A VERDADE NÃO SERIA BASTANTE PLAUSÍVEL SE FOSSE FICÇÃO - Richard Bach

sábado, 25 de junho de 2016

Lula Gancia


Nos deixou ontem a grande dama de nosso automobilismo, abaixo um texto de Dyonísio Pastore que me foi enviado por meu amigo  José Roberto Avila.
Descanse em paz Dona Lula, nossos pêsames à família.

José Eduardo Avila e Rui Amaral jr


Lula dá a bandeirada da vitória às Alfas da equipe Jolly nas 24 Horas de Interlagos de 1966.

"A década de 1960 tem como importante acontecimento a construção do Kartódromo Municipal de Interlagos.O ideal seria que a nova pista fosse junto ao Autódromo de Interlagos, mas o único espaço disponível fora do perímetro da pista, era um buraco enorme, um barranco , um córrego e muito mato atrás dos eucaliptos que contornavam o retão, a partir da curva 2.(foto 1)
Em  1967 o prefeito de São Paulo era Faria Lima, conhecido por ter construído muitas  vias e obras  importantes. Era tanta obra que não se tinha mais lugares próximos pra se levar toda terra  que sobrava das terraplanagens. 
Foi ai que Lula Gancia, mãe do Carlo, amigona do Faria Lima e amiga de todos do kart deu a idéia de se levar terra e entulhos para o buraco de Interlagos.  
Em um ano aquilo que era uma cratera virou um morro !
A ponto de ter que se tirar terra para terraplanar a área que seria o novo Kartódromo de Interlagos. Sem dúvidas a construção de uma pista com  qualidade, na hora certa e no lugar certo foram determinantes para a efetivação do Kartismo Paulistano.
O descaso e a negligência, de todas as vezes em que foi  abandonado e quando foi parcialmente destruído para ser estacionamento e depósito de máquinas, caminhões e detritos em reformas da F1.
Pista mística para alguns, solo sagrado para os mais novos, de onde saíram e foram criados quase todos os melhores pilotos brasileiros que se destacaram no exterior.
Dentre eles podemos citar alguns; Carol Figueiredo,Waltinho Travaglini,Chico Serra, Ayrton Senna,Rubens Barrichelo,Christian Fittipaldi, Marco Grecco, Gil De Ferran, Helio Castro Neves, Tony Kannan, Luciano Burti, Lucas Di Grassi, Felipe Giaffone e Oswaldo Negri,Jr.

In memorian - Dyonisio Pastore"




sexta-feira, 24 de junho de 2016

INTERLAGOS...

Hoje a pista não é a mesma, é apenas uma pistinha sem nenhum atrativo maior, mas não era assim, Interlagos hoje Autódromo José Carlos Pace, foi um dos mais completos autódromos do mundo. Desafiadora com curvas maravilhosas como a "Um", "Três", "Ferradura", "Subida do Lago" onde a grande maioria dos carros colocava uma marcha abaixo mais ou menos no ponto de tangencia, a loucura de uma curva longa e de alta velocidade como era o "Sol"...
Nela desde meus oito anos vi grandes campeões desafiarem suas dificuldades, "seu" Chico, Ciro, Celso, Bird, Luiz Pereira Bueno, Chico Lameirão...foi de seu aprendizado nela, com suas variadas curvas de "alta", "baixa" e "média" velocidade que saiu nosso primeiro campeão do mundo da F.Um, Emerson Fittipaldi.
Nela fiz minha primeira e última corrida, as Mil Milhas Brasileiras de 1984, abaixo uma tabela dos tempos que meu amigo José Roberto Chambel dividiu com os amigos no Face, creio ser do final dos anos sessenta começo dos setenta da década passada. Vejam também os tempos que em 1971 nós os Esteantes e Novatos fazíamos nela com carros da Divisão Um e Três. Também um comentário de meu amigo Romeu Nardini sobre a evolução dos tempos na década de sessenta.
Hoje nos deparamos com outro problema...conversando com o Chico Lameirão outro dia, liguei para parabenizar o Marcos seu filho pelo terceiro lugar de Sergio Perez no GP de Baku, comentamos do novo regulamento da Formula Um e que os carros ficarão cerca de cinco segundos mais rápidos. Neste caso os tempos para volta da pistinha chegariam próximos aos 1'6" e que um alongamento da pista será necessário, pois comentando com ele disse que soube à boca pequena que "tio" Bernie não aceitaria tempos próximos de um minuto em nenhum  autódromo. Chico logo falou na volta do traçado original coisa que acho impossível apesar de querer.
Me pergunto, qual a próxima porcaria farão em nosso templo?

Rui Amaral Jr

"Interessante que o record de Interlagos, ficou de 1957 a 1967 em poder do Ciro Cayres, de Maserati250F com Motor Corvette, com 3m37s (media de 132,05). Foi batida pelo Fitti-Porsche dos irmãos Fittipaldi. A ultima volta rápida no circuito antigo dada por um F-1 foi 2m,21'40 Jabouille de Renault V¨Turbo, em 1980.

Romeu Nardini"





PS: À todos que nela correram, campeões ou não, e à todos que nela viram maravilhosas disputas!

terça-feira, 21 de junho de 2016

EUGENIO C.


Silverstone 1956

Reims 1956 - Castellotti na Lancia-Ferrari D50, Peter Collins o vencedor em sua cola.

O elegante e bem-apessoado Eugenio Castellotti nasceu em Lodi em 1930. Mesmo pertencendo a uma família rica, Eugenio não contou com o apoio de seus parentes quando descobriu sua paixão pelas corridas de carro. Ao completar 20 anos contudo, comprou uma Ferrari 166 Barchetta em um revendedor de Genova e inscreveu-se no Tour da Toscana. Sua próxima aventura nas pistas foi nada menos do que as Mille Miglia de 1950, competindo pela Scuderia Guastella. Castellotti continuou integrando essa equipe até agosto de 1952, quando venceu o Circuito di Senegallia, com sua 166 Barchetta. A Scuderia Guastella apoiou Eugenio na prova de Sport-cars em Mônaco, 1952, ocasião em que ele terminou em segundo, pilotando uma Ferrari 225S, perdendo apenas para Vittorio Marzotto. Essa prova ficou marcada pelo acidente do veterano Luigi Fagioli nos treinos, o que o levaria à morte semanas mais tarde. Quanto a Eugenio, uma ligação com a Ferrari existia, mas a primeira grande equipe que lhe ofereceu uma oportunidade foi a Lancia, chamando-o para pilotar um de seus modelos na Carrera Pan-Americana de 1953. Lá estavam Fangio, Felice Bonetto, Phil Hill e Taruffi. Castellotti não desapontou, concluindo em terceiro, com uma Lancia D-23. Em razão disso, recebeu uma D-24 para o Dundrod Tourist Trophy na Irlanda, em 1954. Nessa prova, pela pouca experiência, foi inscrito em todos os quatro carros da equipe, de modo que ele esteve sempre pilotando. A Lancia melhor colocada terminou na sexta posição. Mas Gianni Lancia, o chefe da equipe tinha planos ambiciosos. Ele começou a desenvolver um monoposto para Grand Prix em 1954 e o carro ficou pronto para o GP da Espanha, sendo confiado a Alberto Ascari. Na temporada seguinte, com a Lancia D-50 melhor acertada, a equipe apresentou Ascari, Gigi Villoresi e Eugenio Castellotti como seus pilotos. O melhor momento para Eugenio foi o GP de Mônaco, onde ele obteve a segunda colocação, apesar do susto de ver o amigo e mentor Alberto Ascari mergulhar da Chicane do Porto, com carro e tudo. Com Ascari resgatado ileso, os dois retornaram a Milão e aos preparativos para correrem em dupla na Supercortemaggiore com uma Ferrari 750 Monza. Na quinta-feira, Castellotti foi surpreendido com a visita de Alberto Ascari em Monza, enquanto treinava com o carro, que não estava sequer pintado. Mas o Ciccio quis experimentá-lo assim mesmo e com o casco de Castellotti emprestado, foi para a pista. Três voltas depois, o bicampeão sofreria novo acidente, desta vez na veloz Curva Vialone (na época, sem chicane) e desta vez não teve a mesma sorte. Ejetado do carro, morreu. Eugenio ficou arrasado. Gianni Lancia decidiu encerrar o programa para a F1 (ele fixou residência no Brasil e morou aqui algum tempo) e a Ferrari, em uma estranha jogada acabou recebendo os chassis já construídos da D-50. Ficou também com o “passe” de Eugenio, o único piloto que a interessava, pois as desavenças entre Gigi Villoresi e Enzo Ferrari eram por demais conhecidas. Na Ferrari, Castellotti encontrou um outro jovem piloto italiano, com quem passou a rivalizar: Luigi Musso. Mas nem tudo eram espinhos, ele conheceu a bela atriz Delia Scala e os dois iniciaram um relacionamento, o que desagradou Enzo. Il Drake costumava dizer que namoradas ou esposas significavam menos pressão no acelerador, de modo que para ele, um piloto seu era casado com a macchina e ponto. Após a temporada de 56, vencida pelo Fangio, Eugenio permaneceu na equipe. O novo carro do time seria a Ferrari 801, uma evolução da vitoriosa D-50, com modificações no chassi e o mesmo motor V-8. Logo no início da temporada, depois de participar do GP da Argentina, Castellotti preparou-se para passar alguns dias ao lado de Delia em Florença, quando recebeu um telefonema de Enzo determinando-lhe - ele não pedia, ordenava – que fosse à Modena para alguns testes na 801. 

Gigi Viloresi, Ciccio Ascari, Castellotti e Vitório Jano o projetista da Lancia D50.



 Delia

Castellotti e Delia Scala.


Ainda que contrariado, o piloto colocou-se a caminho do autódromo. Para chegar a tempo, saiu de madrugada. Em Modena, Eugenio ficou sabendo a razão do tal teste: Jean Behra, piloto da Maserati, havia estabelecido um novo recorde para a pista e Enzo sentira-se desafiado. Ele declarou ao pessoal da Maserati que qualquer piloto da Ferrari melhoraria a marca de Behra. E até apostou um café nesse imbróglio. Após uma volta para sentir o carro, Castellotti aprontou-se para acelerar pra valer, mas ele se perdeu na chicane, bateu duas vezes na barreira e foi ejetado do carro. Chocou-se contra um pilar de concreto e teve morte instantânea. Dias depois, Piero Taruffi recebeu a missão de pilotar o carro de Eugenio Castellotti nas Mille Miglia de 1957. Fase negra no automobilismo, a corrida foi marcada pelo grave acidente de Alfonso de Portago e Eddy Nelson. Comovido com tantas tragédias, Taruffi resolveu abandonar as pistas depois de sua vitória com o carro que seria de Eugenio.

CARANGUEJO

sábado, 18 de junho de 2016

Lotus 48

Jimmy na 48 em Pau 1967.
Jimmy com a 43.
 Hill com a 48

Jimmy com a 48 lidera Jackie Stewart.
Jackie Oliver com a 48 em Nurburgring.


Hockenhein 1968 - Kurt Ahrens ao lado de Jimmy. 

A Lotus 48, foi o modelo criado pela Lotus Cars para competir na Fórmula 2 e utilizado nas temporadas de 67-68. Projetada por Maurice Philippe, substituiu a Lotus 44 e fez parte de uma série de carros desenhados por Philippe, como a Lotus 39 (Tasman Series); a Lotus-BRM 43 e três projetos icônicos da equipe de Colin Chapman: a Lotus 49, a Lotus 72 e a Lotus 56 Turbine. A 48 contudo, teve uma trajetória irregular, alternando resultados de destaque com sua participação na tragédia de Hockenheim, quando o mundo da velocidade perdeu Jim Clark. Durante a temporada de 1967, o novo F2 da Lotus demonstrou sua versatilidade, pois a estréia ocorreu sob o comando de Graham Hill em uma das etapas da Tasman Series. Em outras aparições, foi conduzido por Jackie Oliver no GP da Alemanha/67, oportunidade em que disputou contra carros da F1 e saiu-se muito bem: Oliver foi o quinto colocado na difícil pista de Nurburgring, vencendo entre os carros da categoria. Mas o maior número de conquistas veio pelas mãos de James Clark Jr. vencedor do GP de Barcelona (Montjuich Park); da 6ª etapa do Europeu (Jarama) e do GP da Finlândia (Keimola Ring). O carro era equipado com um motor Cosworth FVA 1600 cc, caixa de marchas de 5 velocidades (manual) e pneus Firestone. Em 1968 porém, tornou-se infame pois foi o último monoposto conduzido por Jim Clark, que disputava o Deutschland Trophäe em Hockenheim, quando o carro subitamente ficou sem controle e chocou-se contra uma árvore. Em 69, o Team Irlanda adquiriu dois chassis da Lotus 48 e com um deles, John Watson participou do Wills Trophy em Thruxton. Foi substituída pela Lotus 59.

CARANGUEJO