A VERDADE NÃO SERIA BASTANTE PLAUSÍVEL SE FOSSE FICÇÃO - Richard Bach

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Primeiro 500 Km de Porto Alegre - Circuito da Pedra Redonda - 1958


Amanhece o domingo, vento minuano havia dado trégua, para esta que seria a primeira prova dos 500 Km de Porto Alegre que se tornaria um clássico do automobilismo gaúcho.
A cidade estava movimentada com porto-alegrenses e o público vindo da região e outros Estados.
Os ânimos exaltados, adrenalina em alta, agitava e muito os pilotos, mecânicos e preparadores. Seria o primeiro, grande e belo confronto entre os paulistas e gaúchos após os incidentes da final das Mil Milhas Brasileiras de 1957. E ainda com a participação dos ‘hermanos’ exímios pilotos argentinos e uruguaios o que só engrandeceria esta.
De São Paulo vieram os pilotos Camillo Christófaro, Celso Lara Barbéris, Chico Landi, José Gimenez Lopes e Luiz Margarido.
Os gaúchos que participaram, Aristídes Bertuol, Catharino Andreatta, Ítalo Bertão, José Asmuz, Nacticvo Camozzato, Orlando Menegaz entre outros.
Os argentinos Juan Galvez e Felix Peduzzi e o uruguaio Rômulo Buonavoglia entre outros.
Os treinos de sábado foi de muita emoção e tristeza, o piloto José Gimenez Lopes, bateu em uma árvore destruindo sua Chevrolet N° 82 tirando também Chico Landi.
A prova consistia em 40 voltas no Circuito da Pedra Redonda. A largada foi às 8h e 45min, com Barbéris na ponta, sendo logo ultrapassado por Orlando Menegaz, fazendo a segunda volta com média de 140 km/h, em sua cola Juan Galvez e Aristides Bertuol. Que superou com maestria Galvez, dando início a um duelo entre os gigantes gaúchos com suas possantes Chevrolet/Corvette N° 24 e N° 4.
O ritmo forte fez com que Menegaz abandonasse a prova na 25ª volta, com problemas no diferencial. Os pilotos que já se encontravam fora desta eram Galvez, Barbéris, Christófaro, Catharino, Felix e Menegaz.
Peduzzi capotou na Praça da Tristeza, saindo também da prova, mesmo assim teve muita sorte pois não teve nenhum ferimento.
Nactivo Camozzato, que vinha em segundo lugar, assumiu a liderança da prova ultrapassando Bertuol que tentou alcançar Camozzato, na 26ª volta Bertuol, perde o controle de sua carretera N° 4, batendo forte em uma árvore e ficando entalado entre duas outras, na rótula da Caixa d’Água de Ipanema. Camozzato conquistou a vitória com bravura.
A prova que iniciou com 19 pilotos, acabou com apenas 6, se tornando num festival de carreteras quebradas e acidentes. O Circuito da Pedra Redonda exigia muita habilidade dos pilotos e resistência das máquinas.

Curiosidades sobre esta prova:

- Aristides Bertuol com sua Chevrolet/Corvette N. 4, que tinha câmbio de quatro marchas para frente e a ré embaixo, como se fosse um afogador, ao ser dada a largada não viu que estava com a ré engatada e largou de marcha ré. Por sorte não bateu em nenhum concorrente, mas teve de ser dada uma segunda largada;
- Aristides Bertuol e Orlando Menegaz, cada um com sua respectiva Chevrolet/Corvette , apostaram Um Milhão de Cruzeiros para ver qual deles seria o vencedor. Quando Daniel Winik e outros pilotos ficaram sabendo rasgaram o cheque, pois isto levaria-os a pilotarem em extrema alta velocidade que poderia ocasionar grave acidente.


Agradeço ao amigo Rui Amaral Lemos Jr. pelo convite para escrever sobre esta tão importante fase do automobilismo gaúcho. A Fabio Poppi que nos presenteou com as fotos e a Carlos de Paula que nos apoiou. Aos amigos Daniel Winik, único piloto passo-fundense de carretera, ainda vivo e meu pai, Nelson Marques da Rocha, ambos enciclopédias vivas que me auxiliaram neste.

Graziela Marques da Rocha
Passo Fundo-RS

Cantando o Hino Nacional - antes da largada
Momentos antes de alinharem

Largada
"Cupecita la Galera" dos argentinos hermanos Dante e Torcuato Emiliozzi
 Carretera Ford N. 52


Ford 1 e Juan Galvez a direita
Chevrolet N. 3 de Peduzzi
 Ford N. 18, a Gilda, de Nicanor Ollé
 Ford N. 30 e ao fundo Ford N. 53 de Buonavoglia
 Chico Landi e Celso Lara Barberis
 Carretera Ford N. 6 com Camozzato a esquerda
 Ítalo Bertão que correu com a Ford N. 48 de Daniel Winik
Orlando Menegaz com sua carretera Chevrolet/Corvette N. 24
 Aristides Bertuol com sua Chevrolet/Corvette N. 4
Buonavoglia com sua Ford N. 53 
Carretera Chevrolet N. 16 de João Galvani
 Diogo Ellwanger com sua Ford N. 22 - descida para a curva da Pedra Redonda

 Rótula da Caixa d'Água
 Saída da Praça Tristeza, Bertuol com sua Chevrolet/Corvette N. 4 atrás de Menegaz com sua Chevrolet/Corvette N. 24
Camozzato com sua Ford N. 6

Carretera Chevrolet N. 82 de Chico Landi
NT: Quem está ao lado parece se José Gimenez Lopez

Quadriculada vai para... 
Aldo Costa com sua Ford N. 12 - ao completar a prova

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Aproveito para mostrar novamente o vídeo dos  500 KM de Porto Alegre de 1962, que recebi de meus amigos Nelson e sua filha Graziela Marques da Rocha, editado e disponibilizado no You Tube  por meu amigo Fernando Fagundes.



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Interessante, hoje ao abrir a pagina de estatísticas do Historias mais de 10 visitas a este post. 
Foi a primeiro post da sempre competente Graziela, nas fotos que eu havia recebido do Fabio Poppi.
São  fotos antológicas de nosso automobilismo, de uma época de raça e pilotos privilegiados, que corriam com dificuldades e amor ao esporte.
Com este post, me aproximei de alguns amigos do Sul, entre eles o sempre presente Caranguejo e Leandro Sanco que em seu ótimo blog, conta muitas das historias do automobilismo.
À Graziela, Nelson, Fernando e Fabio meu muito obrigado, e um forte abraço!


Rui Amaral Jr

Post original de 13 de Julho de 2009




12 comentários:

  1. As fotos são espetaculares, e quanto mais eu as vejo, mais admiro os pilotos que aceleravam nesta época e também o trabalho formidável do Paulo Trevisan com o Museu do Automobilismo Brasileiro.
    Abraço

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  2. Fabiani C Gargioni #2715 de outubro de 2012 19:04

    Grande Rui, faço coro com o FRancis e como eu sempre digo as CARRETERAS tem "ALMA", parabéns à todos!!! Obs:façam mais postagens como esta e com estas imagens é demais!!!

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  3. Rui, belas fotos e ótimo filme. Gostei do fusquinha porsche acelerando no meio das carreteiras.
    Rui, sempre tenho dificuldades de comentar no seu blog por causa da exigência daquelas "letrinha". Muita gente reclamou no meu blog e eu as eliminei. Facilita muito na hora de comentar. Se quiser posso te passar as configurações para eliminá-las. Me passa o seu email, caso queira. Jovino

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  4. Jovino, como vc havia me aconselhado tirei a verificação, mas entravam mais de 10 spam por postagem e tive que voltar.
    Aqueles VW são os primeiros VW-Porsches a correrem no Brasil.
    Te enviei um e-mail, com o link para Lola do Baixinho.

    Um abraço

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  5. Meu caro Rui,

    Belissima e explendorosa matéria.
    Ao ver as fotos, fecho por um instante os olhos e sinto novamente o ronco da Carreteras Chevrolet e Ford.

    Abs,

    Hiperfanauto

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  6. Obrigado Fernando, é nosso este post!!!

    Um abração

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  7. Belíssimas fotografias! Apenas por curiosidade, a informação que obtive, há algum tempo, com o Jorge Truda, piloto de carrretera e Simca, que os carros dos "estrangeiros" ficaram sob custódia da Agência Ford Ribeiro Jung de Porto Alegre. Agora, observando as fotos, vejo o nome desta revenda estampada na carretera#53 do uruguaio Rômulo Buonavoglia. A fotografia é um registro fantástico de uma época.
    Parabéns, Rui!

    Martim

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  8. Martin, me parece que sim, vou perguntar ao meu pessoal, recebi estas fotos e postei dois anos atrás, ainda bem que resolvi mostrar novamente.
    Obrigado e um abraço

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  9. MUito bom!!!! coisa linda essas fotos!!!muito legal,parabéns a todos!!!

    Marcelo Vieira

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  10. Hoje por alguns minutos vivi minha infância novamente. Senti-me postado na Otto Niemeyer assistindo o primeiro 500 km de P.Alegre. Tudo veio em minha mente, o ronco das carreteiras, suas cores e publicidades, tudo muito lindo e o vídeo através das imagens parecia que tudo estava acontecendo. Assisti as todos os eventos automobilísticos realizados na região, onde me criei e moro até hoje. Parabéns pela excelente matéria, a qual me proporcionou muita felicidade.
    Roni Ramos Guimarães - Porto Alegre - Rs.

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    1. Bom Roni, é este o sentimento que meus amigos e eu tentamos transmitir à todos, obrigado pelo comentário, abraço!

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Rui Amaral Jr