


* Fotos do acervo do amigo Antônio Ranzolin, filho do saudoso exímio piloto gaúcho de carretera, Ernesto Ranzolin

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Antigomobilistas relembram a Extraordinária Corrida, em 1940 - I


O dia 14 do corrente mês de novembro será data muito especial tanto para os antigomobilistas quanto para todas aquelas pessoas que possuem "gasolina na veia" e são apaixonadas por corridas de carro.

Nesse dia, serão comemorados os 70 anos da largada, sob chuva intensa, dos até heróicos pilotos e carros participantes do "Grande Prêmio Bi-Centenário de Porto Alegre".

A prova levou um punhado de entusiastas do automobilismo de competição brasileiro e uruguaio a se lançarem numa verdadeira aventura sobre um trajeto de chão, saibro, pedras, buracos, lama, poeira, pontes precárias, planícies, serras, falta de recursos, totalizando 2.076 quilômetros , entre o Rio de Janeiro e a capital gaúcha, passando por Curitiba, numa das corridas de estrada mais eletrizantes e saudosas do Brasil..

A maratona foi concluída em 27 horas, 59 minutos, 1 segundo e 4 décimos, sendo o grande vencedor o piloto Clemente Rovere, de Florianópolis/SC, a bordo da carreteira Ford número 16, com média horária de 73,971 km , considerada excelente face ao estado de conservação das estradas. Imagine o leitor o que existia no Brasil em termos de estradas em 1940. Pavimentação asfáltica?

Praticamente nada. Somente o trecho entre Curitiba e São Paulo/SP exigia um dia inteiro de viagem por parte de um caminhão Ford F-8 carregado com pouco mais de 10 mil quilos e se chovesse muito no denominado "Banhado Grande", a refrega poderia durar até uma semana!

Daí classificarmos de extraordinário o feito, tanto por parte dos responsáveis pela organização da prova quanto dos intrépidos pilotos. A vontade de participar do evento era tanta que teve piloto, como Ernesto Ranzolin, que comprou na revenda Ribeiro Jung, de Porto Alegre/RS, um Ford 1940 cupê zero quilometro, para correr com o veículo!

A partir desta edição começaremos a publicar resumo da página gloriosa que retrata o que foi essa fantástica corrida de carros, com ênfase sobre o desempenho do piloto Ernesto Ranzolin, gaúcho da cidade de Antonio Prado radicado em Lages S /C por ocasião do evento. Isto, graças à fundamental colaboração da jornalista Graziela Rocha, de Passo Fundo/RS, que coletou precioso material histórico.

A prova foi dividida em quatro etapas, sendo Rio de Janeiro/ São Paulo, São Paulo/Curitiba, Curitiba/Florianópolis e Florianópolis/Porto Alegre, as quais abordaremos separadamente.

Numa das fotos de hoje, flagrante do "café com biscoito" oferecido pelo presidente do Automóvel Clube do Brasil - Herbert Moses (centro) - a pilotos e convidados, antes da largada, no Rio, vendo-se o vencedor Clemente Rovere (esquerda, de gravata borboleta) e Chico Landi (todo de branco, à direita); na outra, dia 14/11/1940, às 7,00 horas, sob chuva, 23 carros alinham em frente ao Automóvel Clube/Rio, para a largada da prova. Não perca a sequência da história!


Por Ari Moro

Artigo publicado primeiramente no Jornal do Automóvel de Curitiba-PR e Paraná Online
11/11/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 11/11/2010 às 04:57:25

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Plínio Meider Magrin é um Dentista Piloto

Foi por influência de seus primos - Paulo e João Buso - que já pilotavam carreteiras, que o curitibano Plínio Meider Magrin começou a se interessar, por volta de 1958/59, pelas competições automobilísticas.

Isto quando Magrin, filho de Evaristo e Vitória Magrin e formado pela Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Paraná em 1953, contava com apenas 21 anos de idade.

Foi então que Plínio adquiriu um automóvel Ford 1937 cupê que, segundo ele não oferecia boas condições para ser colocado em corridas, pois, apesar de ter o sistema de freios à varão já substituído por um sistema hidráulico, era ruim de freio.

Vendeu esse carro e comprou um Ford 1940 cupê também que, na época, era o automóvel mais utilizado pelos pilotos de carreteira. Aí sim, colocou no novo carro um motor Ford V8 modelo 8BA, rebaixou os cabeçotes originais, aliviou ao máximo o peso do volante da gremalheira, montou um diferencial mais longo com relação 11/39 e ingressou nas corridas na categoria Turismo que, como se recorda, tinha regulamento que não permitia maiores modificações na carroçaria e na mecânica do veículo como acontecia com a categoria Força Livre, das legítimas carreteiras. Quanto ao câmbio, permaneceu o original do Ford 1940, com três marchas à frente.

"O mecânico preparador do meu carro - diz Plínio Magrin -

era o próprio João Buso, que possuía oficina na rua Alferes Poli

esquina com avenida Guaíra, hoje avenida John Kennedy, em Curitiba.


Lembro-me bem - acrescenta Magrin hoje aos 75 anos de idade - que tinha boa amizade com Oscar Horst, dono da loja de auto-peças Tabor, que me fornecia as peças de reposição e os pneus que precisasse mas, que fazia uma exigência: nada de propaganda da loja na carroçaria do carro, a fim de evitar que outros pilotos de carros de corrida pedissem patrocínio a ele.

Enchia o tanque com gasolina de avião vendida pelo senhor Inocêncio, no hangar do Aeroclube, aeroporto do bairro do Bacacheri e aos sábados à tarde ia treinar na pista do circuito da vizinha cidade de São José dos Pinhais, no chamado "Chiqueirinho", preparando-me para as corridas, tendo ao lado a minha esposa Ilze."

Na sua primeira prova oficial, em 1960, na categoria Turismo, quando conseguiu o quarto lugar, Magrin competiu com pilotos que depois se tornaram famosos na categoria das carreteiras, tais como Miroslau Socachewski, Altair Barranco e Germano Schlögl, êste, o mais perfeito piloto de carreteira que conheceu.

Além do "Chiqueirinho", competiu no circuito do Asilo (rua Mal. Floriano Peixoto), em Curitiba. "Numa prova em Porto Alegre /RS - fala Magrin - assisti o extraordinário piloto e preparador argentino João Galvez chegar com sua carreteira em cima de uma camioneta furgão e anunciar numa rádio local que venceria a corrida, competindo com os melhores pilotos e carros gaúchos. Já na terceira volta pegou a ponta para não perde-la mais."

Na sua trajetória como piloto de carros de corrida, o que mais marcou a vida desse curitibano, que gosta de automobilismo até hoje, foram as amizades que angariou, as quais conserva até hoje com satisfação. Nos flagrantes, Plínio Magrin e o seu Ford (com direito a pneus faixa-branca!).

Por Ari Moro

http://www.parana-online.com.br/canal/automoveis/news/434899/?noticia=PLINIO+MEIDER+MAGRIN+E+UM+DENTISTA+PILOTO

18/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 17/03/2010 às 23:56:38

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Manivela do Fusca pós II Guerra Mundial


Dando continuidade às observações do antigomobilista curitibano Waldir Kunze sobre peças do Volkswagen (Fusca) construído na Alemanha após a II Guerra Mundial, abordaremos hoje os itens: manivela, forração e macaco.

Tendo como base a foto que estamos publicando, diz o senhor Kunze: "Vê-se em primeiro plano uma "senhora" manivela que aparenta ter de 20 a 22 mm de diâmetro, utilizada no Fusca até 1950.

Observe-se que o cabo desta manivela tinha acabamento/bucha, a fim de evitar ferimentos na palma da mão de quem a usasse. Em segundo plano vê-se uma forração.

As peças mais compridas são de duas partes e forravam o porta-malas do veículo. Note-se o recorte referente à curva do para-lama. Por outro lado, em cima de um pedaço de papel aparece o macaco, o qual, como dissemos anteriormente, tinha a ponta de formato redondo para ser perfeitamente encaixada no buraco do suporte na estrutura do carro, que era redondo também.

Parcialmente, aparece ainda na foto uma roda de 16 polegadas que, como já salientamos, tinha suas partes rebitadas e equipava o Fusca até 1952. Outro ítem que a foto apresenta é uma caixa de papelão para acondicionar peças, na qual está escrita a palavra Coors, o que indica que a sua origem é um país nórdico e não a Alemanha.

Por Ari Moro

Agradeço ao jornalista e amigo, Ari Moro de Curitiba-PR, a cedência deste que foi publicado primeiramente no Jornal do Automóvel de Curitiba e Paraná Online.

http://www.parana-online.com.br/canal/automoveis/news/488592/?noticia=MANIVELA+DO+FUSCA+POS+II+GUERRA+MUNDIAL

04/11/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 04/11/2010 às 05:05:41